Avisa que é ele! O rapper porto-riquenho Bad Bunny foi o artista mais ouvido do Spotify em 2021.

Taylor Swift, BTS, Drake e Justin Bieber completaram o top 5. O cantor atingiu a marca pelo segundo ano consecutivo. 

Somente neste ano, Bad Bunny foi o cantor mais ouvido no Spotify com 9,1 bilhões de reproduções, repetindo o feito de 2020, quando se tornou o primeiro artista de língua não-inglesa a liderar a parada global. 

Com a estratégia voltada para singles em 2021, um detalhe chama a atenção: o cantor atingiu o feito neste ano sem lançar um álbum. Seu último disco, “El Último Tour Del Mundo”, com 16 faixas, foi lançado em 2020. 

Além disso, o artista possui mais de 43 milhões de ouvintes mensais no Spotify e mais de 40 milhões de seguidores na plataforma. Os principais locais que ouvem o artista são: Cidade do México (México), Santiago (Chile), Buenos Aires (Argentina), Madrid (Espanha) e Lima (Peru).

Acessando o seu perfil no Spotify, o artista lançou sete singles este ano, sendo o último “Lo Siento BB:/” em parceria com Tainy e Julieta Venegas, que estreou em outubro e já acumula os expressivos 144 milhões de escutas.

Quem é Bad Bunny? 

Mas quem é esse porto-riquenho que vem atingindo tamanho sucesso? Benito Antonio Martínez Ocasio é o nome real do rapper de 27 anos.

Ele era um artista que só se arriscava no reggaeton, mas foi diversificando o som nos últimos anos e capturou outros mercados.

Bad Bunny é filho de um caminhoneiro e de uma professora de inglês. Nascido em 10 de março de 1994 em San Juan, capital de Porto Rico, começou a cantar no coral infantil da igreja católica e cresceu mergulhado na música latina. 

Cantor de missa

Durante a infância, frequentava as missas todos os domingos, onde cantou no coral da igreja até os seus 13 anos. Depois disso, passou a se interessar pela música que tocava no rádio — suas principais influências foram Daddy Yankee e Hector Lavoe.

Bad Bunny deu os primeiros passos na música ainda na escola: sua primeira apresentação foi em um show de talentos, cantando “Mala Gente”, de Juanes. Ele também gostava de fazer rap em freestyle com seus amigos.

Enquanto a mãe de Benito sonhava que o filho fosse engenheiro e o pai preferia que se tornasse um jogador de beisebol, o rapaz decidiu estudar comunicação audiovisual na Universidade de Porto Rico. Depois de abandonar o curso, trabalhou em um supermercado, enquanto esboçava suas primeiras canções no computador.

Geração internet

Como muitos de sua geração, ele surgiu na Internet e foi o trap, um subgênero do rap, que abriu as portas para o sucesso. Com 19 anos de idade, o garoto lançou-se na plataforma Soundcloud em 2013, com seus versos em um espanhol típico da região. 

O sucesso na rede chamou a atenção do DJ Luian, que, em 2016, o contratou para sua gravadora independente e apresentou Benito ao produtor Mambo Kingz. Daí para a frente, o sucesso foi inevitável. 

Seu primeiro single, “Soy Peor”, alcançou a posição 22 na parada latina, introduzindo seu nome ao mundo. Logo em seguida, emendou colaborações com Cardi B (I Like It) e Drake (Mia), que emplacaram em primeiro e terceiro lugar na Billboard Hot 100, e consequentemente, um passaporte carimbado para o mercado musical dos Estados Unidos. 

Grammy na prateleira

Já no álbum de estreia, “X 100pre”, ele levou a estatueta de melhor álbum urbano no Grammy, enquanto o mais recente deles, “El Último Tour Del Mundo”, se tornou o primeiro disco 100%  em espanhol a encabeçar a parada de álbuns da Billboard.  

Mesmo com o sucesso em terras americanas, Benito não abandonou o idioma nativo. “Ninguém pede aos gringos que mudem. Isso é quem eu sou. Essa é a minha música. Essa é a minha cultura,” disse o porto-riquenho ao The Daily Show. 

E ao invés de apostar no reggaeton comum com letras sensuais, o artista prefere versos bad vibes sobre relações complicadas e discurso mais politizado ao som de emo rap e trapeton. Esse subgênero vem da união do reggaeton com o trap, o rap arrastado, soturno, com vocais e batidas graves.

Valoriza as raízes

Em recente entrevista à W Magazine, fez questão de ressaltar que valoriza suas origens. Além disso, referência no reggaeton, Bad Bunny não se limita e descreve suas referências: “Meu pai costumava ouvir música tropical, muita salsa. Minha mãe gostava muito de merengue e balada. Na casa do meu avô, eu ouvia música de velho, como bolero, bohemia. Com meus amigos, eu ouvia muito reggaeton. Alguns ouviriam rock. Tenho membros da família músicos, amigos músicos. E então eu cresci em torno de muitas preferências musicais. Obviamente, sempre me identifiquei mais com o reggaeton, porque era a música mais popular do meu país na minha infância e geração. Essa sempre foi a base. Mas não é como se eu apenas estivesse lá. Eu tenho muitos ritmos na minha cabeça“, explicou

Bad Bunny/ Foto: Reprodução

Posicionamentos

Além disso, o cantor também sempre se posiciona a favor dos direitos da comunidade LGBT. Em 2019, ele fez uma visita surpresa ao governador de Porto Rico para falar da onda de violência que matou o rapper gay Kevin Fret. A massa de fãs, chamada de “la nueva religión”, está com ele nessas lutas.

Durante uma turnê pela Espanha, Bad Bunny ficou revoltado quando um salão de beleza não quis passar esmalte em suas unhas. “Em que ano estamos? 1960?”, reclamou no Twitter. Ele gosta de usar unhas coloridas, óculos antes considerados femininos e estampas menos comuns em camisas de ídolos do pop latino.

Mais recentemente, em 2020, protestou contra o assassinato de uma mulher trans porto-riquenha durante uma apresentação no The Tonight Show. Usando saias e uma camiseta com os dizeres: “Eles mataram Alexa, não um homem de saias”, ele criticou o noticiário local pela forma como a vítima foi tratada. 

Créditos: Divulgação

No mesmo ano, lançou o vídeo de “Yo Perreo Sola”, uma canção provocativa contra o estereótipo de machão em que encarna uma drag queen para entoar versos como: “Que nenhum otário se aproxime/ A boate pega fogo quando ela chega/ Ela tem os homens como diversão/ Uma malcriada, tipo a Nairóbi”. Ao final do vídeo, deixa mensagem: “Se ela não quer dançar contigo, respeite/ Ela dança sozinha.”

 

Além de se tornar um ícone da comunidade LGBTQIA+ latina, o artista também distribuiu suprimentos para a população atingida por um furacão em seu país. Ele ainda fundou a Good Bunny Foundation, que distribui brinquedos para crianças pobres.

Cantor x Ator

Além de cantor, Bad Bunny também entrou para o ramo da atuação. Seu primeiro papel pode ser visto na temporada final da série “Narcos: México”, na Netflix. Ele ganhou ainda um papel em “Velozes e Furiosos 9”, filme para o qual compôs a música “De Museo”.

E depois de cinco álbuns lançados, uma coleção de hits e vários prêmios, o artista prepara agora a turnê do álbum “El Último Tour Del Mundo”. Prevista para 2022, os ingressos já estão todos esgotados. Ainda não há previsão de show do Bad Bunny no Brasil.