MAUI* — Depois de dois dias detalhando seus novos processadores para smartphones, incluindo o Snapdragon 865, a Qualcomm usou o último dia do seu Snapdragon Tech Summit para falar de componentes para outros produtos. Uma categoria em que a empresa vai investir é a de headsets de realidade aumentada e realidade virtual. Para isso, ela lançou um novo chip, chamado Snapdragon XR2.

Seguindo a aposta da marca no 5G — que já tinha sido mostrada nos Snapdragon 865, 765 e 765G — o XR2 também tem suporte à quinta geração da internet móvel. Além disso, algumas especificações parecem bastante potentes. Há, por exemplo, suporte a até sete câmeras simultâneas — que pode ser usado para rastrear o ambiente, os olhos de quem está usando ou as mãos para dispensar controles.

Os números dos gráficos também impressionam, com a capacidade para projetar vídeos em 8K a 60 fps ou em 4K a 120 fps. Na parte do desempenho, a Qualcomm diz que o XR2 supera o Snapdragon 835 (lançado em 2016) em até 11 vezes em tarefas de inteligência artificial.

O XR2, como o próprio nome indica, é o segundo chip dedicado a produtos de realidade estendida da marca. O XR1, lançado ano passado, porém, vai continuar sendo produzido. A ideia da marca é que o XR1 fique para dispositivos mais básicos, enquanto o XR2 equipe headsets de topo de linha.

E vai pegar? Já faz um bom tempo que ouvimos falar de realidade aumentada e realidade virtual — é só lembrar que o Google Glass é lá de 2013, há quase sete anos. A aposta da Qualcomm é que sim, tanto para o setor corporativo quanto para o consumidor final.

Plataforma Snapdragon XR2, da Qualcomm

A Qualcomm trouxe para seu palco casos de vários parceiros de diferentes setores, como Deutsche Telekom, Accenture, KLM e Kellogg’s, mostrando possibilidades de usos em muitas indústrias. Os headsets de realidade aumentada e realidade virtual podem servir para checar a qualidade de carros em uma linha de montagem, prestar assistência remota para mecânicos e técnicos de rede e testar posicionamentos de produtos em gôndolas.

Em uma entrevista depois da apresentação, o brasileiro Hugo Swart, vice-presidente e chefe de XR da Qualcomm, comentou essa evolução. “Em 2017, nós fazíamos demonstrações. Em 2018, vimos as primeiras empresas pedirem poucas unidades para seus departamentos de TI fazerem testes. Em 2019, nós começamos a ver aplicações reais, com empresas pedindo 500, 1000 unidades.”

Para o consumidor, também há uma aposta ousada. Em um dos slides, a empresa disse acreditar que, no futuro, o trabalho, o entretenimento e a comunicação estarão todos nos headsets de realidade virtual — de maneira semelhante ao que acontece hoje com o smartphone, que serve para editar documentos e planilhas, ver filmes, ler, ouvir música, fazer chamadas e trocar mensagens.

Swart disse acreditar que “a realidade estendida tem o potencial para substituir todas as telas”, já que, com ela, seria possível projetar telas virtuais em praticamente qualquer lugar. “Talvez isso não aconteça nos próximos cinco ou mesmo em dez anos, mas eu acredito que vai acontecer.”

Enquanto esse futuro feito somente de telas virtuais não chega, um anúncio deve deixar muita gente animada. Phil Keslin, chefe de tecnologia da Niantic — a empresa por trás de Pokémon Go, talvez o mais bem sucedido (e divertido) jogo a usar realidade aumentada até o momento –, esteve presente no evento. Ele anunciou uma parceria da empresa com a Qualcomm para desenvolver um dispositivo de jogos. Por enquanto, porém, nenhum cronograma foi apresentado.

*O Gizmodo Brasil viajou a Maui a convite da Qualcomm.