Você já deve conhecer os tablets, notebooks, computadores e outros produtos da Asus. A nova investida da fabricante taiwanesa aqui no Brasil é no ramo dos celulares: ela anunciou a chegada de dois modelos ao país. O menor deles, Zenfone 5, já está entre nós. E como ele se sai? Veja neste review.

O que é?

O Asus ZenFone 5 é o primeiro smartphone da empresa taiwanesa a ser lançado no Brasil. Ele é um aparelho com tela LCD IPS+ de 5 polegadas com Gorilla Glass 3 e resolução HD (1280×720 pixels), processador Intel Atom Z2560 com 1,6GHZ de clock, 2GB de RAM e 8GB ou 16GB de armazenamento interno (com suporte a cartão microSD de até 64GB) e câmera de 8 megapixels. São especificações medianas, que o colocam lado a lado com o Moto G e o LG G3 Beat, entre outros intermediários.

Para quem é?

Vendo estas especificações técnicas e o preço sugerido, com versões que vão de 599 a 699 reais, dá para ver que o Zenfone 5 veio para disputar com o Moto G a preferência de quem quer um bom smartphone sem gastar muito.

Design e tela

Asus Zenfone 5 tem bom acabamento

Um primeiro olhar para o Asus Zenfone 5 traz à cabeça uma série de elogios. Vou usar dois aqui: bonito e bem acabado. Ele é bem interessante visualmente, com uma traseira curva em policarbonato e um detalhe metálico na parte frontal que dão um ar bastante imponente ao aparelho. Além disso, o material da traseira é muito resistente a riscos e não fica com marcas de dedo, o que é sempre bom para conservar o gadget com aquela aparência de novo — e não revelar o seu desleixo para com ele.

Olhando um pouco melhor, porém, você consegue perceber alguns detalhes que não foram tão bem pensados ou projetados. As grandes bordas ao redor da tela de 5 polegadas, por exemplo, dão ao telefone um tamanho bem avantajado, principalmente quando posto lado a lado com a concorrência — são 148,2mm de altura e 72,8mm de largura, cerca de 7mm e 2mm maior que o Moto G, para comparar com um smartphone de mesmo tamanho de tela. Além disso, o Zenfone 5 tem botões capacitivos (e sem iluminação!), coisa que quase todos os aparelhos já abandonaram.

A traseira curva dá mais conforto para segurar

O resultado disso é um telefone um pouco mais difícil de se segurar, apesar do conforto proporcionado pela traseira curva. Você precisa fazer um esforço para alcançar o topo da tela e puxar a cortina de notificações ou para chegar até o botão Voltar. Para o que está no meio da tela, no entanto, o Zenfone 5 se adapta bem à mão, apesar de eu ter achado ele um pouco escorregadio.

Com 5 polegadas de tamanho, resolução de 1280 x 720 pixels e tecnologia IPS+, a tela do Asus Zenfone 5 entrega uma densidade de pixels boa: 295ppi. Isso garante que imagens serão exibidas com uma boa definição e que fontes apareçam sem serrilhados. A fidelidade de cores é ótima, mas o brilho me pareceu ser abaixo da média dos smartphones.

O vidro colocado sobre o display tem proteção oleofóbica, e de fato ele fica menos sujo que a maioria dos smartphones. Por outro lado, ele parece refletir mais a luz ambiente, o que, junto com o brilho insuficiente, dificulta a visibilidade. Felizmente, a Asus incluiu o Splendid, aplicativo para ajustes finos da tela, que permite aumentar a saturação das cores, o que garante que você consiga enxergar seu Android mesmo debaixo de um sol de rachar.

Usando

O Zenfone 5 tem processador Intel Atom

Logo nos primeiros momentos de uso do Zenfone 5, você nota a mão da Asus na personalização do sistema operacional. Menus, configurações rápidas, área de notificações, launcher, enfim, quase tudo foi alterado a ponto de destoar bastante do Android puro. E, por incrível que pareça, já que geralmente detestamos skins, o resultado ficou ótimo. Parece que o grande mérito da equipe de software foi justamente esse, aliás: não ficou no meio termo, como fazem outras fabricantes, e conseguiu imprimir uma cara própria na interface, com tons claros e cores fortes. Resta saber o quanto isso vai atrasar as atualizações. Por enquanto, o que se sabe é que a Asus garantiu o Lollipop para os Zenfones 5 e 6.

A área de notificações merece alguns comentários, começando pela maneira que ela desce do “teto” do Android: puxando pelo canto direito, vêm as configurações rápidas; puxando pelo canto esquerdo, vêm as notificações. Isso é um pouco diferente do sistema de puxar com um ou dois dedos do resto dos Androids e demora um pouco até você se acostumar. A parte de configurações rápidas tem uma linha dedicada a ferramentas — coisas como coisas como lanterna, atalho para câmera (bem útil, já que ele não tem um botão dedicado) e limpador de memória RAM (sim, ele tem isso). Por fim, a Asus substituiu o preto padrão por uma combinação de branco com azul claro. Ficou bonito, mas há algumas inconsistências — o aviso de “Arquivada”, do Gmail, continua preto, por exemplo.

O sistema Android foi bastante alterado pela Asus

A personalização também enfiou um monte de aplicativos e funções no Zenfone 5. O mais notável é o What’s Next, uma espécie de Google Now da Asus que coloca num widget e às vezes nas notificações informações sobre seus próximos compromissos da agenda e a previsão do tempo. Também tem o Do It Later, lista de tarefas que aparece como opção para muita coisa: você pode adicionar chamadas não atendidas ou mensagens SMS não lidas a ele, com lembretes para retornar ou responder mais tarde.

Outra adição bem vinda é o modo leitura, que dá um tom amarelado à tela do aparelho, bem mais confortável para encarar aquele textão de Facebook que seu amigo escreveu. O Splendid, já mencionado, também é bom e permite ajustar as cores da tela de acordo com a sua preferência. E também há um monte de apps com o nome terminado em link (PC Link, Party Link, Share Link e Remote Link) para compartilhar arquivos e controlar seu computador usando o celular (ou o contrário).

O smartphone vem com entrada para dois chips e cartão microSD

O desempenho do processador Intel e dos 2GB de RAM é bastante satisfatório. Os apps abrem sem demora excessiva e alternar entre tarefas não é um problema. Mesmo com um chip de arquitetura x86, não tive problemas de compatibilidade com os vários apps que uso normalmente no Android, e jogos como FIFA 15, Jetpack Joyride e Badland rodaram sem problemas.

A bateria, porém, deixa bastante a desejar. Os 2050 mAh da bateria não são suficientes para manter o Zenfone 5 rodando por muito tempo. Meu dia começa por volta das 8 da manhã e, depois de usar para checar emails, listas de tarefas e redes sociais, além de ouvir uma hora de música, ele chegava ao começo da tarde com cerca de 40%. Várias vezes eu precisei conectá-lo à porta USB do meu computador aqui na redação do Giz para não ficar incomunicável na volta para casa. E isso no modo de economia de bateria otimizado, que já vem ativado por padrão — e eu nem quis me arriscar a desativá-lo. Ainda há um modo ultra-econômico, que desativa wi-fi e 3G quando a tela está desligada, para situações de emergência.

Câmera

A câmera do Asus Zenfone 5 tem 8 megapixels

O Zenfone 5 vem com uma câmera com lente de abertura f/2.0, sensor de 8 megapixels e flash LED. A interface do aplicativo, assim como o resto do sistema, foi bastante alterada e ganhou ferramentas de pouca luz, com o ícone de uma simpática corujinha, e disparo turbo. Também há modos como o Embelezamento (uma coisa meio bizarra), cheio de ferramentas para melhorar sua selfie, como afinar bochechas e destacar olhos —você corre o risco de ficar completamente deformado na foto, também— e um criador de GIFs.

O aplicativo da câmera também foi bastante alterado

A qualidade das imagens é boa, com um nível satisfatório de detalhes, mas notei uma tendência a estourar o branco em algum ponto, sempre. Com pouca iluminação, a câmera se vira bem, mesmo sem a função Pouca Luz ativada, e forma uma imagem até aceitável, menos borrada que a maioria dos smartphones.

Vale a pena?

Na loja oficial da Asus, você encontra três versões do Asus Zenfone 5: uma com um processador Intel um pouco mais fraco, de 1,2GHz, e 8GB de memória interna, e outras duas com o Intel Atom deste teste, com memórias internas de 8GB e 16GB. Os preços são R$599, R$649 e R$699.

O preço é bom e o Zenfone 5 entrega uma experiência bem digna para quem não quer quebrar o porquinho e gastar todas as economias num topo de linha. O Asus ZenFone 5 é uma boa opção para o Moto G, que até então reinava sozinho por aqui.

Os dois grandes problemas são a autonomia ruim da bateria e o tamanho grande demais para a tela. Se você consegue lidar com isso –tem sempre uma tomada por perto, anda com um carregador portátil, tem mãos grandes para usar um celular mais, digamos, avantajado–, pode ir em frente. Ele tem desempenho, construção e câmera bastante satisfatórios para a faixa de preço.