Dias após a imortalização do comissário de bordo Steven Slater e sua saída espetacular de um avião da JetBlue, devemos prestar atenção para outro tipo de represália durante os voos: o “andando e peidando”, quando aeromoças e comissários andam pelo corredor do avião e soltam um pum silencioso e fatal na cara dos passageiros.

A última edição da New Yorker traz um ensaio de David Sedaris sobre as agonias universais de viagens de avião à trabalho. Em certo momento, o trecho que fala sobre as táticas de vingança dos comissários é um tanto revelador. Seu guia para o “andando e peidando”:

“Você já reparou quão retorcida e cheia de gás uma garrafa de água fica durante um voo?” ela perguntou. “Bem, isso acontece com as pessoas também, dentro de nós. É por isso que nós ficamos cheios de gases."

“Tudo bem”, eu disse.

“Então o que eu e as outras garotas fazemos de vez em quando é peidar enquanto nós estamos andando pelos corredores. Ninguém consegue ouvir por conta do sistema de som, mas mesmo assim, nós chamamos a tática de “andando e peidando”.

Quando eu perguntei para um comissário de bordo, desta vez um homem, como ele lidava com um avião cheio de passageiros agressivos, ele disse, “Ah, nós temos nossas táticas. Na próximas vez que você estiver voando e o avião for pousar, abra bem os ouvidos durante a última passagem dos comissários pelo corredor.”

Seria isso na verdade um exemplo do pensamento fictício livre de Sedaris ou essa arte é um fenômeno real? Logicamente, faz sentido: há sempre uma fila para ir ao banheiro, e eles não iam querer ficar soltando gases naquele pequeno espaço reservado aos comissários, com carrinhos de comida e tudo, para seus colegas de trabalho fazerem piadinhas.

Mas andar soltando gases em um avião voando é como deixar um cavalo andando numa rua cheia de trânsito: quando as pessoas perceberem sua presença, você já era. Como todos os veículos de transporte em massa, os aviões são famosos por terem inúmeros cheiros peculiares. (Essência de band-aid e bolacha velha, nas minhas experiências. Já os ônibus cheiram a diesel e pés.) Reclinadas em suas cadeiras, cabeças pendendo para o lado, os corpos estáticos e paralisados – passageiros de avião são um alvo perfeito para gases. Seus olhos estão fechados, suas bocas estão abertas e babando, movendo-se aos poucos, completamente vulneráveis nas poltronas do corredor. Foi um pum que flutuou por aqui ou foi apenas um sonho?

Em algum buraco da internet, uma nova indústria do fetiche será criada.

[New Yorker, imagem via Shutterstock]