Com smartphones cada vez mais caros no Brasil e que já ultrapassam a casa dos R$ 10.000, não tem muito para onde fugir: os intermediários continuam sendo a melhor opção, principalmente para quem procura por aparelhos que priorizam o custo-benefício. Uma das alternativas que integra esse time é o Galaxy M21s, versão ligeiramente aprimorada do modelo lançado pela Samsung em meados de 2020 e que tem tudo para ser o próximo telefone de muita gente.

Por fora, ele tem a cara do irmão mais velho: corpo de plástico e uma tela com tamanho na média para os celulares da categoria. Por dentro, câmeras e hardware que, apesar de não serem os melhores, são muito eficientes. O maior destaque desta nova versão é o foco na bateria, que agora tem incríveis 6.000 mAh – eu mesmo só precisei recarregá-lo duas vezes em quase três semanas de uso. Essa e outras experiências eu conto para você nesta análise.

Samsung Galaxy M21s

O que é
Um excelente smartphone intermediário que foca no custo-benefício

Preço
Sugerido: R$ 1.332. No varejo, por volta de R$ 1.200

Gostei
Bateria que custa a acabar; tela Super AMOLED com ótimo brilho; software consistente

Não gostei
O som não é lá essas coisas; sem promessa de atualização para Android 11 (12 então nem se fala)

Design

Seria bem difícil distinguir o Galaxy M21s do Galaxy M21 no aspecto visual, pois em questão de aparência os dois são praticamente iguais. O corpo do aparelho é feito em plástico e, diferente de linhas um pouco mais robustas, como a família Galaxy A, o M21s não tenta imitar o padrão visto em modelos mais premium. De cara, você percebe que se trata de um dispositivo mediano, quase na mesma faixa de smartphones de entrada.

Por falar nisso, a Samsung não incluiu uma capinha protetora na embalagem do produto, algo que pode soar estanho, visto que as fabricantes costumam colocar o acessório em telefones mais básicos. E você vai mesmo precisar de uma case, já que a traseira é bem sensível a quedas e arranhões. Em todo o caso, a cor que me foi enviada para os testes foi a azul escuro em um tom degradê que para mim ficou bem ok no dispositivo.

Ainda na parte traseira fica um leitor de impressões digitais, e ao lado a disposição da câmera tripla, que não é tão sobressalente quanto em outros modelos da Samsung. Nas laterais estão os botões de liga/desliga, volume e entrada para microSD e até dois cartões SIM. Abaixo ficam os alto-falantes e as saídas P2, para fone de ouvido, e USB-C, para carregar o aparelho. Ele também é muito leve (pesa apenas 191 gramas) e com certeza cabe em qualquer bolso.

Tela e som

Como a Samsung fabrica painéis de smartphones para outras fabricantes, já era de se esperar que a mesma qualidade estivesse presente no Galaxy M21s. Aqui, temos um display Super AMOLED de 6,4 polegadas FHD+ que entrega cores vivas, com bastante contraste e brilho satisfatório. Sim, é fato que existe uma diferença perceptível se compararmos com uma tela OLED, porém acaba que isso fica em segundo plano quando levarmos em consideração que se trata de um dispositivo intermediário. No mais, deve agradar quem não for muito exigente.

O notch vem no formato de gota e está posicionado na parte superior central. Particularmente, eu prefiro entalhes que fiquem na lateral, mas esse também não é um fator tão determinante que tire pontos positivos do produto. Também não gostei do “queixo” proeminente na parte inferior, e na maioria das vezes em que assisti alguns vídeos fiquei com a impressão de que ele “comia” um pedaço considerável da tela.

Já no som… Bem, é o que se espera para um aparelho Galaxy M. Essa linha como um todo, especificamente, nunca apostou em áudio, então isso fica em segundo plano. Não há destaque nos graves e agudos, e o som pode sair estourado caso você leve o volume lá no máximo. Para contornar esse problema, não tem muito para onde fugir: vá de fones de ouvido.

Hardware e bateria

Assim como a tela, o hardware do Galaxy M21s é o que você espera de um smartphone intermediário. Ele possui o chipset Exynos 9611 octa-core de 2,3 GHz com 4 GB de memória RAM e 64 GB de armazenamento, que devem ser mais do que suficientes para quase todo o tipo de atividade. Talvez essa capacidade interna seja pouca para muita gente, mas existe a opção de você ampliar o espaço para até 512 GB via cartão microSD.

Não que eu tenha usado ele incansavelmente para tarefas mais pesadas, mas no uso diário a experiência ficou dentro das minhas expectativas. Em três semanas, não me deparei com nenhum travamento ou queda na performance, seja na abertura de ferramentas ou durante a utilização de aplicativos que exigem mais desempenho, como é o caso do Facebook e Instagram. Em jogos, a mesma coisa: um Asphalt 9, por exemplo, roda dentro do esperado; Fortnite pode apresentar uma queda na taxa de quadros por segundo, mas nada que congele ou interrompa o app do game bruscamente.

O que eu mais gostei no Galaxy M21s foi a bateria de 6.000 mAh, uma das maiores para um dispositivo da Samsung. Durante os meus testes, e com 100% de capacidade, eu deixei ele reproduzindo conteúdo da Netflix no brilho e volume máximos (nos fones de ouvido), das 10h22 às 18h20 do mesmo dia. Dos 100%, a bateria caiu para 42%. Com essa porcentagem, deixei o smartphone aberto no Spotify até às 21h47, e no final do dia ainda me sobraram 33% de bateria.

Há cerca de uma semana antes de finalizar este review, quando a bateria estava em 12%, fiz uma recarga completa e só vim usando o telefone para o básico – responder mensagens de e-mail e no WhatsApp, Instagram, uma vez ou outra abrir o YouTube e usar a câmera. Agora, no momento em que escrevo esta publicação, ela está em 47%. Em 21 dias de uso, eu só precisei recarregar o aparelho duas vezes. É um ótimo resultado, em especial se você não quer se preocupar em ter que carregar o smartphone diariamente.

Na caixa do produto vem um carregador de 15 W que requer poucas horas para completar uma carga completa. No entanto, acredito que a capacidade poderia ser maior, já que o Galaxy M21s tem um grande apelo à bateria.

Software

De fábrica, o dispositivo traz o Android 10 e já ganhou atualização para a One UI 2.5. A Samsung tem feito um excelente trabalho em adaptar a própria interface sem mexer de forma drástica no sistema operacional do Google. Em questão de usabilidade, eu não tive do que me queixar: a plataforma é bastante fluida e personalizável, o que significa que você pode modificar algumas configurações de acordo com suas preferências pessoais. É uma interface que me agrada justamente por ter uma identidade visual familiar para qualquer usuário Android.

Mas há duas coisas que gostaria que fossem melhores. A primeira é a distribuição de updates por parte da Samsung: até a publicação desta análise, não encontrei nada que confirme que o Galaxy M21s receberá futuras atualizações do Android. Analisando o histórico da fabricante, pode ser que o Android 11 chegue em algum momento do meio de 2021 em diante, mas não acredito que haverá compatibilidade futura com o Android 12.

O segundo ponto é a falta do menu Edge (quando se arrasta da direita para à esquerda e aparece uma lista com seus apps favoritos) e da seção de curadoria com notícias recentes (ao arrastar da esquerda para a direita). São funcionalidades ausentes em toda a linha Galaxy M e que, ao meu ver, seriam muito bem vindas nos aparelhos que integram essa categoria de smartphones mais básicos. Isso comprometeria a performance? Talvez. Mas acho que não exigira tanto assim do hardware.

Câmeras

Ao todo, o Galaxy M21s possui três câmeras na parte traseira: principal de 64 MP, ultra-angular de 8 MP e um sensor de profundidade de 5 MP. Como acontece em praticamente todo smartphone de básico a intermediário, a qualidade das fotos vai depender muito se o ambiente estiver bem iluminado. Imagens capturadas durante dias de sol entregam bons resultados, porém a coisa já decai um pouco mesmo se o dia estiver nublado.

Entre o sensor principal e o ultra-angular, a única diferença notável para mim foi mesmo o campo de visão, que é maior no segundo.

Câmera principal
Câmera grande-angular
Câmera principal
Câmera grande-angular

O sensor de profundidade, que é usado para dar um efeito maior de fundo desfocado, também não é dos melhores. O contorno do desfoque não fica muito natural, e também depende de muita luz para dar (quase) certo. Na câmera frontal de 32 MP, a mesmíssima coisa: bota a cara no sol. Eu até acho que as fotos frontais ficaram melhores, mas só em cenários com boa iluminação. Caso o contrário, não espere por tanta nitidez.

Com o foco dinâmico ativado (à esquerda) e desativado (à direita)

O dispositivo traz alguns modos pré-configurados, entre eles opções para fotos panorâmicas, de comida, super slow-motion e um modo noturno que não consegue mascarar o ruído, deixando as imagens granuladas em diversos pontos da captura. Há também um modo chamado “Single Take”, que usa inteligência artificial para registrar várias fotos e vídeos simultaneamente usando uma única captura. Depois, você pode visualizar a mesma imagem no formato de boomerang, hyperlapse ou com filtros de cor, sem ter o trabalho de fazer isso manualmente.

Fotos à noite apresentam bastante ruído
Mesmo dentro de casa e com uma certa iluminação, o modo noturno não é dos melhores

Vale a pena?

Apesar de ter um pormenor e outro nas câmeras e no sistema operacional, o Galaxy M21s se posiciona como um dos smartphones com melhor custo-benefício que você encontra hoje no mercado. A performance é ótima, seja para quem vai no básico ou usa mais intensamente, o design segue a fórmula minimalista de sucesso para esse tipo de celular e a tela AMOLED tem brilho superior a rivais como LG K62, Moto G9 Play e Redmi Note 9.

A bateria de 6.000 mAh também é um excelente diferencial e vai de encontro ao preço do dispositivo: originalmente, ele custava R$ 1.899; hoje, no site da Samsung, sai por R$ 1.332. Mas é só fazer uma rápida pesquisa no varejo para encontrar preços ainda menores, na faixa dos R$ 1.200 – as vendas, inclusive, são feitas exclusivamente online. Para quem não quer gastar muito e não é muito exigente, o Galaxy M21s é a aposta certeira.