A morte é misteriosa, insondável, terrível. Nós tentamos combatê-la com vitaminas, exames de rotina, exercícios físicos, tudo para diminuir sensação da mortalidade. Para algumas pessoas, isto não é suficiente. Não há aceitação da mortalidade entre aqueles que acreditam na criônica — uma das divisões da criogenia –, o processo de preservar corpos humanos a baixas temperaturas com a esperança de, um dia, revivê-los.

Rose Eveleth, da The Atlantic, foi conferir o atual estado da cirurgia criônica, conversando com os diretores da Alcor Life Extension Foundation. Você pode pagá-los com a quantia de 200 mil dólares para preencher seu corpo recém-falecido com fluido anticongelante, com o objetivo de, algum dia, removê-lo, colocar o sangue de novo e ser trazido de volta a vida para seguir felizmente seu caminho rumo ao futuro. Ou você pode pagar 80 mil só pelo cérebro. Até agora, 984 pessoas fecharam negócio com a Alcor. Quando seu corpo estiver congelado, você será mantido num refrigerador com outros quatro pacientes.

“Nós encaramos isto como uma extensão da medicina de emergência”, diz Max More, presidente e CEO da Alcor.

“Nós apenas estamos tomando uma decisão quando a medicina de hoje desiste de um paciente. Pense desta maneira: há 50 anos, se você estivesse andando por uma rua e alguém tombasse na sua frente e parasse de respirar, você verificaria os sinais vitais, diria que ela está morta e a eliminaria. Hoje nós não fazemos isso, mas sim tentamos a reanimação cardiopulmonar e coisas do tipo. Sabemos agora que pessoas que pensamos que estavam mortas há 50 anos na verdade não estavam. A crônica é a mesma coisa, nós só temos que impedi-las de piorar e deixar que uma tecnologia mais avançada no futuro conserte este problema.”

200 mil dólares é muito dinheiro, mas definitivamente é uma quantia razoável se ele for a diferença entre morrer e voltar à vida.

Só tem um problema, e ele é muito grande: a criônica nunca reviveu alguém com sucesso depois da preservação. É um campo novo, ainda não testado. Há uma chance realmente alta de que seu seguro de ressuscitação caríssimo não dê em nada.

Também há uma chance de que, na época que a medicina conseguir trazer de volta uma pessoa preservada com anticongelante à vida, o mundo esteja tão pouco familiar que os pacientes criônicos serão como Brendan Frasier em O Homem da Califórnia. E ei, que vida é essa? [The Atlantic]

Imagem via Alcor Life Extension Foundation