Há seis meses atrás, Michale Bay Chegou na Digital Domain, A Companhia ganhadora de Oscars por efeitos especiais atrás de filmes como Benjamin Button, Titanic e O Quinto Elemento, com um pedido de última hora. Ele precisava de um Close. (Aviso: Pequenos Spoilers) 

A Digital Domain já estava trabalhando em alguns personagens secundários para Transformers 2 enquanto a Industrial Light and Magic, de George Lucas, trabalhava nos robôs principais como o Optimus Prime. Sim, Transformers 2 tinha um orçamento tão grande que a DD foi contratada só de carona.

Um dos momentos principais do trabalho da DD foi a transformação de uma garota chamada Alice – interpretada por Isabel Lucas – em um robô letal. A filmagem original, vista acima, usa técnicas digitais como simulação avançada de partículas (Física) para dividir 10.000 pedaços de pele do corpo de uma garota – o tipo de conceito avançado que requer muito de know-how de software e computadores que aguentam o trabalho pesado. Esse foi o tipo de filmagem em que a DD mostrou tudo que pode fazer.

Quando Michael Bay viu, ele achou que faltava algo.

Após assistir uma pré-edição do filme, Bay decidiu que apesar da filmagem "wide" estar legal, faltavam closes no filme – ele queria 40 frames do rosto da garota quando ela começasse a se transformar.

O Close não pegaria todas as partes que a filmagem de corpo inteiro pegaria. Ao invés de 10.000 pedaços de pele, só 50 teriam que se mover. Mas por conta do tempo, orçamento e restrições de pessoal, a animação teria que ser feita do modo antigo – trabalhando a mão. Isso significou que cinco caras gastariam os próximos três meses de suas vidas em menos de dois segundos do filme terminado.

O supervisor de computação gráfica Paul George Palop me mostrou o processo de fabricação de "dolorosos, muito dolorosos" 40 frames.

O Objetivo parecia simples: Transformar esse close de um humano em um close de um robô. O Rosto da Alice começaria a despedaçar, revelando um criatura assustadora. Mas para modelar em 3D sobre filme digital dá algum trabalho. para fazer o efeito parecer real, os caras precisariam mapear a filmagem original em 2D para o espaço digital 3D. Dai eles poderiam colocar as coisas de robô legais.

Primeiro, A DD cortou todo o fundo e os objetos que sobraram (Inclusive a cabeça da Shia LeBeouf), isolando a figura feminina. Esse é o primeiro passo de uma técnica clássica conhecida como rotoscópio, um truque mais velho que a Disney, em que o animador sobrepõe personagens desenhados e outras animações em cima de fundos reais. (Agora que o CG juntou humanos e desenhos, é provavelmente seguro dizer que não há nenhum filme com bastante efeitos especiais feitos agora que não envolvam algum tipo de rotoscópio)

Com o trabalho 2D básico pronto, a DD usou uma imagem escaneada a laser da Isabel Lucas para criar um mapa 3D perfeito. A placa do rotoscópio foi então colocada por cima desse mapa, permitindo os animadores trabalharem com a geometria e profundidade da imagem real. Nós não temos a parte exata, então roubamos uma parte parada da imagem original em wide para explicar. Na direita você tem o modelo do corpo em 3D escaneado. Na esquerda, você pode ver o 3D aplicado na imagem 2D.

Um artista trabalhou só nas pequenas placas de pele que se quebram em volta da boca da Alice. Cada um desses 50 pedaços foram animados a mão, frame por frame, para criar esse curto efeito. Mas para melhorar a ilusão de movimento, os artistas aplicaram uma textura extra nos pedaços junto com um deslocamento em cada ponta dos pedaços, o que transforma as partes quadradas em vários triângulos pequenos. (Veja como eles parecem denticulados na versão da direita?). Uma das formas 3D foi removida, e elas tinham que parecer naturalmente acesas, de modo que a pele da garota parecesse artificial antes de ela se transformar em um monstro de metal.

E no meio disso, os movimentos exatos da cabeça humana da Alice precisavam ser aplicados a nova cabeça de robô animada da Alice, então então qualquer movimento da forma antiga pode ser copiado instantaneamente depois.

Finalmente, todas as peças foram feitas, renderizadas e colocadas em um novo fundo desenhado. Você vai perceber que além dos óbvios efeitos visuais, eles deixaram a imagem da Alice um pouco mais forte. A equipe remontou o final de seu braço esquerdo e, já que estavam lá, deram um pouco mais de apoio sobre a parte de trás do cabelo. Mesmo com um prazo de entrega apertado de um mega filme de estúdio, sempre há tempo pra uma estilização de última hora.

Depois de todo esse trabalho meticuloso – três meses de esforço de mestres dos efeitos digitais – o público em todo lugar ganha um bônus de 40 frames de notável transformação robótica.

Ironicamente, uma das reclamações mais feitas sobre o filme é sua duração.