Pesquisadores do Wake Forest Baptist Medical Center estão tentando descobrir os mecanismos que tornam a cocaína tão viciante, além do motivo óbvio pelo qual todas as drogas viciam.

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Um novo estudo publicado no Journal of Neuroscience investiga como funciona o vício em cocaína nos ratos. Sara R. Jones, líder do estudo e professora de farmacologia e psicologia no Wake Forest Baptist Medical Center, explica em um comunicado que os cientistas conhecem os efeitos da cocaína no “sistema relacionado à dopamina e nos transportadores de dopamina”, então ela quis fazer um estudo “para entender mais sobre como se desenvolve a tolerância à cocaína”.

Primeiro, a equipe de Sara fez com que os ratos ficassem viciados em cocaína, permitindo que eles consumissem até 40 doses da droga a cada seis horas, por um período de cinco dias. Depois, os ratos ficaram em abstinência por 14 ou 60 dias. Eles examinaram os transportadores de dopamina dos animais e verificaram que “eles pareciam normais, assim como no grupo de controle que só recebeu placebo”.

E é aqui que a história fica interessante: mesmo depois de 60 dias de abstinência, se um rato ex-viciado experimentasse a droga novamente, “os efeitos eram totalmente retomados”.

Isso sugere que o vício, pelo menos no caso da cocaína, tem efeitos permanentes. Sara explica:

Mesmo depois de 60 dias de abstinência, que é praticamente o equivalente a quatro anos para os seres humanos, foi preciso apenas de uma única dose de cocaína para os levarem à estaca zero, no que diz respeito ao sistema de dopamina e aos níveis de tolerância, aumentando a probabilidade de compulsão novamente. Este é o terrível ciclo do vício.

O estudo, em parte, dá algumas evidências fisiológicas que sustentam a tradicional narrativa sobre o vício: quando um viciado decide abdicar das drogas, ele precisa evitar completamente as substâncias para não ter uma recaída. Sara acredita que alguns “experimentos pré-clínicos que estão testando várias drogas com base na anfetamina podem ser eficazes no tratamento da dependência de cocaína”.

[Wake Forest Baptist Medical Center via Science Daily]

Foto por andronicusmax/Flickr