A Samsung pode não admitir que seus televisores QLED de 2017 eram terríveis, especialmente depois de avaliarmos um deles ano passado e ficado bem menos impressionados do que esperávamos, especialmente quando se leva em consideração o preço de US$ 3.500 (no Brasil o modelo começou a ser vendido a partir de R$ 10 mil, mas já pode ser encontrado por cerca de R$ 6 mil) que a marca pedia por ele. O televisor não era bom! A companhia parece reconhecer que pisou na bola, porque este ano ela escolheu alguns jornalistas para mostrar seu novo e melhorado televisor. Ela quer deixar claro com essa demonstração que mudou. E parece, de fato, ter mudado.

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E qual era o grande problema da TV do ano passado? Não era referente a qualidade de áudio, que era excepcional, ou ao adaptador de cabos que conectava todos em um só. O problema era que a Samsung mudou a forma como a tela acendia em relação ao modelo de 2016. Ela retirou as luzes posicionadas diretamente atrás da tela e inseriu luzes laterais. Isso significou em menos precisão quando se tinha um grande ponto claro em uma tela escura.

Arcos se formavam nos arredores de pontos brilhantes, e os pontos escuros eram muitos mais claros quando comparados com outros televisores. O pior aspecto da mudança era que as TVs criavam terríveis níveis de preto – ou seja, os pontos mais escuros que uma TV é capaz de fazer. Um bom nível de preto é tão escuro que ao ser medido ele parece não emitir luz alguma. Um nível de preto ruim, como o encontrado nos televisores QLED de 2017 da Samsung, ainda emitia um pouco de brilho.

Enquanto isso, as OLEDs da LG, que eram capazes de produzir os melhores níveis de preto do mercado, custavam muito menos que os televisores Samsung. Em outras palavras, as QLEDs da Samsung não era uma boa compra.

O televisor QLED 2018 da Samsung (Créditos: Adam Clark Estes/Gizmodo)

Este ano a Samsung continuou com telas com luzes emitidas pelas laterais (alguns modelos, no entanto, terão iluminação completa), mas afirma ter gasto bastante tempo e esforço para tornar seus níveis de preto mais escuros, além de solucionar o terrível brilho que os circulava. Este problema, inclusive, é solucionado com o auxílio de um algoritmo. Apenas ele já seria capaz de melhorar os níveis de preto, mas a Samsung também aplicou um revestimento nos televisores para minimizar reflexos, sejam eles de luzes internas ou externas. O que significa que a TV não se parecerá com um espelho, como era o caso dos modelos de 2017, e que a luz não rebaterá internamente arruinando os pretos.

A afirmação da Samsung é ousada, mas em uma demonstração a portas fechadas, que contava com um modelo do ano passado, um deste ano e mais dois modelos de competidores (um dos quais era um televisor OLED), ela pareceu provar suas declarações. O efeito de brilho era virtualmente inexistente e os níveis de preto estavam apenas alguns pontos acima do modelo OLED. Até mesmo as cores estavam mais ricas e vibrantes, graças ao mapeamento de cores de 16-bit e suporte a HDR10+.

Este modelo, que era tão novo que não estava nem mesmo no seu chassis final e foi parcialmente montado a mão, mostrou imagens que talvez sejam dignas do preço que a Samsung pede. Mas é importante lembrar que isso não passou de uma demonstração. A Samsung garante que a qualidade de imagem apenas melhorará desta apresentação para o lançamento do televisor em algum momento deste ano.

Além de tentar corrigir os grandes problemas da TV do ano passado, o televisor de 2018 da Samsung também vai ficar muito mais inteligente. Você pode controlar os dispositivos de smart home ou qualquer coisa conectada a central SmartThings diretamente da TV. Dê play em um filme e as luzes mudarão, ou, caso sua máquina de lavar complete o ciclo, um lembrete aparecerá no canto do televisor. E o controle remoto também recebeu um microfone interno, porque estas TV têm o Bixby, a resposta da Samsung para a Siri e a Assistente Google.

O Bixby tem sido motivo de chacota quando comparado a outras, mais completas, assistentes digitais, mas nossa experiência com a tecnologia não foram completamente terríveis, e pode, inclusive, soar mais natural que seus competidores. Isso pode ser uma boa adição para aqueles que gostam de conversar com o controle remoto para decidir o que querem assistir, e, na pior das hipóteses, deve ser uma melhoria em relação a busca por voz do Roku.

Quão bons serão estes modelos e se eles irão superar a qualidade dos incríveis televisores LG é algo que teremos que esperar para ver. Elas foram anunciadas hoje e chegarão ao mercado no decorrer do ano.

Imagem de topo: Alex Cranz/Gizmodo