Eu fiquei bastante animado quando o Google anunciou o Android Auto no ano passado. Eu passo muito tempo dirigindo, e ele parecia bem mais seguro e mais conveniente do que colocar meu smartphone no painel do carro. Onze meses mais tarde, eu finalmente pude dirigir com ele. Basicamente, eu quero isso no meu carro agora mesmo – e aposto que você gostaria também.

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Eu passei uma semana inteira com um novo Hyundai Sonata que vem com o Android Auto pré-instalado. Embora o software do Google precise definitivamente amadurecer um pouco, o Android Auto já consegue me dar acesso fácil à informação de que preciso, sem tirar muito a atenção do volante.

Começando

As boas notícias começaram no momento em que em entrei no meu Hyundai emprestado: configurar o Android Auto é supersimples. No passado, eu emparelhei meus vários smartphones Android com dezenas de diferentes veículos via Bluetooth, e muitas vezes este é um processo ruim.

Mas aqui, foi fácil: eu apenas baixei o app do Android Auto no ​​meu celular, me certifiquei de que o Bluetooth estava ligado, e pluguei o celular ao carro via USB. O app iniciou automaticamente em ambos, e eu só tive que autorizar algumas permissões antes que eu pudesse começar. Depois da primeira configuração, tudo que você tem a fazer é conectar o cabo USB e pronto.

O Hyundai Sonata tem o seu próprio sistema integrado de informação e entretenimento, para aqueles que não têm smartphones Android rodando a versão 5.0 Lollipop ou superior. É um sistema moderno típico, ou seja, não é bom. Mas quando você conecta o smartphone, surge o app do Android Auto: toque nele e, em seguida, ele entrega o controle para o Android.

Preview do Android Auto (2)

O básico

Uma vez que o Android Auto estiver aberto, a tela do seu telefone apenas exibe “Android Auto” por um segundo, e então fica preta. Você deve colocá-lo em um suporte para copos e não mexer nele novamente até que você esteja estacionado com segurança em algum lugar. Notavelmente, foi raro eu ficar tentado a pegar meu celular. A tela sensível ao toque de 8 polegadas no painel do Hyundai se transformou em praticamente todos os controles que eu queria.

A interface parece um pouco o Google Now. É essencialmente a sua página inicial para o Android Auto. Ele exibe coisas como compromissos futuros, as mensagens recebidas mais recentes, as chamadas não-atendidas, a próxima rua a virar, e qual música ou podcast está tocando.

Ele não vai te mostrar placares esportivos, nem preços de ações ou qualquer coisa assim, apenas uma lista reduzida de coisas que você pode precisar ao dirigir, eliminando distrações. Você só saberá que sua ex-namorada curtiu uma foto sua no Instagram quando chegar ao seu destino. (E por que ela fez isso?!)

Na parte inferior da tela, há uma fileira de cinco ícones: é como você escolhe entre os principais recursos do Android Auto. Da esquerda para a direita, há o Google Maps, o discador de telefone, a tela principal (representado por um ícone do círculo), Áudio/Mídia e Apps do Carro. Este último leva você para diagnósticos e outras coisas que os fabricantes de automóveis podem integrar ao Android Auto – embora o carro da Hyundai não faça isso ainda.

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Na maioria das vezes, você não vai apunhalar aquela touchscreen – você vai usar sua voz. Basta pressionar e segurar o botão do microfone no volante do carro, e ele ativa o reconhecimento de voz do Android. Há um ícone de microfone no canto superior direito da tela, também, caso o passageiro queira procurar alguma coisa. Ele não tem suporte a “OK Google” porque os engenheiros da empresa temiam que o usuário pudesse ativá-lo acidentalmente, o que poderia ser uma distração na estrada.

Há também bastante voz saindo do sistema. Sempre que você receber uma nova mensagem, uma notificação aparecerá na parte superior da tela dizendo “Nova Mensagem de Fulano da Silva” – esse é todo o texto que você verá. Toque nele, e o sistema lerá o texto para você, sem exibi-lo na tela e sem causar distrações. Você pode então ditar a sua resposta. Ele faz a mesma coisa se você googlar algo aleatório como “qual é a altura do Burj Khalifa?” – ele apenas dirá a resposta em voz alta.

Então, sim, há alguns toques que você precisa fazer, o que exige olhar para a tela, e sejamos sinceros: isso não é o ideal. Eu gostaria que ele dissesse em voz alta: “Você tem uma nova mensagem de texto de Fulano da Silva. Você quer que eu leia em voz alta?” E depois eu diria sim ou não.

Dito isto, o Android Auto reduz a quantidade de toques e distração se comparado a instalar o smartphone no painel do carro. Além disso, no meu celular sempre há muitas notificações vindas de apps aleatórios – ele simplesmente distrai muito. E, é claro, outros sistemas de navegação parecem dinossauros metálicos próximos a isto. São sistemas que não têm nem atualizações de tráfego ao vivo! Não, obrigado.

Uma das coisas legais no Android Auto é que as atualizações do sistema operacional acontecem como qualquer outro app – através da Play Store no seu celular. Isto significa que você não precisa usar seu computador para colocar apps em alguns pendrive USB e, em seguida, conectá-lo ao console do carro para atualizá-lo.

Isto também significa que é muito fácil para os desenvolvedores fazerem um app que funcione em todos os carros que suportam Android Auto, e apenas atualizá-lo como de praxe. Para o Google, isso exigirá muito mais cuidado sobre qual app obterá aprovação para entrar na Play Store. Todos eles serão testados por seres humanos reais, e serão analisados com muito cuidado para garantir que eles não façam nada inseguro (ou nefasto).

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Usando

Vamos começar pelo Google Maps. Ele é, de longe, muito melhor do que qualquer sistema de navegação integrado que eu já usei. Afinal, ele é integrado com vários serviços do Google, como o calendário: por isso, ele sabe que você está indo para um jogo hoje à noite. Um card aparece em sua tela principal dizendo “45 minutos para o estádio. Tráfego normal pela Interstate 80”. Toque nisso, e começa a navegação. Você pode se ver no mapa, e uma caixa do lado esquerdo mostra exatamente quando e qual é sua próxima virada. É superintuitivo e incrivelmente fácil de ler. E, claro, o tráfego é atualizado ao vivo e pode desviar você de acidentes ou obras.

Você também pode, é claro, usar sua voz para pesquisar mapas, seja por dizer o endereço real ou o nome da empresa onde você está tentando chegar. Você pode buscar por categoria, também, como postos de gasolina ou cafés, mas esta é uma das áreas que precisam de bastante melhoria, e isso é culpa do Google Maps, não do Android Auto.

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Por exemplo, se você estiver dirigindo pela estrada e buscar um restaurante chinês, o Maps mostrará os locais mais próximos sem levar em conta a direção em que você está dirigindo. Eu deveria ser capaz de dizer: “localize o próximo [posto de gasolina, café, biblioteca etc]” e ele deveria exibir opções mais à frente na minha rota. O Google é geralmente muito bom em compreender contexto, por isso é surpreendente que isso ainda esteja faltando no Google Maps.

O discador do telefone funciona muito bem. Geralmente, você apenas diz “Ligue para Annalee”, e ele faz isso. Você também pode rolar por seus contatos marcados como favoritos à mão, mas isso parece desnecessário. Obviamente, a qualidade do áudio será diferente de carro para carro, mas as chamadas foram altas e nítidas no Sonata que eu estava dirigindo.

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O recurso de mensagens de texto é fantástico. Ele é integrado com o Hangouts, então você recebe notificações de SMS e de mensagens instantâneas, e pode responder a ambos. Basta tocar na mensagem, ouvi-la e dizer “Responder” para ditar a resposta. É incrível, e honestamente, eu gostaria de só dirigir com isto.

Mas há uma coisa que me deixou louco. Eu usei o Google Voice como o meu número principal por anos, e apesar de ele estar integrado ao Hangouts e todos os meus padrões estarem definidos para usar esse número, se eu iniciar um SMS através do Android Auto, ele vai usar o número no meu chip, que meus amigos não têm. Isso é muito chato, mas é uma questão do Hangouts/Android, não do Android Auto, porque a mesma coisa acontece quando eu envio mensagens através de um relógio com Android Wear. Responder a mensagens recebidas funciona muito bem, no entanto.

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A aba Áudio/Mídia é matadora. Você toca nos fones de ouvido e pode escolher qual aplicativo de áudio será aberto. Atualmente há apenas o Google Play Music, Spotify e Pocket Casts. Eu testei todos os três e todos eles funcionaram muito bem. O Google criou algumas diretrizes rígidas para as empresas que fazem apps de áudio para o Android Auto. Todos eles devem ter ícones grandes, mais ou menos no mesmo lugar (para tocar/pausar/pular etc.), e os menus devem ser simples e intuitivos.

Por isso, todos os três apps funcionam praticamente da mesma maneira. Foi muito simples encontrar listas de reprodução em todos eles, e navegação era muito fácil. Ainda melhor: eu podia simplesmente apertar o botão de entrada de voz a partir de qualquer tela e dizer: “Toque To Pimp a Butterfly de Kendrick Lamar” e pronto, todo o álbum tocava via Google Play Music (supondo que você tenha o álbum, ou você assine o streaming ilimitado do serviço). Foi um prazer de usar.

Também vale mencionar que, se seu carro tiver uma câmera, ela vai assumir sua tela quando você estiver dando ré. Coloque-o de volta em outra marcha (ou estacione), e o Android Auto volta instantaneamente. Isso foi rápido e fluido.

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O que ainda precisa melhorar

O Android Auto não teve nenhum problema em funcionar de imediato com o HTC One M9 que eu venho usando, mas nem todos os smartphones que eu testei funcionaram. O Nexus 6, do próprio Google, teve problemas para se conectar. (Para ser justo, o aparelho vem tendo dificuldade em se conectar via Bluetooth a um monte de coisas diferentes, então espero que a culpa seja apenas do celular.)

N​no entanto, houve algumas falhas aqui e ali mesmo com o One M9. Duas vezes durante a semana de testes, o Android Auto simplesmente travou, e eu não conseguia determinar o motivo. Eu tive que retirar o aparelho do USB e, em seguida, plugá-lo de novo, o que foi irritante e poderia ter sido perigoso se eu estivesse na estrada.

Além disso, o Android Auto só funciona se o smartphone estiver conectado via USB. Se você estiver em uma viagem com amigos e eles quiserem dar uma recarga na bateria, isso não será possível: caso você desconecte seu smartphone, o Android Auto vai embora. Tem que haver uma maneira de contornar isso.

Além disso, eu notei que meu smartphone ficou muito quente durante o uso do Android Auto, então o processador deve estar realmente trabalhando duro. O problema é a carga do USB não era suficiente para o One M9, por isso o meu smartphone foi lentamente perdendo energia, apesar de estar plugado. Isso é um problema muito grande. A Hyundai provavelmente deve reforçar a potência em suas portas USB e o Google provavelmente deve encontrar uma maneira de fazer o Android Auto gastar menos energia.

Disseram-me na conferência Google I/O do ano passado que o Auto poderia usar a antena GPS do carro para se tornar mais preciso, e para economizar a bateria do celular. Sean Hollister, da equipe do Gizmodo, me disse recentemente: “um motivo pelo qual eu não gosto de usar meu celular no painel do carro é que o carregamento, mais Bluetooth, mais GPS, mais a luz solar fazem com que meu smartphone fique superquente – parece que ele vai derreter”.

Ora, o Android Auto usa o GPS do carro e permite que o celular fique guardado longe da luz do sol, então isso cuidaria de metade do problema – mas não, ele ainda ficou muito quente. Isso me faz perguntar quanto processamento o celular está fazendo para o carro. O problema de terceirizar isso para o carro é que isso talvez fosse dependente de itens ​​(como o CPU/chip gráfico embutido no carro) que variam muito.

Há também um monte de apps que eu realmente gostaria de usar ao dirigir, e que ainda não têm suporte a Android Auto. Por exemplo, eu adoro salvar artigos longos no Instapaper, e depois fazer aquela voz robótica ler o texto para mim. É quando eu tenho tempo para compensar o atraso em algumas coisas que eu realmente quero ler, mas até que o Instapaper tenha um app oficial para Android Auto, eu terei que esperar. Por enquanto, eu preciso desligar o Android Auto e depois usar o Bluetooth do carro para ouvir o áudio. Seria bom se o Android Auto tivesse algum tipo de exceção para conteúdo via Bluetooth, mas talvez isso seja pedir demais de uma primeira versão.

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Você quer?

Sim, você definitivamente quer, se você usa Android. Ele está à frente de qualquer coisa que eu usei em sistemas para painel de carro. Eu definitivamente fiquei muito menos tentado a olhar para o meu celular, ou a tirar os olhos da estrada.

Eu não acho que você deveria comprar um carro novo para ter o Android Auto, mas este tipo de integração é algo digno de se considerar. Há os sistemas da Pioneer e da Parrot para quem não quiser trocar de carro: eles se encaixam nas entradas de som do seu carro.

O Google também poderia transformar o Android Auto em um app independente para celulares Android, que exibiria a interface mais intuitiva e limitada na tela do aparelho quando ele estivesse preso ao painel. Então, por que não fazer isso? Eu… não sei, na verdade. E eu realmente gostaria que isso fosse feito, porque seria fantástico e seria ótimo para quem não está pensando em comprar um carro novo em breve.

Uma das razões de o Android ser tão bem-sucedido é porque ele funciona em aparelhos baratos para quem não está com dinheiro sobrando, então essa estratégia faz bastante sentido. Todo mundo merece ter uma experiência de condução mais segura, não?

O Hyundai Sonata foi divertido de dirigir, e é apenas o primeiro a ser lançado com a integração ao Android Auto. Há 29 fabricantes de automóveis no total que darão suporte a ele de uma forma ou outra, embora certamente duvido que ele seja integrado em todos os modelos de cada fabricante – e não sabemos se isso vai ser um extra ou algo de fábrica.

Infelizmente, meu carro tem uma entrada de áudio single-DIN, e todos os sistemas com Android Auto são double-DIN (ou seja, eles são muito altos). É uma pena, porque depois de usar o Android Auto por uma semana, eu realmente gostaria de continuar com ele.