No início da manhã de sexta-feira (20), a Boeing lançou seu CST-100 Starliner não-tripulado de Cabo Canaveral, na Flórida, mas a sonda sofreu uma inserção orbital “fora do comum” que a impedirá de se reunir com a Estação Espacial Internacional (ISS). É um contratempo decepcionante para as aspirações da Boeing de enviar astronautas à ISS em nome da NASA.

Tudo parecia bem a princípio, quando o CST-100 Starliner não-tripulado partiu de Cabo Canaveral esta manhã no topo de um foguete Atlas V, decolando às 6:36 da manhã ET. Cerca de 30 minutos após o lançamento, no entanto, ficou claro que a espaçonave não alcançou sua órbita pretendida e não poderá se encontrar com a Estação Espacial Internacional conforme planejado devido à falta de combustível, de acordo com o chefe da NASA Jim Bridenstine.


Tradução: Como o #Starliner acreditava estar em uma queima de inserção orbital (ou que a queima estava completa), as zonas mortas foram reduzidas e a sonda consumiu mais combustível do que o esperado para manter um controle preciso. Isso impediu o encontro com a @Space_Station.

Os oficiais da NASA e da Boeing compartilharam mais detalhes sobre a anomalia em uma conferência de imprensa ainda pela manhã, que foi aberta com Jim Bridenstine dizendo: “É por isso que testamos”.

Como ele e seus colegas explicaram, ainda é muito cedo para ter certeza, mas o problema parece estar relacionado a uma falha de automação de software. Durante a separação do foguete Atlas V, por razões que ainda não estão claras, a Starliner mudou para o relógio errado. Por não ter o horário correto, a Starliner erroneamente acreditou que precisava realizar uma queima de inserção orbital. Consequentemente, a sonda “tentou manter um controle que normalmente não faria” e, como resultado, consumiu combustível em excesso, disse Bridenstine. Isso forçou a equipe de vôo a descartar a atracação planejada com a ISS.

O chefe da NASA observou que, se uma tripulação estivesse a bordo, eles estariam seguros e capazes de operar o veículo. Talvez, ironicamente, foi a falta de controle humano que resultou no erro, mostrando as limitações dos testes não-tripulados.

“Se estivéssemos a bordo, poderíamos ter dado à equipe de vôo mais opções”, disse o astronauta da NASA Mike Fincke na conferência de imprensa. Sua colega, a astronauta da NASA Nicole Mann, concordou, dizendo que os astronautas poderiam ter assumido o controle manual dos propulsores ou ter realizado uma de-órbita, entre muitas outras tarefas. “Esse é o nosso trabalho – é para isso que somos treinados”, disse ela, acrescentando: “Não temos preocupações com a segurança”.

Quando o Starliner saiu da rota, a equipe de vôo tentou enviar comandos de backup para a espaçonave usando o Sistema de Satélite por Rastreamento e Retransmissão de Dados (TDRSS). Mas “estávamos entre os satélites TDRSS”, disse Bridenstine, o que tornava a conexão impossível. Na conferência de imprensa, Jim Chilton, vice-presidente sênior da divisão de Espaço e Lançamento da Boeing Defense, Space & Security (BDS), disse: “Estávamos em um local onde era difícil obter essa conexão”.

Bridenstine disse que era muito cedo para saber se esse contratempo atrasaria uma futura missão tripulada da Starliner na ISS, mas deixou claro que o atracamento bem-sucedido de uma espaçonave não-tripulada não é um requisito para avançar. As missões do Space Shuttle, disse ele, envolveram equipes que tiveram que atracar com várias naves espaciais pela primeira vez. Esta é uma forte indicação de que a missão avançará sem muito atraso e que uma missão tripulada a bordo do Starliner ainda está nos planos.

De fato, parece que tudo correu bem com essa missão, desde o desempenho do foguete Atlas V até o desempenho da própria Starliner, apesar do problema de software. A cabine da tripulação, embora vazia, está operando conforme o planejado, de acordo com as autoridades da NASA e da Boeing.

Dito isto, esta missão de teste ainda não acabou. Ainda hoje, a sonda fará uma série de queimas para aumentar sua órbita, e espera-se uma reentrada atmosférica em cerca de 48 horas, aterrissando no Porto Espacial White Sands, no Novo México.