Depois de recusar uma oferta de US$ 3 bilhões do Facebook e ser avaliado em US$ 10 bilhões, o Snapchat deu um passo para justificar seu enorme valor e, enfim, gerar algum lucro: o app apresentou hoje o Discover, um espaço para mostrar conteúdo de grandes empresas de mídia, como ESPN, CNN, Warner e National Geographic. A novidade já está disponível no app para iOS.

O Discover fica à direita da sua lista de contatos no app (se você nunca usou o Snapchat, o app abre direto na câmera; na esquerda ficam as suas mensagens e na direita, seus contatos) e mostra um grid com os 11 canais atualmente disponíveis, além do Snapchannel, com conteúdo produzido pela equipe própria rede social. Ao tocar em um deles, a interface desaparece, dando espaço para as Stories, que são vídeos ou imagens em tela cheia, com texto extra opcional e ordem definida pelos editores. As edições são diárias: a cada 24 horas, todo o conteúdo é trocado.

Cada canal tem liberdade para colocar o que quiser: segundo o The Verge, a CNN está usando o recurso como uma revista digital comum; a ESPN misturou destaques do Sportscenter com tabelas de classificação de campeonatos; já o Comedy Central colocou teasers de seus programas. Depois de algumas páginas, aparecem anúncios em vídeo, cuja receita é dividida entre o canal e o Snapchat.

O Snapchat fez questão de deixar bem claro no anúncio oficial que o Discover “não é mídia social”:

Empresas de rede social nos dizem o que ler baseado no que é mais recente ou mais popular. Nós vemos isto de maneira diferente. Nós contamos com editores e artistas, não cliques e compartilhamentos, para determinar o que é importante.

Pode parecer estranho apostar tanto assim em notícias e conteúdo sem participação ativada dos usuários. Mas a verdade é que o Snapchat parece estar mudando: as Stories (fotos ou vídeos que qualquer usuário posta para todos os amigos e que ficam disponíveis por 24 horas) já são mais populares que os snaps (mensagens privadas que desaparecem depois de lidas ou visualizadas). Pode ser que o conteúdo (e os anúncios) seja o que falta para a terceira rede social mais popular entre usuários de 18 a 34 anos de US$ 10 bilhões finalmente gerar dinheiro. [Snapchat via The Verge]