Sean Parker é cofundador do Napster e, sem dúvida, um dos pioneiros da pirataria na internet. Desde então, ele foi presidente do Facebook, se tornou investidor do Spotify, e – agora um bilionário – ele quer cobrar US$ 50 por filme em um novo serviço de streaming.

Segundo a Variety, Parker é um dos fundadores por trás da Screening Room, uma nova startup que quer levar lançamentos do cinema para a casa das pessoas. O custo seria de US$ 150 pela set-top box segura que dificulta a pirataria, e US$ 50 por filme, que seria alugado por 48 horas.

Isso é mais caro do que ingressos de cinema dos EUA, que custam US$ 8,61 em média. Isso também é infinitamente mais caro do que baixar o filme ilegalmente – uma atividade com a qual o sr. Parker deve estar familiarizado.

Essa iniciativa poderia reduzir a pirataria de forma semelhante à Netflix? Difícil. US$ 50 por filme (contra US$ 10 mensais para todo o catálogo da Netflix) é dinheiro demais, e dar acesso a novos filmes fora de cinemas – não importa o quão criptografados estejam – pode aumentar ainda mais a pirataria.

É provavelmente por isso que o executivo de um estúdio disse ao Deadline que o plano seria “tão prejudicial que não consigo lhe dizer agora como estou insatisfeito”, e caso desse certo, “metade das salas de cinema nos EUA iriam fechar”.

Nos EUA, salas de cinema boicotam filmes quando o estúdio promete lançá-los rápido para download. Em 2011, a Universal cogitou oferecer o filme Roubo nas Alturas por US$ 60 três semanas após a estreia nos cinemas, mas teve que cancelar os planos porque nenhum cinema queria exibi-lo.

E, no ano passado, a Paramount ofereceu o filme Atividade Paranormal: Dimensão Fantasma para download pouco após o lançamento nos cinemas, que receberiam parte do dinheiro arrecadado em VoD (vídeo sob demanda). No entanto, o estúdio só conseguiu fechar esse acordo com algumas redes de cinema – as outras se recusaram a exibi-lo – e o filme teve o pior desempenho da franquia.

[Variety e Deadline]

Foto por Jordan Strauss/AP