As medidas do presidente dos EUA, Donald Trump, contra empresas de tecnologia da China podem respingar em uma gigante americana: a Apple. De acordo com o analista de mercado Ming-Chi Kuo, se o WeChat for banido da App Store no mundo todo, as entregas de iPhones podem cair até 30%.

Após semanas de ameaças, Trump tomou medidas na sexta-feira (7) contra a ByteDance, desenvolvedora do aplicativo TikTok, proibindo empresas americanas. O que causou alguma surpresa foi outra ordem executiva proibindo negócios entre americanos e o WeChat. A alegação é de risco à privacidade de cidadãos do país.

Com mais de 1,2 bilhão de usuários ativos por mês, o WeChat nasceu como aplicativo de mensagens, mas hoje é muito mais que isso. Ele também oferece pagamentos e transferências, rede social, plataforma de e-commerce, acesso a serviços públicos e muito mais.

Isso faz com que o WeChat seja muito utilizado também por chineses que hoje vivem em outras partes do mundo para falar com seus amigos e familiares que ficaram no país asiático, onde Facebook, Twitter e Google são proibidos. O app também é bastante criticado por censurar conteúdos a mando de Pequim.

Se a Apple for proibida de distribuir um app tão importante para o mercado chinês, isso poderia levar a uma queda brusca nas vendas no país, já que não há como instalar aplicativos no iOS sem ser pela App Store.

Enquanto isso, fabricantes de smartphones Android não seriam afetadas pela medida pois os aparelhos não dependem da Google Play Store (já que o Google está proibido no país). Eles usam outras lojas locais, como o Myapp da Tencent (que é a desenvolvedora do WeChat) e o App Gallery da Huawei.

Ming-Chi Kuo, que é um dos maiores especialistas de mercado em Apple, prevê também que a medida pode levar a uma queda de 15% a 25% nas entregas de outros produtos da Apple, como iPads, Macs e AirPods. Mesmo considerando um cenário mais simples, em que a Apple é obrigada a retirar o WeChat apenas da App Store americana, isso pode ter um impacto de 3% a 6% nas vendas de iPhones.

Desde 2018, a Apple não divulga os números de aparelhos vendidos, então não temos números oficiais de quantos iPhones foram entregues na China nos últimos anos — a consultoria IDC estima que foram 7,3 milhões de entregas durante o segundo trimestre de 2020. No último balanço financeiro divulgado pela empresa, a região da Grande China (que inclui Macau, Hong Kong e Taiwan) foi responsável por 15% das receitas, mas este número também inclui outros produtos e serviços além de iPhones.

Em seu relatório, Kuo recomenda que os investidores diminuam suas posições em ações da Apple e de suas fornecedoras, com a LG Innotek e a Genius Electronic Optical pois elas correm risco.

A ordem executiva de Trump passa a valer no dia 20 de setembro. O TikTok considera entrar com uma ação na justiça americana contra a medida.

[MacRumors]