Transportar pessoas e suprimentos pela neve na Antártica é difícil e caro com custos de logística atingindo 90% do orçamento da expedição – cerca de US$ 125.000 por viagem em média. E isso considerando que o comboio não seja engolido por uma fenda de gelo no caminho. Mas uma nova sonda equipada com radar por ajudar a National Science Foundation a salvar vidas e milhões de dólares por ano.

A Antártica é um lugar cheio de estações de pesquisa científica estudando tudo desde o mais novo ambiente marinho descoberto até os confins do universo. Mas realizar essas tarefas exige grande quantidade de combustível, o que não é uma commodity fácil de se obter considerando a distância de milhares de quilômetros dos observatórios dos Estados Unidos para a costa do continente, além das traiçoeiras placas de gelo que se movem e dificultam o transporte. A NSF pode e contratou C-130s para simplesmente transportar pelo ar o combustível mas cada voo custa incríveis US$ 8.000.

Eles também começaram recentemente a arrastar suprimentos para postos distantes a bordo de tratores, mas para isso precisam encarar o constante perigo de cair em uma fenda escondida (leia: uma abertura na camada de gelo de 9 metros de largura, 60 metros de profundidade coberta por uma “ponte” frágil de neve). “Para conseguir caminhar pela calota de gelo, você precisa explorar uma rota livre de fissuras”, explica um dos líderes do projeto, Jim Lever, ao The Dartmouth. Para isso, tratores caminham com rares de penetração de solo suspensos à frente deles que verificam distâncias de até 9 quilômetros, mas este método dá apenas 2,5 segundos para reação antes de cair.

Mas agora as equipes dos tratores estão sendo lideradas pelo Yeti, uma sonda de quatro rodas equipadas com radares de penetração do solo desenvolvida por estudantes da Thayer School of Engineering de Dartmouth coordenada com engenheiros do Exército dos Estados Unidos e de laboratórios de engenharia de Hanover, na Alemanha. “O Yeti faz exatamente a mesma coisa [que o método anterior], mas você pode programar uma rota e deixá-lo dirigir como o veículo principal, e ele vai usar o radar para detectar onde estão as fissuras”, explicou Lever.

O radar “gera uma onde contínua das camadas que detecta abaixo da superfície”, continua Lever. Áreas de gelo sólido criam um padrão horizontal constante enquanto fissuras aparecem como “um padrão com interferência que tem aparência bastante característica.” Além disso, a sonda é leve o suficiente – cerca de 70kg – para evitar quebrar a ponte de neve e cair em uma cova congelada e também é barata o suficiente – US$ 25.000 – para ser facilmente substituída caso caia.

“Não é provável que caia, e ainda tem a ausência de perigo para o robô tirando o fato de você perder o robô”, disse Laura Ray, engenheira de Dartmouth e uma das líderes do projeto Yeti. De fato, a NSF estima que viagens guiadas pelo Yeti para a estação McMurdo vão ajudar a economizar anualmente US$ 2 milhões.

Pesquisadores já pensam em desenvolver mais Yetis para guiar suprimentos adicionais pela Groenlândia e pelo Ártico, assim como transferir a tecnologia do Yeti – atualmente limitada pela bateria de três horas de duração da sonda – para o Cool Robot movido a energia solar da Dartmouth. [Discovery – Live Science – The Dartmouth – Dartmouth.edu – Imagem: Dartmouth]