Existem muitas razões pelas quais ainda temos limitações de tamanho na tecnologia. Mas quando se trata de armazenamento de dados, uma delas realmente se destaca: só é possível espremer partículas até certo ponto, senão elas trombam umas nas outras e corrompem os dados. Isso tudo está prestes a mudar.

Cientistas enfim criaram uma partícula, presente há tempos em teorias, chamada skyrmion (descrita inicialmente pelo físico Tony Skyrme). A melhor maneira de imaginá-lo é pensar em um campo magnético que parece um redemoinho de átomos.



Em uma partícula normal, as cargas elétricas de todos os átomos se alinham na mesma direção, mas em um skyrmion, eles ficam dispostas em pequenas formas de redemoinho, porém são bastante estáveis. Você pode movê-los e sacudi-los, e eles não perdem o formato de vórtice.

É aí que eles vêm a calhar para o armazenamento de dados. A informação é gravada em um disco rígido ao girar os polos norte magnéticos de clusters (aglomerados) de átomos. Se estiver para cima, corresponde a 1; se estiver para baixo, denota 0. Cada cluster armazena um bit.

Mas se você deixar essas partículas muito juntas, os campos magnéticos começam a interferir uns com os outros e embaralhar os dados. Isso não acontece com skyrmions. Devido à forma de vórtice, você pode espremer as partículas, colocando-as bem próximas entre si, e o estado magnético de cada bit permanecerá estável.

A notícia realmente emocionante é que, com isso, cientistas acreditam que será possível criar dispositivos – como discos rígidos – até 20 vezes menores usando esta técnica. A má notícia é que nós estamos longe de fazer tais dispositivos. A ideia de skyrmions existe desde 1960, mas só neste último estudo os cientistas provaram que conseguiram usá-los para gravar dados. Mesmo assim, eles só conseguiram cerca de 60% das vezes.

Mas sabe de uma coisa? Antes a gente precisava ouvir música em LPs ou CDs que sempre faziam a música saltar. Demorou mas, em alguns anos, isso acabou. Nós ficamos impacientes, querendo revoluções tecnológicas agora mesmo, mas em certos casos vale esperar algum tempo extra. [Science via Nature]