por Daniel Junqueira

A inteligência artificial DeepMind do Google já conseguiu vencer seres humanos em jogos tradicionais como Go, mas e nos jogos eletrônicos, como ela se sai? Esse é o próximo passo da pesquisa da AI, que agora vai tentar aprender a jogar StarCraft II.

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O anúncio foi feito durante a BlizzCon 2016 e é uma parceria entre Blizzard e o pessoal da DeepMind. Para testar os limites da inteligência artificial, cientistas vão colocar a AI para jogar StarCraft II inclusive contra outros seres humanos. A expectativa é que o conhecimento adquirido durante o experimento ajude no desenvolvimento da inteligência artificial. Como explicou a DeepMind em seu blog oficial:

“A DeepMind está em uma missão científica para testar os limites da AI, desenvolvendo programas que podem aprender a solucionar qualquer problema complexo sem que alguém precise ensinar a fazer. Jogos são o ambiente perfeito para isso, permitindo o desenvolvimento e teste de algoritmos mais espertos e flexíveis com mais velocidade e eficiência, além de oferecer um retorno instantâneo de como estamos nos saindo através de placares.”

StarCraft II foi escolhido por ser um jogo que serve como “ponte para a bagunça do mundo real”, e as habilidades adquiridas durante o aprendizado do jogo poderiam muito bem ser transferidas para o mundo real. Em StarCraft II os jogadores precisam coletar materiais para desenvolver novas unidades – o que ajuda no aprendizado do gerenciamento de recursos – e também não conseguem ver o mapa inteiro do jogo de uma vez, só quando estão caminhando por ele. Assim, a AI poderia testar suas habilidades de memória.

Por fim, como há um oponente fazendo a mesma coisa ao mesmo tempo, a inteligência artificial também pode ser testada para tomar decisões rapidamente e com eficiência, considerando também que há alguém do outro lado.

“Um agente que joga StarCraft precisa demonstrar uso efetivo de memória, capacidade de planejamento a longo prazo, e habilidade para adaptar planos com base em novas informações. Computadores são capazes de controle extremamente rápido, mas isso não necessariamente demonstra inteligência, então os agentes precisam interagir com o jogo dentro dos limites da destreza humana em termos de ‘Ações por Minuto’.”

A Blizzard vai ajudar na elaboração de cenários que apresentem tarefas bastante completas para ajudar os pesquisadores a calibrar e avançar no estudo, e esses cenários serão abertos a todos que também quiserem fazer pesquisas relacionadas a inteligências artificiais. Além disso, a empresa também vai poder usar os resultados para tornar StarCraft II um jogo ainda melhor.

[DeepMind, Kotaku]