É o telefone Android que estávamos esperando. Ou quase.

O HTC Hero é o herói tanto da HTC quanto do Android: é o primeiro hardware genuinamente magnífico que roda Android e a interface com o usuário Sense é o software HTC mais ambicioso e polido que já foi desenvolvido. Ainda não tem operadora nos EUA, mas por ser o principal telefone Android, ele faz com que o recém-lançado myTouch 3G pela T-Mobile pareça um brinquedinho sem graça. É o telefone mais Android mais importante até o momento, já que é o primeiro a verdadeiramente nos permitir ver do que é capaz o Android.

No entanto, o Hero é tão imperfeito em certos aspectos que chega a ser deprimente à luz do seu potencial e do quanto ele consegue acertar em cheio: ele com frequência fica lerdo, o que absolutamente destrói a experiência do usuário. É uma aflição particularmente infeliz, já que o iPhone 3GS e o Palm Pre enfatizam a velocidade, fazendo com que o Hero pareça ser bem mais lento.

Design e estrutura

Ele é ousado. Apesar do design atual de telefones tentar acabar com ângulos e linhas duras para formar bolotinhas suaves e praticamente sem formato, o Hero é surpreendentemente angular, mais ou menos como um comunicador retrofuturista de ficção científica. Você consegue quase enxergar a cara do Kirk ao ligá-lo. O seu queixo se projeta pra fora com mais força que o Dream (a.k.a. G1) e o Magic (a.k.a. Ion, myTouch 3G) somados. O que é bastante apropriado, já que o telefone como um todo parece ser áspero, durável e másculo, como um ator durão de filmes de ação que quebra obstáculos de concreto e bandidos e Hot Pockets com o seu queixo.

Os ângulos não dão muito uma sensação do machismo de Star Trek – eles são justamente o que fazem com que ele seja tão confortável de segurar. Enquanto a silhueta básica do telefone lembra o Dream e o Magic, os cantos esquerdo e direito afunilam a partir do chanfro do display em um ângulo de aproximadamente 45º, dando à sua mão uma superfície oportunamente bem-posicionada para segurar.

Comparado com o Hero, o Dream parece volumoso e desajeitado, enquanto o Magic parece ser feito de um brinquedo vagabundo de plástico (isto se deve parcialmente ao fato de o Hero pesar mais, praticamente tanto quanto o iPhone). A parte de trás dos telefones mais escuros é emborrachada, um tanto mais que o Dream, então esfregá-lo muito faz a sua mão ficar meio estranha, meio suada e meio ressecada ao mesmo tempo (o revestimento mágico de Teflon é reservado para os telefones brancos).

Na parte da frente há seis botões – o mesmo conjunto que o Magic, apesar de “retornar” e “buscar” agora fazerem parte do mesmo botão basculante que fica à direita da trackball mais saliente. Eu preferiria que os botões de retornar e buscar fossem separados, tanto por motivos funcionais (é fácil apertar buscar quando você quer retornar) quanto por estéticos (leia-se: simetria).

Apesar do seu formato mais agressivo, o Hero é nitidamente mais fino que o Dream e apenas muito ligeiramente mais espesso que o iPhone, apesar de ser um pouco mais curto e mais estreito. O Hero passa a sensação de estar mais seguro na sua mão do que os outros dois, apesar de ficar menos confortável no seu bolso, já que o seu queixo gordo faz com que as pessoas pensem que você está todo feliz em vê-las.

HARDWARE

Display
Se você já usou o Dream ou o Magic, a tela de 480×320 vai parecer uma velha amiga. Ela é bem boa. No entanto, perto da do Dream, apesar de o brilho ser o mesmo, ela é obviamente mais quente – mais ou menos na mesma proporção da diferença entre o iPhone original e o iPhone 3G. Na verdade, a temperatura da cor se parece bastante com a do iPhone 3G, talvez um pouco mais morna até, apesar de ser difícil dizer com exatidão já que a tela do iPhone 3G é um pouquinho mais brilhante.

O display é multitoque, assim como os outros telefones Android, mas desta vez ele de fato está habilitado. Logo na primeira vez que você belisca a tela para afastar a imagem do navegador, a sensação é de choque: “Macacos me mordam, multitoque, isso é muito melhor que aqueles botões idiotas de mais e menos” seguido de “é lógico que isso é melhor, onde raios estava isso antes?”. Apesar de a precisão do toque ser muito boa, eu diria que está ligeiramente atrás do iPhone e do Pre e igual ou ligeiramente melhor que o Dream. No entanto, eu suspeito que isto seja parcialmente um problema de software. De todo modo, ele é bom o suficiente para digitar sem problemas.

Câmera e fotos
Existe alguma maneira de desativar o foco automático? Este é o tendão de Aquiles do maior upgrade de especificações do Hero em relação ao Dream e ao Magic: a câmera de 5 megapixels. Ela é enlouquecedoramente lenta, até mesmo com objetivos bem-iluminados. Lento do tipo 4 segundos após eu apertar a trackball é que sai a tomada. Coisa que, diga-se de passagem, quando você está segurando de lado como uma câmera padrão point-and-shoot, é um método de operação pra se tirar foto tão imbecil quanto o botão de toque do iPhone, já que a inclinação natural para usar o dedão é deparada com a assustadora realidade do telefone escorregando da sua mão caso você esteja naturalmente tentando tirar foto com uma mão só, a menos que seus dedos sejam estranhamento tortos. Bastava acrescentar um botão dedicado para câmera na lateral de modo a ser naturalmente fácil de clicar e ativar instantaneamente o aplicativo da câmera, como se eu tivesse tirando a foto com uma câmera de verdade, certo? Muito obrigado.

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De volta às fotos de verdade. Elas são meio díspares, de fato. Enquanto algumas das tomadas sob baixa iluminação ficaram impressionantes pelo tanto que você consegue enxergar, e certamente melhores que as tiradas pelo Dream (à noite na chuva, ou da deliciosa pizza), as fotos tiradas em plena luz do dia variam de bem medíocres a estupidamente ruins. Veja os pretos da placa de rua. Dê uma olhada em algumas amostras dos 5 megapixels do N97 e da câmera do iPhone 3GS para ver o porquê de estas fotos serem tão decepcionantes. Além disso….errr….onde raios está o flash?? Não estou nem pedindo aquelas luzes estroboscópicas iradas de xenônio, mas um LEDzinho já daria pro gasto.


Quanto ao vídeo, a história não é muito mais alegre – a resolução máxima é de 352×288, apesar do default ser 340×280, com a qual gravamos esse vídeo exemplo aqui embaixo. Quando há movimento, você enxerga os pixels passando como se fosse um vórtice temporal.

No geral, a câmera – que deveria ser um dos principais aspectos em relação aos telefones Android – dá de cara com a parede. Mais ou menos como alguém fazer uma lipo e, em vez de sair todo lisinho, acaba ficando com um monte de pelanca pendurada na barriga. Mas o software é bonzinho – você pode configurar coisas como equilíbrio de branco e exposição e você precisa de apenas dois cliques para carregar uma foto para o Twitter, Facebook, Picasa, Flickr, ou enviar via e-mail ou MMS. O aplicativo de álbum de fotos é bom também e apresenta outra participação convidada do multitoque, cujos gestos de zoom muito suspeitamente são iguais aos do iPhone.

Entranhas e miscelâneas
O que move o Hero é um processador de 528MHz virtualmente idêntico ao que há dentro do Dream e do Magic, além de ter os mesmos 288MB de RAM que o Magic. Pra ser sincero, não é o suficiente. Pelo menos não para a interface com o usuário personalizada do HTC, alguns widgets e um aplicativo rodando. Dar um kill em todos os widgets – especialmente no do Twitter – de fato ajuda um pouco. Mas há momentos durante os quais o telefone não faz nada, algo como um a três segundos depois de você ter clicado em algo, tocado na tela ou feito algum gesto, e isso ocorre com frequência. Muita, por sinal, especialmente depois de já estar ligado há mais de uma hora. Animações de transição totalmente suaves e rápidas são tão pouco frequentes que eu fico agradavelmente surpreendido quando uma tela de desktop imediata e graciosamente desliza para a esquerda ou para a direita sem dar uma soluçada. É frustrante.

Mas santa mamãezinha, tem uma entrada de 3,5mm! E não é nem uma piada cruel, do tipo daquelas que você precisa de um dongle especial para fazer o seu headphone plugar – ele simplesmente funciona! Você precisa tirar a capa traseira para acessar a entrada do cartão microSDHC, mas pelo menos você não precisa remover a bateria de 1350mAh para encontrá-la. Não tem nenhuma capa de plástico fútil escondendo a porta de mini USB, retendo assim o típico formato descolado do Hero. Falando em bateria, a HTC diz que ela lhe renderá 420 minutos de tempo de conversa usando 3G, mas nem pudemos testar as suas capacidades (ou deficiências) 3G – este telefone é um produto final para o Reino Unido, mas ele não funciona com as bandas 3G usadas pelas operadoras AT&T ou T-Mobile dos EUA.

Para resumir: ele é fantasticamente desenhado e esculpido, sanando muitos dos pecados passados da HTC, mas ele precisa de mais poder de processamento e uma câmera melhorzinha.

SOFTWARE
Este não é um telefone Google. O Android é o golem escondido operando as coisas por trás dos panos, mas o Hero é o show da HTC. O escopo da interface com o usuário Sense é extraordinário, ela vai bem, bem além de um simples skin e mostra quão radicalmente o Android pode ser transformado.

A interface padrão com o usuário do Android não é feia, mas é loucamente inconsistente – enviar uma mensagem de texto é algo totalmente diferente de enviar um e-mail, que por sua vez é nada como o Google Talk, e as configurações e o Android Marketplace têm um look totalmente diferente. A interface com o usuário do Hero possui um look (em sua maior parte) consistente por todo o telefone. A maior parte da interface tão brilhante parece ter sido moldada com plástico, com bastante preto e de vez em quando um choque de verde neon, diversos gradientes e nenhum canto que não seja arredondado. Universalmente, o texto é branco sobre preto nos menus e preto sobre branco dentro dos aplicativos. Ela parece bem polida, mesmo que filosoficamente um tanto menos sofisticada que a interface com o usuário do webOS.

Contanto que o telefone não esteja sobrecarregado por mais de uns dois widgets, ele surpreendentemente roda ligeiramente (porém perceptivelmente) mais rápido que a interface Android padrão do Dream. A lista dos principais aplicativos aparece mais rapidamente, os aplicativos se abrem um pouco antes, os espaços do desktop deslizam de um para o outro em um estalo. Infelizmente, o limite é bem baixo – se você rodar muitos widgets (como na imagem abaixo) e estiver com um aplicativo rodando no fundo, o desempenho superior se afoga em lamúria. Fora isso, o que a HTC fez neste aparelho beira o incrível, especialmente se você considerar o lixo que eles estavam vomitando há pouco mais de um ano.

Desktop e widgets
A maneira como você destrava o telefone é estranhamente emblemática para a interface com o usuário do Hero, além de como ela às vezes torna um comportamento esperado em uma surpresa desagradável: se você simplesmente olhar para a tela, não é imediatamente óbvia a maneira de destravá-lo. Se ficar fuçando pela tela por alguns segundos com os seus dedos, você provavelmente vai acabar acertando a barra curva que corta a tela na parte de baixo. Ela faz você arrastar a tela para baixo. Mas se você deslizar o seu dedo de cima para baixo na tela, nada acontecerá. Pelo menos não até você chegar à barra, quando então a tela de travamento gradativamente desaparecerá e a tela brilhará mais.

Ou então você pode apertar o botão do menu, coisa que o Android padrão diligentemente o informaria. Opa, escapou!

Assim como o Android, a interface da HTC possui múltiplos espaços de desktop – algo como uns sete. Na parte de baixo há um HUD fixo com acesso de toque único ao aplicativo de telefones e à lista dos principais aplicativos, o que funciona bem pra caramba como uma convenção de interface. E tem os widgets….ah, e que widgets. Além dos padrão Android, a HTC fornece 15 categorias próprias de widgets. Eles são bonitinhos e úteis em sua maior parte. Tem o relógio HTC tão familiar com o clima local, naturalmente.

Mas os widgets interessantes são como o do Twitter, para que você possa ler tweets recentes ou atualizar o seu status sem abrir o aplicativo Peep Twitter (mais sobre isso adiante); visualização de mensagens com um carrossel giratório de recentes mensagens de texto; uma lista dos contatos favoritos; e diversos widgets de configuração que dão a você acesso instantâneo a Wi-fi e outros. Alguns deles são inesperadamente limitados, como um exemplo das más surpresas mencionadas acima: você não consegue enviar uma mensagem de texto a partir do widget de visualização, apesar de conseguir fazê-lo pelo do Twitter.

Além disso, o Hero possui múltiplos temas de desktop, com diferentes panos de fundo, widgets e atalhos, chamados Scenes. Ele vem com nove seis temas, como este cenário de “trabalho” que inclui um par de relógios e um calendário, e mais para o lado widgets de e-mail e ações de bolsas de valores (afinal, todo mundo que trabalha sempre olha as ações, certo?). Você também pode gravar configurações personalizadas. São necessários dois segundos para trocar de um tema para outro, mas a possibilidade de completamente rearranjar todo o seu desktop quase que instantaneamente, independente do que você estiver fazendo, é incrivelmente animal, especialmente se você estiver tentando manter algum tipo de equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. O problema é que, se você carregar um tema com uma pancada de widgets, isso dá um chute no saco do desempenho do telefone, então é mais fácil você deixá-lo mais leve.

Inteligentemente, a HTC deixou a brilhante janela dropdown do Android como era para as notificações em pano de fundo, então ela continua realizando a sua tarefa como sempre fez. Mas com todo o trabalho que a HTC fez, isso de fato nos faz ficar muito mais ansiosos com a busca universal que virá para o Donut.

Contatos e networking social
O Hero dá uma de Palm Pre Synergy com a maneira como ele lida com os seus contatos e o seu networking social. Quando você liga o telefone pela primeira vez, ele pergunta a você qual são os seus logins do seu Facebook, Twitter e Flickr – depois do login do Google, é lógico. Mas em vez de despejar todos os seus 900 amigos do Facebook pra dentro dos seus contatos como o Pre, ele mantém a lista de amigos no pano de fundo para quando você precisa dela. Ou seja, você precisa linkar os perfis do Facebook e Flickr com os seus contatos manualmente. Isso é um pé no saco, com certeza, mas a conexão com o Facebook no aparelho é mais profunda e mais útil do que a que vemos no Palm Pre.

Conforme você desce pela sua lista de contatos – que tem aquela mesma chicotada familiar do iPhone quando você chega ao fim – se você linkou alguém a um perfil de Facebook, sob o seu nome aparecerá a atualização de status mais recente feita no Facebook. Uma página de contato é dividida em seis guias: a guia principal de contatos, com seus números, endereços de e-mail, fotos e aniversário (os últimos dois itens são baixados via Facebook); mensagens de texto, com todas as suas conversas por SMS; histórico de e-mail (somente pelo aplicativo da HTC); os recentes eventos e atualizações do Facebook deles; álbuns, com seus álbuns de fotos do Facebook e Flickr; e, ao final, histórico de chamadas (que exibe o que de fato é importante). Não é exatamente o fluxo único e contínuo de conversas feitas por múltiplas redes que o Pre oferece – está mais para uma coleção organizada que consegue ser de certa maneira tanto mais funcional quanto estranhamente menos “satisfatório” que o Synergy do Pre. O que é absolutamente bizarro é que ele não fica apenas no fracasso à tentativa de integrar qualquer tipo de comunicador de mensagens instantâneas – até mesmo o Google Talk – ou status do Twitter nos perfis: ele é completamente cego a qualquer coisa que esteja rolando com os atuais aplicativos do Google, até mesmo o Gmail. É possível que o software da HTC não tenha permissão de acessar estes dados no telefone, mas é uma brecha atordoante no que parecia ser a melhor tentativa desde o Pre para juntar a vasta quantidade de conexões e dados sociais que você venha a ter em um único lugar.

Também relativamente estranho é que, apesar de você poder acessar a lista dos seus amigos no Facebook, jogá-los para os contatos e atualizar o seu status a partir da sua própria página de contatos, não existe um aplicativo de fato do Facebook para que você faça o verdadeiro Facebooking. Mesma coisa com o Flickr, apesar de ser bastante fácil carregar fotos e ver os álbuns dos seus amigos. Isso fica ainda mais mistificador pelo fato de a HTC incluir o seu próprio aplicativo de Twitter, chamado Peep, que é feito sobre o Twidroid. O aplicativo da HTC é mais pelado, mas também é mais atraente e mais fácil de usar, mesmo ainda não sendo tão legal quanto alguns dos melhores aplicativos para iPhone. O widget do Twitter para o desktop é bacana, mesmo sendo lento, tanto para atualizar quanto para reagir. Mas poxa, pelo menos você não precisa abrir o Peep toda vez que você quer matar 30 segundos dando uma olhada no Twitter.

Navegador
O outro grande upgrade que a HTC fez para o Android é o navegador: eles acrescentaram não apenas suporte a Flash, como também multitoque. Agora que a Palm já mostrou para o que veio, creio que ninguém mais tenha medo da Apple, já que os gestos são idênticos aos do iPhone: beliscar para afastar a imagem, abrir os dedos para aproximar a imagem. A implementação é meio tosquinha – o zoom às vezes ocorre rápido por demais, então você nunca fica nem perto do nível de zoom que você queria, e às vezes ele é lerdo demais. Mas ainda é infinitamente melhor que clicar em botões idiotas de mais e menos. O suporte a Flash foi é mais um erro do que um acerto – não espere que ele toque vídeos do Hulu caso você esteja nos EUA (ele trava), ou mesmo vídeos do YouTube (eles simplesmente não são reproduzidos, não importa quantas vezes você aperta o gigantesco botão de play). Parece que teremos que esperar por aquela implementação mais oficial que virá em alguns meses para vermos uma solução real. Mas….errr….pelo menos é algo, né? De todo modo, o navegador WebKit ainda é um dos melhores navegadores móveis que há.

Teclado e entrada de texto
Apesar de a HTC aumentar as teclas somente um pouquinho, o teclado é nitidamente mais confortável e preciso que o teclado soft padrão do Android no Dream e no Magic. E apesar de estar mais próximo do que nunca, ele ainda não é tão bom quanto o do iPhone (mas ainda é bem bonzinho). Eles conseguiram extrair um espaço extra ao encolher a tecla de número/símbolo, o que foi possível ao fornecerem uma maneira alternativa de digitar números e símbolos. Ao apertar e segurar uma tecla, é como se você estivesse usando o Shift – o pop-up flutuante da tecla será transformado em seu símbolo ou número alternativo. Eu acabei me acostumando e ficando rápido com o método do iPhone de digitar texto, então eu me senti meio lerdo toda vez que eu parava para digitar um número, mas isto de fato parece ser mais lógico para digitadores iniciantes de touchscreen.

A minha maior queixa a respeito da entrada de texto é a barra de completação automática que paira sobre o que você está digitando, constantemente oferecendo sugestões, pronto para entrar em ação ao clicar na barra de espaço. Quanto à previsão e correção de palavras, ele é bem decente – nem tão onisciente nem tão agressivo quanto o iPhone – mas a barra é totalmente detestável. Eu não consigo deixar de pensar “sai da minha frente, p*##@!” quando eu estou digitando, mesmo que ela esteja lá me ajudando a digitar melhor e mais rápido. Não tinha uma maneira de fazer isto de maneira mais sutil?

Para os não-iniciados, copiar e colar funciona assim: coloque o seu dedo sobre o texto até um menu de contexto aparecer. Clique em “selecionar texto” e depois, usando a trackball para realçar seja lá o que você estiver copiando. Aperte a trackball e você copiará o texto. Aperte e mantenha apertada a tecla ou segure a trackball e você poderá colar o texto. Não tão rápida quanto a implementação do iPhone, mas certamente mais elegante que a ginástica com os dedos que se faz no Pre.

Música e vídeo
Ó Deus, como o Android precisa de um aplicativo de sincronização de mídia. Arrastar e soltar simplesmente não rola agora que o Hero possui uma entrada de verdade de 3,5mm para headphone, especialmente dada a maneira estranha de se enfiar e tirar o cartão SD que você pluga o seu computador. Consertem esta bosta, é sério. Fora isso, a interface do player de música é copiada um pouco mais liberalmente da interface do iPhone do que da interface com o usuário padrão do Android. Além deste pequeno deslize, ela é bastante padrão e todos os nossos MP3s e artes de álbuns importadas são reproduzidos elegantemente.

O vídeo é outro problema. A HTC se gaba de ter o Hero suportar nativamente MPEG-4, H.263, H.264 e Windows Media Video 9. Não conseguimos fazer com que nenhum arquivo WMV tocasse e a qualidade de reprodução dos vídeos MPEG-4 e H.264 que jogamos nele eram bem cocô – entrecortados e cheios de artefatos. Sei lá, vai ver fomos nós que fizemos errado, mas isso só corrobora o ideia de precisar de um aplicativo de sincronização de mídia. Além disso, não fica claro de imediato que, para reproduzir vídeos, você precisa entrar no aplicativo de álbuns, onde ele armazena as suas fotos. Um aplicativo dedicado para vídeo seria bem legal (sim, nós sabemos que tem uns disponíveis no Android Market, mas se a HTC pretende abrir as asinhas, é bom que eles abram as asinhas direito).

Mensagens e e-mail
Falando em digitar enquanto você está sentado na privada (ou só digitar), a HTC substitui o cliente padrão de e-mail – não o Gmail, isso ainda está lá e igual a sempre – por um próprio que suporta IMAP4, POP3 e – ah sim! – o Exchange logo de cara. Trata-se de um aplicativo de e-mail bastante decente – suporte total a HTML e coisas do gênero – mas também possui um visualizador de conversas por threads e permite que você separe os anexos. O aplicativo de mensagens também está mais depenado, apesar de as mudanças serem mais sutis – ele usa o esquema universal da HTC com cantos arredondados e texto preto sobre fundo branco, mas a visualização de conversa em thread também usa as fotos dos contatos como ícones, então ele fica mais parecido com uma conversa feita sobre um comunicador de mensagens instantâneas.

Telefone
Honestamente, eu diria que a interface padrão do discador do Android é menos confusa, já que fica imediatamente óbvio como acessar o seu registro de chamadas, os seus favoritos e os contatos, apesar de o Hero também incluir botões de discagens mais bacanas (com o menu do Hero para você mesmo digitar). Quando você começa a discar um número manualmente, ele começa a puxar os contatos que batem com o número, o que é um toque legal. A qualidade da ligação é melhor que a média – não é estonteantemente alta e clara, mas é boa.

 

 

 

 

 

 

 

  

Aplicativos Google e Android Marketplace
Os aplicativos Google, pelo menos até onde pudemos ver, são exatamente os mesmos que nos demais telefones Android: o Maps é o Maps, o Gmail do Gmail, o Google Talk é o mesmo, e por aí vai. Eles ainda são ótimos. O Marketplace ficou muito mais maduro ao longo dos últimos 8 meses – o suficiente para fazermos um apanhado mensal de aplicativos Android que fica cada vez mais apinhado de grandes nomes em software. Em resumo, 9 meses após o seu lançamento, o Android Marketplace está muito próximo de estar pronto para as massas.

Conclusão
O Hero é um telefone realmente bom. Talvez seja um excelente telefone. A HTC fez um belo trabalho em transformar a superfície crua do Android em algo bacana e brilhante e palatável, ao mesmo tempo em que integra os recursos de networking social que vão além de qualquer telefone exceto o Pre. E o Android Marketplace cresceu de modo que, como plataforma, o Android facilmente faz frente aos sistemas operacionais dos demais grandes smartphones.

O maior obstáculo do telefone é que, digamos, ele é lerdo com muita frequência, detonando a outra sólida experiência do usuário em um lamaçal asqueroso que em nada se parece com o que você esperava que seria o Hero. É como descobrir que o Arnold Schwarzenegger é na verdade um francês magrelo de 50kg vestindo um traje inflável. Os problemas de desempenho são persistentes o suficiente para tirar o brilho do que a HTC fez, especialmente considerando que o Android já passa a sensação de ser mais lento que o iPhone 3GS. O que acaba por fazer parecer que, independente da quantidade de lustrador que a HTC tenha esfregado no Android, ele ainda não é exatamente tão polido ou elegante quanto o iPhone ou o Palm Pre. Com duas empresas investindo na interface, é possível que ele nunca chegue a ser.

Dito isto, o Hero ainda é o melhor telefone Android que há. O design do telefone, interface renovada e recursos como perfis totalmente integrados compensam o resto do pacote (assumidamente pequeno) do Android e o tornam uma verdadeira alternativa ao iPhone e ao Pre, mesmo que ele não chegue ao nível deles. Ele estabelece um novo padrão para o conjunto geral do Android ao mostrar o potencial para futuros telefones com hardware bonito e potente e interfaces personalizadas animais, mesmo que ele não tenha todo este brilho por si só.

 

Interface Hero

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