À medida que as cidades se expandem a velocidades cada vez maiores, o mesmo acontece com o uso do cimento, necessário para fazer o concreto. Uma estatística bastante citada diz que a China usou tanto cimento em três anos quanto os EUA nos últimos cem anos. Só há um problema: ele é responsável por colocar muito dióxido de carbono na atmosfera.

Para fabricá-lo, é preciso aquecer o calcário a 1.500°C, e isso emite bastante CO2: estima-se que, para um milhão de toneladas de cimento, 800.000 toneladas de gás carbônico são despejadas na atmosfera.

Pesquisadores estão interessados ​​em encontrar maneiras de prender esse CO2, e por isso o projeto de um estudante da Universidade do Arizona, iniciado em 2002, está atraindo tanto interesse.

Ferrock e cimento (3)

Uma reportagem recente da PBS conversou com David Stone, Ph.D. em ciência ambiental, cujo produto foi feito em um laboratório por acidente, enquanto ele fazia experimentos com ferro. A ideia era impedir que o metal enferrujasse e endurecesse, mas aconteceu algo diferente. Ele explica:

Ele começou a borbulhar e respingar. E eu pensei, bem, isso – isso não deu certo. No dia seguinte, quando eu cheguei, achei o material no lixo e o resgatei. Percebi que ele não estava apenas duro: ele ficou muito duro, como um metal vítreo.

Os metais vítreos (ou amorfos) têm uma estrutura semelhante ao vidro, que na verdade os tornam mais rígidos e menos frágeis que metais comuns.

No ano passado, Stone criou uma empresa que vende esse material, chamado Ferrock. Ele é feito a partir de resíduos de siderúrgicas (pó de aço) que normalmente não são reciclados – eles costumam ir direto para o lixão. O Ferrock também usa sílica, obtida de vidro reciclado e moído.

Essa mistura de produtos químicos suga CO2 da atmosfera e o prende, como explica a Universidade do Arizona:

O Ferrock só endurece quando exposto a altas concentrações de dióxido de carbono, que é absorvido e preso, fazendo com que este material seja carbono negativo. Este gás do efeito estufa se espalha na mistura úmida e reage com o ferro, criando carbonato de ferro e tornando-se parte da matriz mineral do material.

Além disso, o material resiste melhor que o cimento a fraturas e quebras. Como o material endurece à medida que o pó de ferro enferruja, ele pode ser usado em água salgada e outros ambientes corrosivos. E ele não requer o mesmo processo de produção do cimento, que consome muito calor.

Ferrock e cimento

Então o Ferrock poderia substituir o cimento, mesmo que em parte? Talvez. Este novo método ainda está em seu início: ele foi patenteado pela universidade, licenciado para Stone, e atualmente está em testes para demonstrar sua resistência.

E mudar o paradigma de uma das maiores indústrias na Terra não é tão fácil quando demonstrar um grande avanço. Quatro bilhões de toneladas de cimento são fabricados a cada ano em todo o mundo; ele é a cola que permite ao concreto endurecer – e o concreto está por toda parte, em estradas, prédios, pontes e outros. Estamos falando de um setor que responde por até US$ 250 bilhões em lucros por ano.

Há algumas questões em aberto sobre o Ferrock: por exemplo, ele será viável quando produzido em larga escala? Saberemos mais com o tempo: o governo americano deu uma bolsa de US$ 200.000 para mais pesquisas com o material; e Stone fundou a empresa Iron Shell para comercializá-lo. Ou seja, provavelmente ouviremos mais sobre este projeto no futuro. [PBS Newshour e University of Arizona]

Imagens por PBS