A sétima geração da família G da Motorola traz mais uma vez um aparelho barato, que promete ter bom custo-benefício. É o Moto G7 Play. Ele não tem mais a grande bateria do seu antecessor — esse recurso ficou para o G7 Power — mas ganhou um processador mais potente para dar mais agilidade.

Aparelhos básicos sempre levantam dúvidas: afinal de contas, o que dá e o que não dá para esperar deles? Eu testei um Moto G7 Play por mais de um mês e conto o que achei do celular.

Foto: Alessandro Feitosa Jr./Gizmodo Brasil

O que é

Na mão, o Moto G7 Play me pareceu bastante leve, bem mais do que smartphones que estou acostumado a testar. Usá-lo é bastante confortável, e as 5,7 polegadas da tela, distribuídas em uma proporção mais alongada (19:9) estão sempre ao alcance dos dedos.

A tela, aliás, é bem bonita. Ela tem a mesma resolução HD do G7 Power, mas, como é menor, a densidade de pixels acaba um pouco mais alta, o que ajuda a formar imagens mais suaves. Não senti falta de um painel Full HD. Ela tem um notch, aquele recortezinho na borda superior para abrigar câmera frontal (com flash), alto-falante e sensores. Continuo sem achar bonito, mas com o tempo, você se acostuma e passa a não se incomodar com ele ali.

Foto: Alessandro Feitosa Jr./Gizmodo Brasil

Usando

O Moto G7 Play tem especificações bem modestas. 2 GB de RAM é algo que já está nos smartphones há bastante tempo, e mesmo modelos mais baratos começam a superar essa marca. O processador, pelo menos, é um pouco mais potente: um chip da linha 6xx da Qualcomm, o Snapdragon 632, octa-core com 1,8 GHz de clock.

Mesmo assim, eu fiquei com medo de o G7 Play ter um desempenho tão ruim quanto o de outro Motorola barato que testei, o E5 Plus, do ano passado, que também tem 2 GB de RAM, mas vem com um processador Snapdragon 425.

Fui surpreendido: o desempenho do G7 Play fica entre o bom e o razoável. Você não encontra lentidão nos aplicativos mais comuns, como redes sociais, e-mail, vídeos no YouTube, streaming de música e alguns jogos bem básicos.

A memória RAM baixa, porém, é um gargalo na hora de alternar entre apps e abrir notificações. Nesses dois casos, o aparelho não trava, mas a demora é um pouco mais longa do que em aparelhos mais caros. Se você estiver vindo de um aparelho com 3 GB ou 4 GB de RAM, sente bem a diferença. Como eu falei, porém, ele é aceitável: nas semanas que passei com ele, não senti saudades de outro aparelho nem quis desistir para trocar.

A bateria do Moto G7 Play tem 3.000 mAh, um número que fica na média do que os smartphones costumam trazer hoje em dia. É suficiente: como a tela HD e o processador Snapdragon 632 são bem econômicos, ela aguenta bem entre sair da tomada de manhã e voltar para a força à noite, sem sustos ou surpresas desagradáveis.

Moto G7 Play
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De acordo com dados do AccuBattery, no período que estive usando o smartphone entre 8% e 9% da bateria a cada hora com a tela ligada. Em modo de espera, esse consumo fica em torno de 2% por hora. No meu uso diário, ele aguentava entre 16 horas e 18 horas longe da tomada. Não é nada impressionante, mas é bem confiável.

O carregador que acompanha o Moto G7 Play tem uma boa velocidade, colocando algo entre 35% e 40% por hora. Em pouco mais de duas horas, você tem bateria suficiente para seu dia.

Foto: Alessandro Feitosa Jr./Gizmodo Brasil

Câmera

A câmera sempre foi um ponto fraco dos aparelhos da Motorola. Na sétima geração da linha G, porém, ela parece ter evoluído. Ainda não está no ponto de tirar fotos maravilhosas, até porque não dá para esperar isso de um aparelho que custa menos de R$ 1 mil.

O conjunto traseiro é composto por apenas uma lente de abertura f/2.0 e um sensor de 13 megapixels. Nada extraordinário, mas eu fiquei satisfeito com a câmera — a qualidade de imagem é entre razoável e boa em fotos em ambientes bem iluminados. O nível de detalhe não é dos melhores, mas o quadro geral é bonito o suficiente para ir para o Instagram ou para o Facebook. Em situações com menos luz, ela não faz milagre e aparece muito ruído.

O aplicativo da câmera ainda conta com modos para destacar uma cor e deixar todo o resto em tons de cinza e para modo retrato, identificando o contorno do rosto e desfocando o fundo com uso de software. Para quem gosta de tirar selfies, a câmera frontal (de 8 megapixels e abertura f/2.2) conta também com um LED de flash.

Conclusão

O Moto G7 Play chegou às lojas custando R$ 999, mas já dá para encontrá-lo na casa dos R$ 700. É um aparelho bem honesto: barato, não faz milagre e cumpre o básico. A câmera serve para registrar cenas com alguma qualidade, a bateria não desaponta, o aparelho é lento mas não trava. Se você quiser uma câmera excelente ou um desempenho de alto nível, é melhor procurar outro aparelho. Como celular para acessar redes sociais, ver vídeos e tirar algumas fotos de vez em quando, ele se sai bem e é uma boa opção de compra.