por Bruno Izidro

A Microsoft aproveitou a chegada de Rise of the Tomb Raider (que, por sinal, está ótimo) com exclusividade para Xbox One e Xbox 360 e realizou um evento de lançamento do jogo esta semana em São Paulo, onde fãs tiveram a oportunidade de jogar rapidamente a nova aventura de Lara Croft e depois comprar o game à meia-noite.

No local, era visível a presença de mulheres que não estavam só acompanhando namorados ou colegas, e sim que eram também fãs de Tomb Raider. Algumas jogam desde os tempos em que a arqueóloga não era muito mais do que pixels quadrados na tela, outras conheceram a série há pouco tempo, mas o que todas tinham em comum é que elas foram atraídas pela figura de Lara Croft. “Era uma personagem feminina protagonista em um jogo, só isso era um máximo e faz toda a diferença pra mim”, fala Daniela Palazzo, 25.

Toda sorridente com os dois pôsteres que ganhou no evento, Daniela diz que – apesar de conhecer a personagem desde a infância – só foi ter um contato mais direto com os jogos há dois anos, quando comprou um Xbox One e, junto, a versão Definitive Edition do Tomb Raider de 2013. “E aí me apaixonei pelo jogo”, comenta.

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O reboot da série foi algo que agradou não só a Daniela como também Alana Montilha, que ainda nem tinha nascido quando o primeiro jogo foi lançado para PC, PS1 e Saturn, em 1996, mas que já conhece as aventuras de Lara desde os jogos de PS2 e, desde então, sempre joga cada título lançado.

Para ela, a reformulação da série valeu não só para atualizar a série Tomb Raider para uma jogabilidade mais adequada aos dias atuais, mas por também fazer o mesmo com a personagem da Lara Croft. “Ela não é só mais um símbolo pros homens ficarem babando, e sim uma mulher que pode fazer as coisas e ficar mais próximo do público (feminino)”, desabafa.

Objeto de estudo

Na época dos primeiros jogos da série Tomb Raider, nos anos 1990, o nome de Lara Croft quase sempre vinha junto com a frase “musa dos games” e até pouco anos atrás, uma busca pela personagem no Google sem o safe search ligado renderia algumas montagens dela sem roupa aqui e ali.

Com o reboot de 2013, muitos dos atributos físicos que deixavam Lara um símbolo sexual para jogadores, como os seios grandes, foram mudados drasticamente. As vestimentas dela também passaram a ser mais adequadas para uma arqueóloga exploradora.

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Essa transformação pela qual Lara passou nos últimos anos foi acompanhada de perto por Amanda Santos, 27. Não só por ela conhecer a série desde Tomb Raider 2, quando jogava no PC, mas por esse ter sido tema de seu TCC na faculdade de design. “(O trabalho) foi concentrado na aparência dela, como ela evoluiu ao longo do tempo pra se adequar pros players novos, que não queriam mais saber da Lara Croft gostosona e imortal”, explica Amanda.

O estudo de Amanda também tem tudo a ver com o crescimento da discussão de igualdade de gênero no mundo dos jogos que vem acontecendo nos últimos anos. “Pra mim, como jogadora e mulher, (o que aconteceu) foi maravilhoso”, conta a designer. Ela também viu muitas amigas que antes torciam o nariz para Tomb Raider se interessarem em jogar.

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Essa evolução da personagem aconteceu, em boa parte, graças à presença feminina mais forte nos bastidores dos jogos, como a da escritora Rhianna Pratchett, responsável pela história do Tomb Raider de 2013 e por construir a personalidade dessa nova Lara, que ganhou uma sensibilidade e carisma que não eram vistos antes.

Em Rise of the Tomb Raider, Pratchett repete a função e explora ainda mais o emocional da personagem, principalmente na relação dela com o pai, mas sem deixar de mostrar o amadurecimento e força que a explorada de tumbas possui, mesmo se quebrando e machucando tanto em sua aventura.

Mesmo quando era sexualizada, a figura feminina que Lara Croft representava gerou, de certa forma, termos hoje personagens como Faith, de Mirror’s Edge, Red, de Transistor, ou mesmo Bayonetta. A nova Lara Croft parece encabeçar uma nova e interessante leva de protagonistas mulheres nos jogos e que podem atrair ainda mais jogadoras.