Na última semana, uma baleia jubarte filhote encalhou em uma praia de Jaguaruna, no estado de Santa Catarina. Uma equipe de resgate tentou devolver o animal ao mar, mas as tentativas foram frustradas. Infelizmente, os profissionais tiveram que eutanasiar o mamífero, pois o animal já estava fraco, sofrendo e não tinha como voltar para a água.
Após o processo, pedaços do cetáceo foram retirados para a necropsia. Seu corpo será enterrado próximo ao local de encalhe, como já aconteceu com 6 baleias nos últimos dois anos.
Essa jubarte chegou viva à costa, mas isso não acontece com todos os animais. Muitos dos mamíferos chegam mortos e devem ser enterrados em um local próximo do encalhe que facilite seu processo de decomposição. Além disso, o sepultamento não pode representar risco para a população do entorno.
Segundo Pedro Castilho, professor do Departamento de Engenharia de Pesca e Ciências Biológicas da Udesc Laguna (Universidade do Estado de Santa Catarina), as carcaças de baleia podem chegar a praia por diversos motivos: os animais podem estar “doentes, enredados, atropelados ou saudáveis, porém desorientados”, explicou ao Giz Brasil.
A maior parte das baleias que chega as praias são animais juvenis ou subadultos, o que pode estar relacionado a inexperiência dos filhotes e a consequente desorientação, problemas congênitos ou enredamento.
Mas o que leva tantas baleias a encalharem em Jaguaruna? Para Castilho, não há resposta exata para essa pergunta. Não é possível prever antecipadamente onde o animal aparecerá. Na verdade, a probabilidade de encalhe está associada ao tempo de decomposição, flutuabilidade da carcaça, tipo de praia, regime de ventos e maré e até mesmo efeitos micro oceanográficos.
Por outro lado, há uma especificidade nas praias de Jaguaruna que pode estar “puxando” as baleias. É a chamada Laje de Jagua, uma formação rochosa submarina “que impõe uma condição de movimentação de massas de água que, dependendo da direção do vento, corrente e maré, pode impulsionar as carcaças para a praia”. Porém, o cientista conclui dizendo que, em outras condições, essas ondas também podem empurrar a carcaça para o oceano.
As baleias jubarte chegam no Brasil em maio e se concentram principalmente em Abrolhos (BA), onde ficam até o início de novembro. Ocasionalmente, elas saem da rota e acabam no sul do país.
Já as baleias francas buscam as águas do sul propositalmente entre os meses de julho e novembro. Os animais optam por uma região oceânica mais quente para acasalar, dar a luz aos filhotes e também desmamá-los.