Em 2012, até mesmo mãos flutuantes desincorporadas terão celulares com NFC.

No Japão, pagar pelas coisas com o balançar do celular já é algo antigo. Roupas, comida, filmes, mulheres – pense numa coisa, eles já compram usando um telefone. E os estadunidenses, tão amantes da tecnologia? Nem tanto. Aqui está o porquê.

A resposta simples é “fita vermelha”. Existem simplesmente muitas entidades, atores, intermediários e homens de terno que querem uma fatia da torta para tornar tal sistema algo prático nos EUA, pelo menos por ora. De fato, programas populares e testados já existem em algumas grandes cidades, como Atlanta, Nova York e São Francisco, mas o efeito ainda tem que evoluir para alguma coisa que nós poderíamos seriamente chamar de “massa crítica”.

No entanto, o New York Times informa que no Japão os atores principais simplesmente disseram, “é assim que vai ser” nos primeiros estágios, e eles seguiram a partir daí. O resultado é que apenas uma operadora, a NTT DoCoMo, foi responsável por mais da metade do mercado japonês no momento em que tudo isso começou. Sua ação como o ator majoritário “motivou” o sistema a decolar entre instituições financeiras e fabricantes de handsets, mas acho difícil acreditar que tais práticas, anátemas ao capitalismo dos EUA, algum dia iriam se estabilizar por lá.

Ainda assim, a mesma tecnologia relacionada às compras ‘guiadas’ no Akihabara feitas por celulares japoneses ainda está arrumando um jeito de vazar para outros países, se bem que de diferentes maneiras. Em Londres, por exemplo, o Times informa que os cartões “Oyster” usados no transporte público apresentam a mesma tecnologia de curto alcance NFC (Comunicação de Campo Próximo) que os telefones japoneses. Nos EUA, os terminais PayPass do MasterCard permitem que os consumidores abanem seu cartão ao invés de passá-lo fortemente pelo visor.

Mas esses outlets só permitem um número de cartão de crédito por cartão. O telefone japonês, nirvana das transações guiadas, permite que os usuários selecionem entre várias contas e usem a que eles quiserem.

O problema óbvio de fraude e roubo também é mencionado no artigo (“seguro”, dizem os especialistas), embora com todas as histórias de grandes ladrões de identidade que nós vimos no último ano, o estigma permanecerá independente de quantos Kevin Fu por lá estejam dizendo que as transações pelo celular estão OK.

Fu é um professor assistente de Ciência da Computação na Universidade de Massachusetts, Amherst. É famoso por ter descoberto um buraco na segurança nas transações de cartões de crédito do tipo PayPass em 2006. Sua pesquisa levou as empresas de cartões a examinar seus sistemas e reparar as falhas nos últimos três anos.

Um ponto positivo dessa discussão (caso você seja daqueles a favor do CC/celular) é que a MasterCard já se pronunciou a respeito, dizendo que não haverá pagamento extra por essas transações, caso eles tenham ampla e maciça distribuição. Claro, nós estamos agora no meio de uma enorme recessão mundial, então vamos esperar pra ver se a indústria de cartão de crédito, frequentemente criticada como sinônimo da frase “taxas e cobranças de finanças escondidas”, manterá sua promessa.

Se você é daqueles que gostam de apostar, a data mágica para as transações pelo celular é 2012, quando a Key Pousttchi, líder do grupo de pesquisas Wi-mobile da Universidade de Augsburg na Alemanha, diz que a tecnologia NFC estará em todos os celulares do mercado (e os netbooks? Ou eles já terão se convergido para celulares? O artigo não diz).

Agora, pode me chamar de um tradicionalista ludita o quanto quiser, mas eu ainda não me importo de sacar minha carteira. Quanto às mariposas que voam de dentro dela quando eu a abro, bem, isso já é outra história. [New York TimesValeu, Matt!]