Ciência

Rápidos e práticos, sensores inaláveis podem ser o futuro do diagnóstico de câncer de pulmão

Cientistas do MIT criaram sensores inaláveis que detectam câncer de pulmão em até 20 minutos e depois são eliminados pela urina
Imagem: Mockup Graphics/ Unsplash/ Reprodução

Quando há suspeita de câncer, o diagnóstico precoce pode significar um aumento na probabilidade de cura. Pensando nisso, cientistas do MIT (Massachusetts Institute of Technology) desenvolveram uma nova maneira de diagnosticar câncer de pulmão: sensores inaláveis.

Eles são tão pequenos que entram pelas vias aéreas e depois são descartados na excreção. Então, um teste de urina é o suficiente para saber se há presença de algum tumor.

Os pesquisadores descreveram o mecanismo e o equipamento em um artigo publicado na revista Science Advances.

Como funcionam os sensores inaláveis

Por enquanto, há duas versões dos sensores inaláveis. Na primeira, eles fazem parte de uma solução que pode virar aerosol quando usada com um nebulizador. Já na segunda, é um pó seco, a ser utilizado com um inalador.

De ambas as formas, os nanossensores atingem os pulmões e são absorvidos pelos tecidos. Como são revestidos com um marcador, ou seja, algo como um código de barras de DNA, conseguem encontrar enzimas chamadas proteases.

Como elas são hiperativas em tumores, tendem a separar o código de barras de DNA dos sensores. Então, eles passam a circular na corrente sanguínea e podem indicar a presença de câncer de pulmão.  

Geralmente, esses marcadores se acumulam na urina. Por isso, foram projetados para serem excretados do corpo. Dessa forma, basta um simples teste com tira de papel no xixi para saber se um paciente tem câncer de pulmão ou não.

Segundo o artigo, os sensores inaláveis podem detectar até quatro códigos de barras de DNA diferentes, cada um dos quais indica a presença de uma protease diferente. Em geral, os resultados levam apenas 20 minutos para ficarem prontos. 

Precisão, facilidade e acesso

Para checar se os resultados obtidos eram mesmo precisos, os pesquisadores testaram os sensores inaláveis em ratos de laboratório com tumores pulmonares semelhantes aos observados em humanos. Assim, descobriram que o novo método podia diagnosticar de maneira eficiente um câncer de pulmão em estágio inicial.

Agora, os cientistas pretendem realizar os mesmos testes de precisão com humanos. De acordo com os pesquisadores, se o método for aprovado, poderá oferecer uma melhora no diagnóstico de câncer de pulmão ao redor do mundo. Especialmente em locais onde o acesso à tomografia computadorizada é limitado.

“Em todo o mundo, o câncer vai se tornar cada vez mais prevalente em países de baixa e média renda. A epidemiologia do câncer de pulmão globalmente é impulsionada pela poluição e pelo tabagismo, então sabemos que esses são cenários onde a acessibilidade a esse tipo de tecnologia pode ter um grande impacto”, disse Sangeeta Bhatia, autora da pesquisa.

Bárbara Giovani

Bárbara Giovani

Jornalista de ciência que também ama música e cinema. Já publicou na Agência Bori e participa do podcast Prato de Ciência.

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