Em vez de um Facebook Phone, ou um novo sistema operacional, a maior rede social do mundo resolveu criar o Facebook Home. Ele é mais do que um novo launcher, no entanto. É uma confissão: o Facebook significa muito para mim, e traz uma visão interessante da minha vida – então eu quero olhar para ele o tempo todo, em todo lugar que eu for.

Se isso soa como alguém que você conhece (ou como você!), é para essa pessoa que o Home foi feito. Senão, o seu smartphone se tornará algo que você odeia.

O Facebook Home não faz muita coisa, porque ele foi pensado para não fazer muito. Quando você liga a tela da maioria dos celulares Android, você aciona o equivalente em informações de alguém gritando direto no seu rosto: dependendo da configuração, você verá um relógio, previsão do tempo, e-mails, notícias, mensagens instantâneas – um ensopado de informações. Mas é isso que alguns querem! O Android permite que você encha suas telas com o máximo de informações possível.

Então o Facebook diz: chega. Parou. É hora de todo mundo relaxar. Deixe seus widgets de lado, e pare de espalhar tanta coisa em suas telas. Você está deixando o seu celular e a sua vida mais complicados do que precisam ser. Não se preocupe em a personalizar a fonte, ou em ter ícones e widgets para ver. Deixe que o Facebook cuida de tudo.

Pelo menos essa é a ideia que o Facebook tenta vender.

Vídeo

Design/Usando

O Facebook Home, na maior parte do tempo, são imagens grandes com um texto grande em cima delas. O Facebook diz pegar todos os destaques mais valiosos (e relevantes!) do seu feed de notícias para embelezá-los no que se chama Feed da Capa (Cover Feed): um resumo gráfico do que seus amigos postam na rede social.

Ligue a tela do celular. Talvez a primeira coisa que você encontre sejam três mulheres – ah, a Luísa mudou a foto de capa com a imagem de uma festa recente. Deslize para a direita. Ei, é o cãozinho Boo com uma mensagem simpática, que agora aparece no meu celular porque eu segui sua página no Facebook. Ele continua sendo uma gracinha. Deslize de novo. Que chato. Deslize mais uma vez. Douglas diz que teve um bom fim de semana. Que bom, Douglas. Stephanie foi para um bar, e eis a foto para provar isso. Swipe, swipe. Um link para um artigo que parece interessante, escrito por um amigo inteligente.

E é aí que o Cover Feed para de funcionar principalmente como um slideshow/protetor de tela. Toque no link e o Chrome se abre, como em qualquer outro smartphone com Android.

Facebook Home review (1)

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Toque duas vezes na foto do seu amigo para curti-la. E continue a deslizar para a direita.

Esta é uma versão “diet” do Facebook: é apenas uma foto e uma série de palavras a cada vez. Mas ele ainda parece penetrante e interessante, com o mesmo espírito que fez surgir a nova Linha do Tempo.

Há mais do que apenas consumir conteúdo, porque só olhar para os posts do Facebook deixaria o Home muito limitado, em vez de algo que você deixaria engolir a tela do seu celular. Você pode enviar mensagens com ele, o que é muito mais importante do que ligar para seus amigos, como nós já aprendemos. Há mais a se fazer no Home, e sua imagem de perfil – sim, o seu rostinho bonito – age como uma espécie de joystick para controlar isso.

Facebook Home review (3)

Deslize sua foto para a esquerda e surge o menu de mensagens. Selecione um contato do Google, Facebook, ou de qualquer outra conta que você importou, e dispare uma mensagem. Facebook, mensagens instantâneas e SMS são tratados como iguais, e é assim que deve ser – quem se preocupa com as distinções entre mensagens de texto? Com planos de internet em conta e SMS barato, eles são quase equivalentes.

Depois que a conversa começa, um ícone de bate-papo (chat head) permanecerá na tela para cada pessoa. É um pequeno retrato do rosto do seu amigo, que ficará por cima de qualquer app no seu celular, um atalho que traz de volta a sua conversa e pode ser posicionado onde você quiser na tela. Parece perturbador, mas não é. Você pode ter toda uma pilha deles de uma vez – é estranho e encantador.

Também há outros toques convenientes na interface. Deslize sua foto para a direita e o último app que você estava usando – como o app completo do Facebook ou o Chrome – volta a abrir. Ou, se você desliza sua foto para cima, surge um menu com seus apps favoritos no Android. Os mais conhecidos, como Instagram e Chrome, estão lá por padrão, mas você pode adicionar qualquer app.

Facebook Home review (4)

Curti

O Facebook Home faz seu smartphone parecer um celular novo, e de graça. Quando foi a última vez que você teve uma nova experiência de graça, depois de perder de virgindade ou acariciar um cão? É rejuvenescedor e bastante experimental, e quase purifica. É bom para esfoliar todos os apps que você acumula em massa porque são gratuitos, mas dos quais você não precisa. O Facebook Home é simples – talvez até demais – e isso é, com certeza, uma virtude.

Se você não for uma espécie de libertário anti-Facebook, você vai gostar da simplicidade bonita do Home. Afinal, o que você mais faz com seu smartphone? Envia mensagens, checa e-mail, navega na web, e vê atualizações de redes sociais. A chance é grande de você estar entre os milhões de humanos que recebem essas atualizações sociais do Facebook; a vida dessas pessoas foi registrada na rede social, e continuará a ser por anos e anos.

Facebook Home review (2)

Parece estranhamente natural deixar o FB assumir o controle de sua tela, e usá-lo como ponto de partida. Isto faz o seu celular parecer mais familiar. E por mais que isto seja o Facebook tirando controle do Google e HTC e outros envolvidos em celulares, isto faz o seu celular parecer mais amigável para você. É bacana que a primeira coisa que você vê ao ligar a tela é o rosto de alguém que você conhece (mesmo que seja alguém que você odeia). O Home humaniza seu celular.

Acima de tudo, o Home fará você perceber como a maior parte do seu smartphone atual é estranha. É carga demais. Você só precisa mesmo é de alguns fundamentos, e ei, o Facebook está aqui para oferecer uma solução que pode elevar o preço das ações deles!

Não curti

Se você não usa o Facebook – ou se você o odeia fortemente – eu não sei por que você leu até aqui, mas é seguro dizer que você não vai gostar do Home. Ele é para os devotos do Facebook.

Mas, mesmo se você for um desses peregrinos Zuckerberg-ianos, você pode se frustrar com engasgos e lags ocasionais na interface, que são imperdoáveis mesmo com o hardware do HTC First. Talvez uma Galaxy Note II tenha um desempenho melhor, ou o Facebook resolva isto nas atualizações mensais futuras do Home. Por enquanto, a cada vez que algo engasga, você vai brevemente odiar o Home.

Você também ficará frustrado com contatos fragmentados. É difícil apreciar a união sagrada de SMS e mensagens instantâneas quando você tem três “Laura D” diferentes em sua lista de contatos, ou cinco versões diferentes de “Pai”. Deveria haver apenas um pai (a menos que você realmente tenha dois pais!), mas o Home ainda não descobriu como unir seus contatos do Facebook e do Google de uma forma que não seja bagunçada. Haverá contatos duplicados. Adam Mosseri, o cara do Facebook que mais ou menos criou o Home, sabe que isto é um problema. Ele diz que o Facebook está tentando melhorar isso, e eu acredito no Adam.

E um último ponto, que chegará em algum momento: o Home, uma hora ou outra, terá anúncios. Anúncios com grande relevância, bonitos, geolocalizados e relevantes aos seus interesses, claro. Mas são anúncios do mesmo jeito.

Devo usar?

Facebook Home review (1)

Se você usa o Facebook, não odeia o Facebook e tem um celular Android compatível – por enquanto, isto significa o Samsung Galaxy S III, Note II, Galaxy S4, HTC One, HTC One X, ou o HTC One X+ – experimente-o. No mínimo, ele vai tirar um pouco da poeira de nossos cérebros, tão acostumados com as mesmas telas cheias de ícones e widgets e avisos.

O Facebook Home chega em 12 de abril aos EUA – há uma versão vazada, no entanto – e o Facebook Brasil diz que ele chega por aqui “nas próximas semanas”.