Líderes mundiais desperdiçaram um tempo precioso ao não buscar ações climáticas — tanto que nossa única esperança agora é reduzir as emissões de gases de efeito estufa a uma taxa sem precedentes.

Um relatório sombrio publicado pelo UNEP (Programa Ambiental da Nações Unidas) nesta terça-feira (26) alerta que as temperaturas globais estão próximo de subir 3,9 graus Celsius até o final do século.

Como mostrou o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas no ano passado, mesmo alcançando 1,5 graus Celsius poderia causar uma perda de quase todos os recifes de coral e da maior parte do gelo marinho do Ártico. O novo relatório alerta que, com os quase 4 graus Celsius de aquecimento, estamos no caminho certo para sermos “destruídos”.

“Nossa falha coletiva em agir cedo e com firmeza com relação às mudanças climáticas significa que agora devemos oferecer cortes profundos nas emissões — mais de 7% ao ano —se a dividirmos uniformemente na próxima década”, disse Inger Andersen, diretor executivo do PNUMA, em um comunicado.

O relatório anual da diferença de emissões mostra que as emissões globais aumentaram 1,5% anualmente na última década. Segundo um outro relatório da Organização Meteorológica Mundial, da ONU, os níveis de gases causadores do efeito estufa na atmosfera atingiram a maior alta em 2018 e não estão apresentando sinais de redução.

Para manter as temperaturas crescendo abaixo dos 1,5 graus Celsius e aderir ao Acordo de Paris, os países terão de reduzir à metade os níveis de 2018 até 2030. Isso significa cortar os gases de efeito estufa em 7,6% todos os anos na próxima década. O relatório pede que todos os países reduzam drasticamente suas emissões, reforçando que nem todos devem suportar um fardo igual. Membros do G20 — os países mais desenvolvidos do mundo — contribuem com 78% de todas as emissões, então “por razões de justiça e equidade”, eles precisam liderar este movimento.

Como um emissor histórico, os Estados Unidos deveriam suportar uma carta particularmente pesada para reduzir a poluição por carbono. Mas estamos indo na direção errada: as emissões de carbono pelo país cresceram 2,7% no último ano. O relatório afirma que mesmo as promessas do Acordo Climático de Paris não manterão a Terra perto dos 1,5 graus de aquecimento, e Trump está até retirando o país do tratado.

Como a onda de relatórios inovadores e recentes de cientistas internacionais, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas pede mudanças radicais na economia global. Nós temos a tecnologia para implementar essas mudanças. O que nós não temos muito é tempo para adotar medidas mal pensadas.

“É evidente que mudanças incrementais não serão o suficiente e existe uma necessidade para uma ação rápida e transformacional”, escreveram os autores. “Por necessidade, isto provocará mudanças profundas em como energia, comida e outros serviços dependentes de materiais são demandados e fornecidos por governos, negócios e mercados”.

O estudo vem dias após conversas sobre o clima estarem próximas de serem retomadas. Na COP25 em Madri, líderes civis terão como tarefa submeter ações climáticas mais ousadas para cumprir o Acordo de Paris. E este novo relatório mostra que as apostas não poderiam ser maiores.

“Em todo mundo, a resistência a combustíveis fósseis está aumentando, as greves climáticas mostraram ao mundo que estamos preparados para agir. No futuro, as pessoas manterão um ritmo constante de ações, greves e protestos que vão se tornar cada vez mais sonoros ao longo de 2020”, disse May Boeve, diretora da 350.org, em um comunicado. “Os governos que participarem da COP25 em Madri devem saber que os olhos das futuras gerações estão direcionados a eles”.