Por Bruno Izidro

Geralt de Rívia costuma dizer que é o tipo de cara que resolve problemas: um ninho de afogadores próximo a um vila pesqueira, um vampiro que só ataca pessoas bêbadas ou uma maldição que transformou alguém em lobisomem. Esses são típicos problemas resolvidos por um bruxo e Geralt é o melhor entre eles. Porém, alguns problemas nem mesmo ele pode encarar.



Em minha longa jornada por The Witcher 3: Wild Hunt, o jogo deu crash pelo menos cinco vezes, sofreu com quedas de frames, bugs (como o mendigo voador abaixo), texturas mal carregadas e os loadings enormes, daqueles que dá pra ir ao banheiro e voltar tranquilamente enquanto o jogo carrega.

Praça do Hierarca

Eu estou jogando no PS4, mas até para quem está no PC a situação não é lá muito diferente. Os jogadores “Master Race” reclamam do desempenho aquém do esperado na plataforma que sempre foi a casa da série, mesmo em máquinas que aguentam o jogo no Ultra. E isso para não entrar na discussão do downgrade (quando os gráficos na versão final do jogo são piorados em relação ao que foi inicialmente apresentado) e que já foi até respondida pelos desenvolvedores.

Esses problemas bem que poderiam significar o fracasso para um jogo. Já vimos isso recentemente com Assassin’s Creed Unity. Porém, agora, mesmo passando por essas dificuldades eu não chegaria nem perto de dizer que The Witcher 3 é um jogo ruim. Não, muito pelo contrário: o RPG da CD Projekt é algo que me prendeu tanto em sua experiência, me imergiu de tal forma naquele mundo, que os defeitos são (quase) ignorados.

Crônicas de um bruxeiro explorador

Não há como falar de The Witcher 3 sem mencionar o quanto ele é assustadoramente grande, tanto em horas de jogo quanto no tamanho do mapa. Foi justamente explorando as florestas, pântanos e pequenas vilas de Velen, velejando entre as ilhas de Skellige, conhecendo o submundo e os esgotos da cidade de Novigrad e me deparando com missões aleatórias na estrada que a experiência de The Witcher 3 superou as falhas técnicas.

A rotina durante os últimos dias foi sempre a mesma: olhava pela janela e me assustava com a luz do sol. Eu havia passado mais uma madrugada em claro jogando. Não, jogando não, vivenciando The Witcher 3. Eu ainda não havia me cansado, queria saber o que tinha naqueles outros pontos de interrogação no mapa. Um novo tesouro guardado por criaturas? Uma vila abandonada? Queria saber se conseguia cumprir aquele contrato para matar um Grifo cinco níveis acima do meu ou, se não, voltar para a estalagem para finalmente vencer aquela partida do jogo de cartas Gwent.

A sensação de explorar e achar novos lugares em The Witcher 3 é bem aquilo que os trailers e imagens do jogo mostravam: ele tem muito de Skyrim (quando se chega às Ilhas Skellige as semelhanças aumentam ainda mais), mas eu também – curiosamente – me pegava pensando em Red Dead Redemption. Isso por causa da adição de Roach (ou Carpeado na versão PT-BR), o fiel cavalo de Geralt, que o acompanha por aquele mundo em decadência, triste e que por isso mesmo encanta tanto.

Castelo Drahim

Esse mundo vasto de The Witcher 3 não valeria de nada sem coisas interessantes para se fazer nele. Verdade seja dita, depois de um tempo é fácil se cansar do padrão das missões mais aleatórias do mapa, que sempre variam entre pilar um acampamento de bandidos ou matar uma criatura protegendo um tesouro. Porém, é nas missões paralelas e principais que o jogo te prende.

Os conflitos gerados pela guerra, os personagens que acrescentam e contrapõem o jeitão taciturno de Geralt, as decisões que o jogo oferece e as consequências delas, quase imperceptíveis na hora, mas que só aparecem lá pra frente. Ou então as missões que muitas vezes fogem do padrão e dão um toque de novidade. Seja ir a um baile de máscaras, participar de uma peça de teatro ou ganhar uma competição de cartas e de briga de rua para encontrar um Filho da Puta (literalmente).

De certo modo é por causa de toda essa grandiosidade que o jogo paga o preço de tantos problemas de bugs e desempenho, mas dado a qualidade da experiência que ela proporciona, The Witcher 3 pode até se dar o luxo de ter esses defeitos técnicos.

Já o que não é tão aceitável assim são algumas falhas no jogo em si, sendo que o principal e o mais grave é um combate um tanto quanto impreciso. E isso é algo que, vale dizer, sempre assombrou a série desde o primeiro jogo.

Assim como The Witcher 1, o combate nesse terceiro jogo pode ser a principal barreira de entrada para muitos. Talvez seja o sistema de mira ou a estranha movimentação de Geralt, mas esse pequeno deslize pode comprometer bastante a experiência em um jogo de RPG. Com o passar do tempo, você se acostuma com ela, mas não quer dizer que ela seja boa.

Com The Witcher 3 a CD Projekt apostou em um jogo ambicioso. O resultado gerou, sim, problemas e que devem ser resolvidos com patches ou, no mais tardar, na Enhanced Edition do jogo, como aconteceu com os anteriores. Mas essa terceira e (talvez) última aventura de Geralt de Rívia já proporciona uma experiência infinitamente maior e – principalmente – melhor que os jogos anteriores.

Tal qual um dos demônios no jogo, a Sucubus, The Witcher 3 faz você não ter olhos para mais nada a não ser ele, te faz perder a noção do tempo. Você sabe que isso é perigoso, mas quem disse que você quer que acabe?