Um pequeno passo para uma startup, mas um grande salto para finalmente os ricaços irem para o espaço: a NASA anunciou nesta semana que escolheu a empresa Axiom Space para construir o primeiro módulo comercial para a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês).

Em post no blog da NASA, a agência disse que o projeto de anexar um hotel espacial à ISS foi um passo importante para “promover o crescimento de uma economia robusta na órbita terrestre baixa”, com o administrador da NASA Jim Bridenstine dizendo que “o trabalho da Axiom para desenvolver um destino comercial no espaço é um passo crítico para que a NASA atenda suas necessidades de longo prazo de treinamento de astronautas, pesquisa científica e demonstrações de tecnologia na órbita terrestre baixa.”

Segundo o TechCrunch, a Axiom foi cofundada em 2016 pelo CEO e ex-gerente do programa da ISS Michael T. Suffredini e tem planos de lançar sua própria estação espacial depois de demonstrar seus módulos na ISS.

Em uma seção do site da Axiom que anuncia viagens particulares ao espaço, Suffredini escreveu que “os astronautas voltam do espaço mudados, com uma perspectiva renovada da humanidade que permanece com eles o resto de suas vidas”, acrescentando que tal viagem “desperta algo que parece primordial e eterno.”

O TechCrunch observou que, em 2018, a empresa se uniu ao designer Philippe Starck para projetar como deveria ser os futuros módulos da estação especial com telas interativas e uma vista privilegiada da Terra e do redor do Espaço. A iniciativa da startup inicia uma espécie de corrida espacial com a Roscosmos, que já tem planos para lançar pessoas ricas para o Espaço.

Projeto do módulo da Axiom para a ISSIlustração: Axiom/Philippe Starck

A NASA tem avançado com seu plano para privatizar grande parte da ISS a partir de 2024 (apesar das preocupações do próprio inspetor-geral da agência de que isso poderia equivaler a gerir a estação como uma fonte de financiamento subsidiada pelo governo para interesses privados, em vez de gerir mais “pesquisa crítica em órbita” até 2028).

De acordo com o site NASA Spaceflight, a parceria NASA-Axiom tem como objetivo criar “um módulo de nó, um ambiente para a tripulação e um módulo de pesquisa e manufatura”, além de uma grande janela com vista panorâmica anexada ao ISS, embora a Axiom tenha liberado “quase zero detalhes sobre qualquer coisa em relação às especificidades sobre o tamanho do módulo, espaço habitável, se ele terá seu próprio sistema de propulsão, como ele será abastecido ou qual veículo de lançamento será usado para lançá-lo em direção à estação.”

O site diz, no entanto, que a Axiom já assinou um contrato de US$ 55 milhões com um passageiro em potencial e que pretendem separar os módulos numa “Estação Axiom” separada, no final da vida útil da ISS.

De acordo com o TechCrunch, os próximos requisitos da Axiom serão negociar termos e preços de seu contrato com a NASA e chegar a um cronograma para que ela tenha o módulo pronto.

“Terá Wi-Fi”, disse Suffredini ao New York Times no ano passado. “Todo mundo estará online. As pessoas poderão fazer telefonemas, dormir, olhar pela janela. […] As poucas pessoas que forem para a órbita como turistas, não terá uma experiência de luxo, será como acampar. […] Em breve enviaremos um mordomo com cada tripulação.”