Quando nossos comparsas do Gizmodo americano tiveram um encontro com o HTC One, no dia de seu lançamento, eu fiquei um tanto impressionado com as reações: no meio de um mar de aparelhos com especificações enormes e telas ainda maiores, o aparelho da empresa taiwanesa foi chamado de “o jeito certo de se fazer um smartphone”. Hoje, eu comprovei que isso é verdade — e aproveitei o aparelho em mãos para bater com ele na minha testa e dizer “POR QUE HTC? POR QUE VOCÊ FOI EMBORA DO BRASIL?”

O HTC One é realmente um aparelho incrível: a construção é impecável e ele tem uma pegada ótima para um aparelho de 4,7 polegadas — com o melhor formato que já vi para uma grande tela como essa. Para efeito de comparação, não ficava empolgado com um smartphone assim desde meu primeiro encontro com o Galaxy S III — de lá para cá, o Nexus 4 e o iPhone 5 chamaram minha atenção também, mas me refiro à sensação de que “algo muito, muito sensacional” está acontecendo. Este é o One, exatamente como falamos no hands-on. Para completar, as modificações no Android estão melhor do que nunca — e a HTC ainda é a única empresa que justifica o uso extenso de skins.

E aí me lembrei daquele fatídico 21 de junho do ano passado, quando ficamos sabendo que a HTC fecharia as portas no Brasil. A notícia pegou muita gente de surpresa, e a empresa argumentou que diria adeus aos mercados em que não conseguia muito market share — na mesma época, ela fez a mesma coisa na Coreia do Sul. Mas, calma lá, o mercado brasileiro é realmente menor do que 80 países, número de nações em que a empresa pretende lançar o HTC One? Há realmente mais espaço na Argentina (um mercado extremamente fechado de smartphones), na Venezuela (dominada completamente pelo BlackBerry) e no Peru do que no Brasil?

Os chefões da empresa acharam que sim, mas creio que eles ignoraram alguns fatores: sim, o market share da HTC era bem pequeno, mas isso estava completamente atrelado aos lançamentos da empresa por aqui. Depois de uma enxurrada de Windows Mobile em 2007 e 2008, a empresa lançou esparsos aparelhos com Android — a maioria modelos de entrada, sem trazer celulares que ditaram a tendência do sistema operacional por um bom tempo –, e teve como último grande lançamento o HTC Ultimate (que foi meu sonho de consumo por um tempo, mas a paixão platônica passou por causa do Windows Phone 7). Veja bem o hiato: por bons anos, a empresa deixou de investir no país e, logo, não conseguiu colocar o nome da marca na boca do consumidor. Ela foi incapaz de fazer o que a HTC faz na Europa, principalmente: uma combinação de bons lançamentos com boa publicidade, apresentando a marca de boa forma ao povo.

Até hoje, acho que a saída da empresa foi um tanto estranha e brusca, e ainda converso com algumas fontes para tentar descobrir se existiram mais razões para o êxodo. Por enquanto, o que me resta é essa reclamação: hoje, o HTC One é um dos aparelhos mais sensacionais que alguém poderia ter. Consumidores de 80 países terão essa opção. Mas nós, não. Infelizmente.