Senhores, considerem-se devidamente apresentados ao Summit: um novo supercomputador capaz de fazer 200 milhões de bilhões de cálculos por segundo. A criação do Summit marca a primeira vez em cinco anos que uma máquina dos Estados Unidos aparece ranqueada como a mais potente do mundo.

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As especificações dessa máquina de US$ 200 milhões desafiam a compreensão. Construído por IBM e Nvidia para o Laboratório Nacional Oak Ridge, do Departamento de Energia dos EUA, o Summit é uma máquina de 200 petaflops, ou seja, ele pode fazer 20 quadrilhões de cálculos por segundo. Isso é cerca de um milhão de vezes mais rápido que um notebook comum. Como colocou o New York Times, um humano precisaria de 63 bilhões de anos para fazer o que o Summit consegue fazer em um segundo. Ou, como apontado pelo MIT Technology Review, “todos na Terra teriam que fazer um cálculo por segundo, o dia inteiro, por 305 dias para calcular o que a máquina nova consegue fazer em um piscar de olhos”.

A máquina, com seus 4.608 servidores, 9.216 chips de processamento central e 27.648 processadores gráficos, pesa 340 toneladas. O sistema está alojado em uma sala de 859 m² na instalação do Laboratório Nacional Oak Ridge no Tennessee. Para manter essa máquina resfriada, 15 mil litros de água são bombeados pelo sistema. Os 13 megawatts de energia necessários para abastecer esse gigante poderia iluminar mais de oito mil lares nos EUA.

O Summit é agora o supercomputador mais potente do mundo, 60% mais rápido do que o antigo dono do recorde, o chinês Sunway TaihuLight. Essa é a primeira vez desde 2013 que um computador construído nos Estados Unidos fica com o título, mostrando que os EUA começaram a acompanhar seu principal concorrente, a China. O Summit é oito vezes mais potente que o Titan, segundo supercomputador norte-americano melhor ranqueado.

Imagem: Oak Ridge National Laboratory

Como explica o MIT Technology Review, o Summit é o primeiro supercomputador especificamente projetado para lidar com aplicações específicas de inteligência artificial, como aprendizado de máquina e redes neurais. Seus milhares de chips otimizados por IA, produzidos por Nvidia e IBM, permitem à máquina processar quantidades enormes de dados em busca de padrões imperceptíveis aos humanos. De acordo com um comunicado do Energy.gov, “o Summit vai possibilitar descobertas científicas que eram anteriormente impraticáveis ou impossíveis”.

O Summit e máquinas como ela podem ser usados para todos os tipos de aplicações com muitos processadores, como criar novas aeronaves, fazer modelagem climática, simular explosões nucleares, criar novos materiais e encontrar causas para doenças. De fato, seu potencial para ajudar na descoberta de drogas é enorme; o Summit, por exemplo, poderia ser usado para caçar relações entre milhões de genes e o câncer. Ele também poderia auxiliar com medicina de precisão, em que remédios e tratamentos são adaptados para pacientes individuais.

A partir disso, podemos esperar por uma próxima geração de computadores, os chamados “exascale”, capazes de executar um bilhão de um bilhão (ou um quintilhão) de cálculos por segundo. E talvez não tenhamos que esperar tanto: os primeiros computadores exascale podem chegar na primeira metade da década de 2020.

[Energy.gov, New York Times, MIT Technology Review]

Imagem do topo: Oak Ridge National Laboratory