Desde ontem à noite, o governo da Turquia bloqueou o Twitter no país inteiro. O motivo? O primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan quer conter boatos sobre corrupção no governo, dias antes das eleições municipais. E claro que não adiantou.

Como explica o New York Times, críticos anônimos começaram a usar o Twitter e YouTube para vazar documentos e ligações telefônicas. Neles, há indícios de fraude e suborno nas relações entre empresas e membros do governo – incluindo aí o primeiro-ministro. Ele diz que as gravações são falsas.

Pouco antes do bloqueio, Erdogan – que está no cargo há 11 anos – emitiu uma declaração oficial, dizendo que quatro tribunais do país exigiram a remoção de conteúdo do Twitter, mas a rede social não acatou o pedido. E o primeiro-ministro foi claro: “nós vamos acabar com o Twitter; eu não me importo com o que diz a comunidade internacional”.

As redes sociais ganharam mais força na Turquia desde os protestos antigoverno do ano passado; na época, Erdogan disse que o Twitter era uma “ameaça para a sociedade”. Veículos tradicionais da mídia foram pressionados a não falar mal do governo, e jornalistas que o criticarem são demitidos.

Esta é uma atitude ousada e draconiana de um país desesperado para aderir à União Europeia. Na verdade, a Turquia é um dos 10 maiores países no Twitter, por isso o bloqueio é tão drástico. Na lista de estados autoritários que bloqueiam o Twitter, também estão a China e Coréia do Norte. (O Irã impediu o acesso ao site até setembro de 2013.)

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Mas, claro, há diversas formas de driblar o bloqueio do Twitter. Clientes VPN permitem que usuários mais experientes tuítem na Turquia, o que também pode ser feito usando o Google DNS – 8.8.8.8 // 8.8.4.4. Além disso, é possível usar o serviço por SMS:

Está claro que o governo autoritário da Turquia não gosta muito da liberdade de expressão. Felizmente, poucos estão respeitando a decisão dele no resto da Europa: Neelie Kroes, vice-presidente da Comissão Europeia, diz que o bloqueio é “infundado, injustificado e covarde”. Erdogan pode ter ido longe demais. [New York Times; foto via Twitter]