Os mais novinhos talvez não saibam, mas muito antes dos serviços de streaming, a moda era ouvir música em aparelhos portáteis. Não eram celulares: existiam dispositivos específicos para tocar suas bandas favoritas. Uma das opções era o clássico CD player, que você literalmente colocava o CD dentro do recipiente e saía por aí ouvindo um único álbum.

Pode ser que nunca vejamos de novo um trambolho igual aquele nos dias atuais — e ainda existem alguns tocadores de música que só fazem isso –, mas há quem tente uma releitura de design desses antigos aparelhos. E uma dessas novidades é o Sleevenote, um player portátil que simula uma embalagem de um disco físico, exibindo a capa dos álbuns ouvidos no gadget. Na verdade, ele é ligeiramente maior que a caixinha de um CD tradicional.

O projeto é do músico e designer Tom Vek, que lançou recentemente um novo álbum chamado New Symbols — o primeiro nos últimos seis anos. Junto dele, Vek apresentou o Sleevenote, que agora busca o dinheiro necessário para chegar ao mercado através de uma plataforma de financiamento coletivo.

Para o músico, a ideia é resgatar a sensação de quando você compra um CD ou vinil físico e toca as músicas pela primeira vez. Em entrevista à Design Week, Vek diz que o iPod da Apple ajudou a moldar o caminho para a música digital que conhecemos hoje, mas o produto não tinha dimensões suficientes para mostrar discos da melhor maneira. Por isso, o apelo do dispositivo é mesmo na exibição das capas, já que, segundo Vek, à medida que os serviços de streaming se popularizaram, muitas pessoas perderam o hábito de prestar atenção nas artes de capa dos discos.

O Sleevenote é equipado com uma tela sensível ao toque que permite visualizar a capa do álbum que está sendo ouvido. No topo, há botões físicos para controlar a reprodução das faixas, e o dispositivo é compatível com Wi-Fi e Bluetooth. Você pode utilizar fones de ouvido sem fio, mas o aparelho conta com uma entrada P2 para fone tradicional. E ele ainda fica em pé nas superfícies, como uma mesa, por exemplo.

O produto também foi pensado para ser uma opção sustentável. De acordo com Vek, ele tem um design modular e espaçado, sem o uso de colas para prender os componentes. Todo o corpo do acessório é preso usando parafusos e, caso alguma coisa quebre, as pessoas poderão trocar as peças mais facilmente.

Além disso, o aparelho é sincronizado com um aplicativo de mesmo nome que já está disponível gratuitamente para usuários de iOS. Na ferramenta, é possível usar movimentos de pinça, para ar zoom nas capas, ou arrastar à direita para interagir com as faixas. Não é possível criar playlists — porque, de novo, a ideia principal é destacar cada álbum de forma individual. Até o momento, existem cerca de mil discos interativos no catálogo do app, que já possui parceria com o Apple Music. Vek diz que está em conversas com o Spotify, e que também tem interesse no Tidal.

O valor para fazer o projeto acontecer é de cerca de 500 mil libras. Caso haja mil compradores, isso significa que cada dispositivo custará 500 libras. Se o dinheiro estipulado for arrecadado, o Sleevenote tem previsão de lançamento para outubro de 2021.

Se haverá consumidores suficientes para comprar a ideia de Tom Vek, isso vamos ver com o tempo. Mas hoje existe um público fiel que não larga a mídia física de jeito nenhum. Um relatório recente da Associação Americana da Indústria de Gravação (RIAA) constatou que a venda de vinis nos Estados Unidos superou a de CDs pela primeira vez nos últimos 34 anos. Só na primeira metade de 2020, foram gastos US$ 232,1 milhões em vinis.

[Indiegogo, Engadget, NME, Design Week]