No começo do ano, o aquecimento recorde das águas dos oceanos ativou mortes em massa de corais na Grande Barreira de Coral, o que motivou uma pesquisa científica para estabelecer qual a causa. Agora, pela primeira vez, biólogos conseguiram capturar o processo de destruição dos corais, mostrando como eles morrem em detalhes.

Estes timelapses em movimento foram feitos apenas com uma única imagem estática
Este timelapse frenético mostra cinco anos de obras de expansão do Canal do Panamá

Os corais que construíram os recifes coloridos e tropicais que conhecemos e amamos são uma simbiose complexa: um animal mole envolto em um exoesqueleto calcário infestado com plantas microscópicas chamadas zooxantelas. Essa parceria permitiu aos corais construir enormes sistemas de recifes que oferecem habitat a quase um quarto de todas as espécies marinhas. Infelizmente, o relacionamento começa a rachar, em partes por causa do comportamento estranho que os corais adotam quando ficam desconfortavelmente quentes.

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Quando a temperatura da água sobe alguns graus, os corais expulsam suas zooxantelas. Isso faz com que os animais virem fantasmas brancos – por isso esse processo é conhecido como “branqueamento” – mas o mais problemático é que isso corta a sua fonte de alimentação. Em troca do abrigo, as zooxantelas oferecem a seus hospedeiros açúcares obtidos via fotossíntese.

Se as temperaturas ficarem alta demais por muito tempo, as algas não voltam e os corais passam fome. É exatamente isso o que aconteceu na Grande Barreira de Corais, em um branqueamento recorde que fez a mortalidade crescer em até 50% ao longo da margem norte do recife.

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Para entender melhor como o branqueamento funciona, biólogos da Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália, colocaram o coral Heiiofungia actiniformis em um aquário, subiram a temperatura e gravaram timelapses durante oito dias usando câmeras digitais e microscópios.

Como um par de foles soltando gás verde tóxico, os vídeos mostram corais infelizes expulsando suas algas parceiras em questão de horas após a temperatura subir de 26 para 32 graus Celsius. “O que é realmente interessante é quão rápido e violentamente os corais expulsam seus simbiontes residentes,” disse Brett Lewis, um coautor do estudo publicado recentemente na Coral Reefs.

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Mas nem tudo é destruição e melancolia. Os pesquisadores acreditam que a “inflação pulsada” usada pelo H. actiniformis para expelir as algas pode ajudar o animal a sobreviver durante períodos quentes em comparação com corais que não fazem o branqueamento tão ostensivamente. Com sorte, ao continuar estudando os corais sob microscópios, os cientistas consigam apontar os mecanismos por trás das estratégias de sobrevivência do branqueamento, e descobrir como promover uma resiliência de temperaturas mais amplamente.

Vamos torcer por isso, porque o aquecimento global não dá sinais de que está diminuindo.

Abaixo, imagens da deterioração em massa de corais ao redor do mundo:

Clique aqui para ver as imagens em tamanho ampliado.

Imagens via Brett Lewis/QUT

[Coral Reefs]