A promessa da Dell: o Alienware M11x é o “mais poderoso laptop de jogo de 11 polegadas” que existe. E eles estão certos! É difícil imaginar alguém enfiando muito mais potência em uma estrutura tão portátil. Mas, pensando bem, existe um motivo para Muggsey Bogues, do alto dos seus 1,58m, nunca ter ganhado o prêmio de melhor jogador da NBA.

Existe um valor bastante claro em se ter um notebook de jogo que seja verdadeiramente portátil, particularmente para viajantes frequentes ou pro pessoal que faz LAN party direto. E mesmo que você não seja daqueles que curtem jogos pesadões, os gráficos intercambiáveis do M11x permitem um incremental significativo na duração da bateria durante o uso casual. Mas um laptop capaz de acomodar as tarefas do dia-a-dia e Crysis com a mesma facilidade inevitavelmente exige concessões que nem todos estejam dispostos a fazer.



Preço e configuração
O sistema que testamos continha um processador Core 2 Duo SU7300 de 1,3GHz (com possibilidade de overclock até 1,73GHz), 4GB de RAM DDR3 (800MHz) e um disco rígido SATAII de 500GB e 7200 RPM, uma configuração pra lá de capaz que lhe custará 1100 dólares nos EUA (R$ 3.878 no Brasil). Você pode personalizar este exemplo com até 8GB de RAM e um SSD de 256GB, enquanto o computador básico por 800 dólares (R$ 3.299) vem com um processador Pentium SU4100 de 1,3GHz, 2GB de RAM DDR3 e um disco rígido SATAII de 160GB e 5400 RPM. O mais importante: a placa de vídeo Nvidia GeForce GT 335M de 1GB é padrão em todos os modelos.

Design
Vish, é um Alienware! Tudo no M11x – até a embalagem – exala design Alienware. Seja isso algo positivo ou um estorvo à sua tolerância pessoal para tamanha pretensão pseudofuturista.

A despeito do seu tamanho compacto, o M11x possui uma espessura, uns cantos quadrados e um peso que claramente o distinguem dos netbooks que ele imita. Com aproximadamente 2050 gramas, você nunca o confundirá com um sistema ultraportátil. Mas esta robustez nem sempre significa qualidade; o invólucro de plástico não só aparenta como também passa a sensação ao toque de ser meio vagabundo. Claro, eu gostei dos toques distintos oferecidos pela frente afunilada do notebook, além do logotipo bastante proeminente da Alienware adornando o topo.

Este logotipo é repetido quando você abre o M11x na forma de um botão Liga/Desliga iluminado por LED que fica acima do teclado. Falando em LEDs: eles estão por toda parte. Sob o teclado. Atrás das duas grelhas frontais. Debaixo do logotipo da Alienware que ocupa o espaço amplo abaixo do display. O fulgor vermelho constante (a cor pode ser ajustada à sua preferência e você pode programar diferentes temas dependendo da situação, se você estiver operando com bateria ou tomada) é um efeito divertido quando se está jogando, mas parece meio exagerado quando você está apenas enviando e-mail. Logicamente, você pode simplesmente desligá-lo.

O teclado é mais do que adequado, especialmente dado o espaço limitado com o qual o M11x trabalha. As teclas são chatas e agradáveis de digitar, apesar de serem suficientemente perto umas das outras de forma que você deve esperar uma ou outra digitação errante. A única parte verdadeiramente frustrante são aquelas teclas direcionais estreitas no canto direito inferior. É como se os designers tivessem ficado sem espaço e decidiram espremê-las de última hora. Elas não são inutilizáveis, mas são uma tremenda dor de cabeça. O trackpad já é melhorzinho: tem dimensões amplas, a textura é agradável e é bastante responsivo.

O display de 11,6” e 1366×728 (720p) é bastante nítido, mas as cores não saltam tanto assim, especialmente sob luz forte – é bom você não tentar usá-lo em espaços abertos. Outros problemas com a tela é o seu acabamento agressivamente brilhoso. Os reflexos são muito fortes, o que frustrará os jogadores que querem se perder em um cenário escuro e sombrio e acabam vendo os seus próprios reflexos.

Logicamente, quando você está em casa você pode optar por usar um monitor externo. E foi o que eu fiz, ligando o M11x a um display Alienware OptX Aw2210 HD de 21,5”, que me ofereceu uma experiência notavelmente melhor, tanto pelos óbvios benefícios do tamanho quanto pela limpeza da imagem e misericordiosa redução do brilho.

Felizmente – se você decidir usar a via do display extra – existem saídas de vídeo pra dar com pau. O M11x tem de tudo, desde VGA a HDMI a Display Port, além de três portas USB 2.0, dois conectores de saída de áudio, uma entrada pra microfone, um leitor de cartão 3-em-1, Ethernet e FireWire. No entanto, nada de ExpressCard, nem eSATA. Também não possui leitor óptico. Esta é a tendência nos laptops ultraportáteis de hoje, e apesar de eu entender que um usuário comum não tem muita necessidade de um leitor, a sua ausência neste caso impossibilita que você jogue aqueles jogos que exigem o disco original.

Eu fiquei agradavelmente surpreendido com a configuração 5.1 de alto-falantes do M11x, cujos sons eram bons – tom rico, e nem de perto tão metálico quanto os outros sistemas deste tamanho – tanto tocando rádio online quanto pwnando n00bs.

Desempenho
É importante lembrar-se que, graças aos gráficos intercambiáveis, o M11x é na verdade dois laptops diferentes. Quando estiver operando com os gráficos integrados Intel, você obterá desempenho decente (apesar de não muito apropriado para jogos) e um ótimo tempo de duração da bateria. No entanto, ao trocar para os gráficos dedicados Nvidia, você verá uma configuração surpreendentemente animal, apesar de ser uma que torra a bateria com mais do dobro da velocidade.

Uma observação à troca de gráficos: a Nvidia introduziu recentemente a sua tecnologia Optimus, que torna a troca de gráficos integrados a uma GPU dedicada uma experiência totalmente ininterrupta e automática. Não é um processo muito complicado a troca de e para os gráficos Nvidia – basta apertar Fn+F6. Mas ela faz com que a tela fique preta e exige que se saia de alguns aplicativos. Não é nenhum estorvo enorme, mas é frustrante saber que existe uma opção melhor por aí.

Então, como se sai o M11x? Eu fiz dois conjuntos de benchmarks, tanto no modo integrado quanto no dedicado.

Ambos tiveram aproximadamente os mesmos resultados no GeekBench – não é de se surpreender, já que é um benchmark que foca nas capacidades do processador e da memória. No entanto, é notável o tanto de potência que o M11x extrai do seu SU7300 em relação a outros PCs notebooks com o mesmo processador.

Onde a GeForce GT 335M realmente se mostra é, sem nenhuma surpresa, nas capacidades de jogo. Eis como os gráficos dedicados do M11x se comparam à placa integrada no PCMark Vantage:

Enquanto as notas gerais são em sua maioria comparáveis, a avaliação “Gaming” salta de 1780 para 3264 quando a placa Nvidia entra em cena. Ainda mais impressionante é que o PCMark Vantage registrou uma FPS média de 23,368 com gráficos dedicados em relação aos míseros 1,664 FPS com a GT 335M desligada.

Em termos de jogo real, eu consegui entre 130 e 210 FPS jogando Portal, apesar de ficar na maior parte do tempo no extremo inferior desta variação. O Scott´Soapbox fez uns testes reais de jogo bem mais expansivos e revelou que o M11x com overclock era mais do que capaz, especialmente com jogos menos intensivos:

 

* Unreal Tournament roda numa boa com configuração padrão (alta).
* Far Cry 2 pode ser jogado com configurações médias quando em overclock.
* Call of Duty – Modern Warfare 2 pode ser jogado com configurações máximas, incluindo antialiasing 4x, e geralmente enxerga entre 50 e 80 FPS no padrão ou entre 60 e 90 quando em overclock.
* O Call of Duty 4 – Modern Warfare original é antigo o suficiente para não suportar a resolução nativa em widescreen e força você a reduzir para 1024×768. Com configurações máximas e nHancer, antialiasing 4×4 e AF 16x você geralmente consegue entre 70 e 200 FPS sem overclock, mas ação intensa e grandes explosões podem fazer cair até 30 FPS com estas configurações extremas.

 

Todos estes benchmarks são sólidos, mas nenhum vai derreter a sua cara. E com jogos tipo Shattered Horizon, que dependem fortemente da CPU, o Notebook Review descobriu que o M11x com frequência não conseguia passar de 9 FPS. Para pessoas que gostam de jogar de vez em quando com configurações medianas mas não levam isso muito a sério, está pra lá de ótimo. Mas se você é um jogador auto-intitulado hardcore (que quer jogar os últimos lançamentos com configurações no máximo), você pode acabar um tanto desapontado.

Duração da bateria
A Dell afirma 8,5 horas de duração da bateria rodando com gráficos integrados; no meu teste com configurações de mais alto desempenho, brilho médio da tela e uma página atualizando automaticamente a cada 30 segundos usando Firefox para simular navegação ativa da Internet, a bateria de 8 células (64Wh) teve um desempenho admirável:

Tempo total de operação (gráficos integrados): 6 horas e 7 minutos

Eu não consegui testar jogos ativos até o fim, mas a taxa de consumo da bateria é 2-2,5 vezes mais rápida quando você troca para gráficos dedicados e joga, então você pode esperar algo entre 2:30h e 3 horas de uso fora da tomada.

Isto na verdade não é ruim, já que o nosso teste reflete uso real; certamente suficiente para um voo curto. Mas uma última observação importante sobre a bateria: ela fica comportada debaixo do painel traseiro e precisa ser desparafusada para obter acesso a ela. Isto faz com que a troca de bateria no meio da rua seja bem pouco prática.

O poderoso e pequenino notebook de jogo
O M11x é um animalzinho estranho: é pequeno, porém pesado. É potente, porém limitado. Se você for um jogador hardcore, ele pode não ser aquele pancadão todo, e se você estiver apenas procurando por um notebook ultraportátil, o design da Alienware pode afugentá-lo.

Mas, em meio a todas estas contradições, o que a Dell tentou neste aparelho é admirável. Seria ele o computador portátil de jogo de todo dia com o qual você sempre sonhou? Não. E isto talvez ainda esteja muito distante de aparecer. Mas é uma máquina bem feita com as melhores das intenções: permite que você jogue sempre e onde você quiser com conforto e facilidade. E se isto vale quase 4000 reais pra você, então o M11x não é apenas a sua melhor aposta: é a sua única opção.

 

Boa duração da bateria com gráficos integrados
Excelente áudio para a sua categoria
CPU com overclock aumenta muito a potência
Teclado e trackpad são bons, exceto pelas teclas direcionais muito estreitas
Design Alienware é bastante distinto, mas pode ser meio exagerado para alguns
Muito pesado para o seu tamanho
Sem leitor óptico
Tela brilhosa e reflexiva
Desempenho de jogo não te deixa todo arrepiado