O enorme cruzeiro Costa Concordia, com suas 44.600 toneladas, está apodrecendo em um recife italiano desde janeiro de 2012, após uma colisão que matou 32 dos seus 4.229 passageiros e tripulantes a bordo e deixou o navio encalhado desde então. Na manhã de hoje, 21 meses após o acidente, uma equipe com mais de 500 engenheiros iniciou as operações para endireitar o Costa Concordia na maior operação de salvação marítima de todos os tempos. Eis como eles pretendem fazer isso.

O Costa Concordia passou quase dois anos descansando a cerca de 20 metros de profundidade, em cima de picos de granito subaquáticos a alguns metros da praia, com uma inclinação de 70 graus. Enquanto cerca de metade do navio continua acima da água, toda a parte naufragada está perigosamente próxima à borda do recife onde afundou, que fica acima de um vale de 70 metros de profundidade que poderia submergi-lo completamente.

Hoje, a equipe iniciou a primeira das cinco fases necessárias para endireitar a embarcação para que ela possa ser rebocada e desmantelada. Diversos sacos de cimento e uma plataforma de aço foram instaladas no recife para estabilizar a embarcação, e um boom flutuante foi implantado para capturar combustível e óleos restantes, ou qualquer outro líquido perigoso que pode vazar enquanto o navio é recuperado. Cerca de 350 metros cúbicos de diesel, combustível e outros lubrificantes foram descarregados para evitar uma catástrofe ecológica, caso algo não saia como o planejado.

“O tamanho do navio e sua localização fazem desta a operação mais desafiadora em que já estive envolvido”, explicou um dos líderes da operação, Nick Sloane, ao Daily Mail. De fato, esta é a maior operação de recuperação já feita para um navio de passageiros.

Italy Ship Aground

O levantamento da embarcação envolve um complexo sistema de cabos, polias e macacos hidráulicos. Além disso, 11 enormes caixas de aço foram soladas no lado do porto (como você pode ver acima). Estas caixas vão ser enchidas de água do mar para ajudar a atiçar o navio para ele se equilibrar. A equipe espera que isso ocorra sem a necessidade de partir o navio em dois, o que é uma possibilidade bem real. Os engenheiros estimam que isso vai resultar em uma superestrutura ligeiramente encurvada. No entanto, ninguém sabe quão firmemente o navio está encravado e quanta força vai ser necessária para liberá-lo.

“Assim que você começar a levantá-lo do recife, você já chegou a um ponto que não há mais retorno”, Sloane explicou ao Telegraph na sexta-feira. Se for bem sucedido, o Costa Concordia vai se soltar dos picos de granito – seu arco enfraquecido está apoiado em um par de tanques de aço – e será colocado em um recife artificial construído com seis plataformas de aço e cimento, antes de ser rebocado e desmontado.

Ao todo, o projeto deve usar 30.000 toneladas de aço na construção das plataformas, assim como no resto dos equipamentos usados durante a operação de 12 horas de hoje. Ele vai ser erguido lentamente para minimizar o choque estrutural e, com sorte, endireitará o navio por completo, assim como permitirá a exploração de áreas anteriormente inacessíveis na busca das duas vítimas restantes.

O projeto de recuperação durará 14 meses e já ultrapassou a marca de US$ 800 milhões, com o preço final estimado em cerca de US$ 1.1 bilhão. O projeto está sendo pago pelo seguro da Costa Crociere.

Uma tempestade durante a noite adiou a operação um pouco, mas tudo foi retomado rapidamente. A equipe está executando as etapa das mais delicadas do resgate para erguer lentamente o navio – por volta das 14h do horário de Brasília, o Costa Concordia já havia emergido dois metros. [Daily Mail – Telegraph – Sky News – Chicago Tribune]