Por um mês, a Roland mostrou aos poucos seus misteriosos produtos “Aira” com uma série de vídeos que invocavam as clássicas baterias eletrônicas TR-808 e TR-909 Rhythm Composer, que estão entre os melhores hardwares para criação de som, mesmo 30 anos após o lançamento. Mas a nova série Aira não é nostalgica. Ela pode ditar o futuro da música eletrônica – e, melhor ainda, ela é para todo mundo.

Os equipamentos Aira são para apresentações e para produção

Como você já deve ter percebido, a linha Aira não é formada por um único produto, e sim por uma série de ferramentas digitais usando modelos complexos para conseguir sons clássicos. O lançamento inicial inclui uma bateria eletrônica baseada na 808 e 909 (TR-8 Rhythm Performer), um sintetizador baseado no clássico TB-303 (TB-3 Touch Baseline), um vocoder avançado (VT-3 Voice Transformer), e um sintetizador chaveado avançado (System 1: Plug-Out Synthesizer).

Entrerei nos detalhes de cada produto mais para frente, mas, antes, vamos dar uma olhada no cenário geral. O objetivo da Roland é projetar ferramentas que sejam úteis tanto para produção como para apresentações. Máquinas antigas como o 808, 909 e 303 são usadas em apresentações ao vivo, mas foram criadas para serem usadas em estúdio. A ideia, Casey Bishop, da Roland, me contou, é fazer ferramentas que “você possa usar em estúdio durante o dia, e em uma apresentação à noite”. Como todos os equipamentos modernos de música eletrônica, a linha Aira conta com uma interface para computadores, mas foi criada para não depender de softwares. De acordo com Bishop, o manual da TR-8 tem apenas uma página. Aprender como tocar esses instrumentos é fácil. Usá-los para fazer músicas fantásticas é o grande desafio.

TR-8: três baterias eletrônicas clássicas em uma embalagem moderna

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Vamos começar com o equipamento que mais importa a todos. O TR-08 é uma bateria eletrônica carregada com modelos da TR-808 e TR-909, assim como a TR-808 “long decay”, uma popular modificação para a TR-808.

Para imitar o som dos equipamentos clássicos, da Roland usou um algoritmo de modelagem em nível de componente. Em outras palavras, em ver de usar samples para tentar usar engenharia reversa de um instrumento digital que soa como os originais, a Roland projetou um algoritmo que modela o comportamento dos 808 e 909 originais no capacitor. Desta forma, o som da bateria varia dependendo de como o padrão construído usa energia – contanto que a máquina esteja puxando voltagem através de um circuito analógico.

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No geral, é a mesma coisa: 16 pads embaixo com 16 faders logo acima, formando os controles principais. O sequenciador pode gravar até 32 passos em tempo real, e você pode populá-lo com sons de 16 kits diferentes feitos a partir de 11 instrumentos. Cada um deles tem controles individuais para ajuste e decaimento.

A Roland colocou alguns toques novos, também, incluindo efeitos de delay e reverb que podem ser configurados a passos individuais, assim como instrumentos individuais – então você não precisa adicionar delay viciado apenas para percussão e/ou para batidas específicas no sequenciador. Além de reverb e delay, há também uma entrada externa bloqueada para fazer efeitos a partir de um módulo externo.

Há também uma nova ferramenta chamada Scatter, que será usada em toda a linha Aira. Scatter é uma coleção de 10 efeitos com intensidade variada, feitos para imitar alguns dos efeitos clássicos de pós-produção adicionados pelos produtores musicais. Quando ativado, o efeito de scatter corta, reverte, entre outras coisas. Você reconhecerá os sons dos efeitos imediatamente, e provavelmente é a primeira vez que isso poderá ser feito ao vivo, sem a ajuda de um computador. Para reiterar, a ideia por trás do Aira é fazer as pessoas se afastarem do computador e usarem instrumentos de música eletrônica como instrumentos.

O que mais? O TR-8 obviamente é analógico e MIDI I/O. A saída digital é de 32-bit 96 kHz – o mesmo em todos os instrumentos. Ele estará disponível a partir do mês que vem por US$ 500.

TB-3: um compositor de linha de baixo com touchscreen

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Como o TR-8, o TR-3 foi criado a partir de um produto clássico, o TB-303. Desta vez, no entanto, a Roland optou por substituir as teclas clássicas por um touchpad para tocar o instrumento. O motivo é que o 303 original tinha um som fantástico, mas a combinação de sintetizador chaveado e sequenciador de passos era difícil de se usar. O touchpad capacitivo responsivo permite tocar o instrumento e controlar os padrões com mais facilidade do que antes. E, além disso, ele também permite desenhar curvas de modulação de envelope e decaimento com o dedo.

O TB-3 conta com quatro bancos. O primeiro tem o set clássico do 303, e os outros são para linhas de baixo, ligações e um para coisas malucas. Ele será lançado em março por US$ 300.

VT-3: Muito mais do que um simples vocoder

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É difícil saber exatamente quando foi isso (Daft Punk? Kanye West?) mas o vocoder clássico se tornou um marco na música pop. Sabendo disso, a Roland desenvolveu um novo produto que é apenas para transformação vocal. É ridiculamente simples de ser usado. Plugue no seu microfone, gire a chave para uma das opções (vocoder, 2 auto-tunes diferentes, megafone, e mais), e então mude a intensidade. Há um botão de robô que faz o som se transformar em algo parecido com um robô. E caso você já tenha configurado o vocoder robótico, terá um som robótico duplo. O som produzido por isso é incrível e variado, e custará apenas US$ 200.

System-1: um sintetizador digital expansível

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O novo sintetizador System-1 não é um novo modelo para um sintetizador antigo, e sim resultado de experiências de engenheiros sobre como exatamente um sintetizador deveria ser. Ele ainda usa um modelador nível componente para imitar o comportamento de um circuito analógico.

O System-1 é um sintetizador com dois osciladores capaz de toques monofônicos ou polifônicos de até quatro vozes. Seu layout é bem familiar para quem já usou um sintetizador na vida.

O melhor recurso provavelmente é a opção Plug-Out que permite mudar entre o mod padrão do System-1 ou algum carregado do seu computador. A Roland planeja oferecer modelos de muitos dos seus sintetizadores clássicos, mas ainda não forneceu muitos detalhes sobre isso. Será lançado em abril ou maio por US$ 600.

Conclusão

Após brincar um pouco com os equipamentos Aira e, o mais importante, observar Casey Bishop, da Roland, usá-lo bastante, parece que temos aqui hardwares bastante sólidos e versáteis. Certamente não será algo para nerds que não querem se afastar do computador. Nem vai agradar puristas analógicos que se ofendem com qualquer coisa digital – o mundo dos sintetizadores e das baterias eletrônicas está cheio desses anti-digitais.

O que temos aqui é um hardware feito para ser tocado como e para ter som de um instrumento. É uma combinação bem atrativa de versatilidade e simplicidade de uso. Sem dizer os preços bastante competitivos, especialmente considerando quão caro um 808 custa. Vamos deixar julgamentos finais para quando eles forem lançados, mas a Roland parece estar próxima de algo grande com os equipamentos Aira.


Fotos e vídeo por Michael Hession