A base de qualquer perfume é um ingrediente muito conhecido, chamado etanol (ou álcool etílico, como preferem chamar os químicos. O composto normalmente é feito a partir da fermentação e destilação de grãos como o milho, ou de vegetais como a mandioca e, mais comumente, a cana-de-açúcar. Porém, para isso, é necessário usar muita terra e água — além de de emitir uma boa quantidade de gases nocivos no processo, claro. 

Pensando em mudar esse cenário, a startup Air Company criou uma fragrância à base de dióxido de carbono (CO2) capturado da atmosfera. A medida pode ajudar a lidar com as mudanças climáticas, reduzindo as emissões do gás nocivo em larga escala. A história apareceu primeiro em uma reportagem da revista Fast Company

O CO2, um produto da queima de combustíveis fósseis, é um dos principais agentes que contribuem para a crise climática. Eliminá-lo da atmosfera é uma das metas para que se cumpra o Acordo de Paris, que tem o objetivo de manter o aumento da temperatura da Terra abaixo dos 2ºC.

A captura de CO2 acontece a partir da fermentação tradicional e da coleta do gás produzido por usinas de álcool, antes de ele ser lançado na atmosfera. O gás chega até a companhia em tanques depois de ser resfriado, pressurizado e liquefeito. A companhia combina-o com o hidrogênio que faz a partir da eletrólise, processo que divide moléculas de oxigênio e hidrogênio presentes na água. Todo o método funciona a partir de eletricidade renovável. 

O “Air Eau de Parfum” será produzido em uma edição limitada, mas a startup quer usá-lo para demonstrar a outras instituições que sim, é possível reduzir os impactos ambientais. 

Foto da fragrância / Air Company

Se você está interessado em saber qual o cheiro do perfume, saiba que não tem nada a ver com escapamento de carro. A fragrância é composta de 74,4% de etanol, 10% de água e 15,6% de aroma folha de figo, casca de laranja, jasmim, violeta, almíscar pulverulento e tabaco. O perfume foi criado sem rótulo, e será armazenado em caixas feitas papelão reciclado. 

 

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Tanto a caixa de embrulho quanto o frasco de vidro foram projetadas para ter uma segunda vida além de seu uso inicial — ou seja, recicláveis. A Air Company também optou por usar aromas sintéticos por terem menos impacto ambiental na produção. E, aí, usaria?