O mercado de smartphones intermediários já esteve mais interessante, com custos-benefícios certeiros. Comprar um celular com um preço mediano e que dê conta das tarefas mais complexas exige mais pesquisa, e mais paciência por promoções. O Quantum Fly aparece agora como uma opção bacana para quem não quer gastar tanto num celular, mas procura por algo capaz de fazer mais do que o básico.

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Passamos um tempo com o novo smartphone da fabricante paranaense; confira a seguir nossas impressões sobre o aparelho.

O que é?

O Quantum Fly tem um conjunto de especificações que impressiona nos números, como o processador com dez núcleos e os 3 GB de RAM. Mas ao mesmo tempo, custando R$ 1.299 (ou R$ 1.499 se você parcelar no cartão), isso deixa uma pulga atrás da orelha.

Tela: IPS LCD Full HD (1920×1080) de 5,2 polegadas
Processador: deca-core MediaTek Helio X20 (64-bit) de até 2,1 GHz
GPU: Mali-T880MP4 de 780 MHz
RAM: 3 GB
Armazenamento: 32 GB (expansível com cartão microSD de até 128 GB)
Câmeras: 8 megapixels (frontal) e 16 megapixels (traseira)
Bateria: 3000 mAh (não removível)
Sistema operacional: Android 6.0 Marshmallow
Dimensões: 149,2 x 73,5 x 7,5 mm (altura x largura x profundidade)

Design

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O Quantum Fly é bonito, mas não esconde a inspiração no iPhone, e a posição dos alto-falantes é o que mais escancara as semelhanças. É um modelo elegante, feito de alumínio fosco na parte central da traseira, mas com extremidades de plástico. Ele é bem fino e leve, são 7,5 mm e 140 gramas, e oferece uma pegada confortável.

Eu me incomodei com o tamanho dele. Para um celular com tela de 5,2 polegadas, sobra muita borda, principalmente na parte de baixo, que não é ocupada por nenhum botão, nem pelo sensor de impressão digital. Aproveitando o gancho, o sensor fica na parte de trás, numa posição confortável para colocar o dedo indicador e funciona bem; é preciso e rápido quando a tela está ligada – caso você coloque o dedo para desbloquear o aparelho com a tela desligada, é preciso esperar alguns segundos para o celular acender; no Moto G4, por exemplo, isso é quase instantâneo.

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Os botões de controle de volume e liga/desliga estão todos na direita. A bandeja para colocar os chips SIM e o cartão microSD fica na esquerda e, como em diversos outros aparelhos, é preciso escolher entre colocar dois SIM ou um SIM e um microSD.

Usando

Quando liguei o Quantum Fly pela primeira vez, tive receio de encontrar uma porção de aplicativos pré-instalados. Para minha surpresa, o aparelho vem com pouquíssimas modificações – o Android 6.0 Marshmallow é praticamente puro.

São quatro apps da própria fabricante: Backup e Restauração, Gerenciador de Arquivos, DashCam (função de câmera automotiva) e Quantum+ (comunidade online da Quantum). Fora isso, foram alterados ícones de aplicativos padrão do Android, como a câmera, mensagens e telefone.

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O processador MediaTek Helio X20 de dez núcleos e os 3 GB de memória RAM enchem os olhos. Mas aqui vem um parêntese importante: este chip funciona com uma tecnologia chamada tri-cluster — três arranjos de núcleos organizados da seguinte forma: 4 com 1,43 GHz; 4 com 1,9 GHz; e outros dois com 2,1 GHz. A ideia é que os clusters sejam usados conforme o nível de complexidade de tarefas executadas no smartphone. Na prática, você usa um desses conjuntos de cada vez.

O Quantum Fly funciona bem o suficiente para um aparelho dessa categoria. Ele é capaz de lidar bem com a multitarefa – embora às vezes demore um ou dois segundos para carregar apps mais pesados como o Facebook ou o Chrome – e não apresenta aquecimento anormal. Porém, não é o celular ideal para quem gosta de jogar os últimos lançamentos. Com uma GPU é Mali-T880MP4 de 780 MHz, ele é capaz de rodar diversos games, mas se prepare para algumas quedas de framerate.

A tela LCD Full HD de 5,2 polegadas exibe cores vibrantes e a gama de brilho é ótima; mesmo sob o sol forte, consegui usar o aparelho. A única observação é que as cores perdem contraste dependendo do ângulo de visão, e o branco é um pouco amarelado.

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O som dos alto-falantes não agrada, sem definição nenhuma com volumes altos; algo para levar em consideração se você costuma ouvir músicas ou consumir mídia pelos alto-falantes.

O Quantum Fly tem bateria de 3.000 mAh, o suficiente para aguentar um dia de uso intenso. Dá para sair de casa de manhã, ouvir música no Spotify, acessar o Facebook, trocar mensagens no WhatsApp, consultar emails, jogar um pouco e voltar de noite com uns 10% de bateria sobrando. É uma pena que ele não use nenhuma tecnologia de carregamento rápido.

Câmera

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No papel, o Quantum Fly tem um conjunto de câmeras interessante: o sensor principal tira fotos de até 16 megapixels com abertura f/2.0 e foco automático, e grava vídeos em Full-HD. Já a câmera frontal tem um sensor de 8 megapixels com abertura de 80° e flash para selfies.

Mas é só no papel mesmo. Em boas condições de iluminação, dá para fazer uns cliques bons, com um nível de detalhe bacana. Mas se você estiver num ambiente com iluminação artificial, não espere por grandes resultados: cores lavadas e pouca definição.

Além disso, você vai precisar de uma mão firme: para compensar a falta de luz, o software da câmera diminui a velocidade do obturador e o resultado são aqueles tremidos-fantasma nas imagens. Esqueça as fotos em ambientes realmente escuros, como em shows ou festas – o software não te dá uma resposta rápida e o que sai são borrões.

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O software, inclusive, poderia ser melhor trabalhado. Nas opções da câmera, por exemplo, há uma resolução chamada “Quantum”. Não há nenhuma descrição e só depois de pesquisar descobri que, com essa opção ativa, é feito um processamento para deixar a foto com 24 megapixels e mais qualidade. Há ainda opções para ajustar ISO e outros parâmetros, mas todos são pouco intuitivos, mesmo para os usuários mais familiarizados com esses ajustes.

Vale a pena?

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O Quantum Fly tem boa performance, software limpo e preço atraente, figurando entre os melhores celulares intermediários. O leitor biométrico é uma adição interessante, a bateria dura o suficiente, os 32 GB de armazenamento dão conta do recado e ele é bonito (mesmo que a semelhança com o iPhone irrite um pouco). Entretanto, este é um aparelho para quem não se importa com a câmera, que decepcionou muito.

Os usuários que procuram por uma opção mais confiável para as fotos podem dar uma olhada no Moto G4 Plus, que está na mesma faixa de preço e entrega uma experiência geral bem parecida.