Não adianta fugir: o 3D vai dominar o mercado de televisores —  se já não dominou, yeah. Em pouco tempo, todas as TVs vendidas terão a opção tridimensional. Mas, além de escolher entre um óculos ativo ou passivo, muitos pensam em só uma coisa: não dá para fazer tudo isso sem usar um óculos idiota? Agora, na IFA de 2011, algumas fabricantes indicam que sim — o modelo glassless 3D está finalmente chegando ao patamar necessário para uso popular.

Nem todas as fabricantes acreditam no formato. A Samsung, por exemplo, já disse que não terá TVs 3D sem óculos pelos próximos dez anos, argumentando que a tecnologia não estará 100% pronta até lá. Na época, o discurso parecia fazer sentido: os televisores 3D glassless que havíamos testado até então eram um exercício de paciência: o usuário era obrigado a ficar parado, realmente estático em um ponto, para receber imagens que não saltam para fora da tela, adicionando apenas profundidade às imagens. Para completar, as telas exibidas costumavam ser pequeninas.

Foi o que fez a Toshiba, a empresa que mais aposta no formato. Desde a CES deste ano, a fabricante tenta emplacar o formato. Mas o televisor GL1, que foi até lançado no Brasil, era uma decepção só: pequeno, com um corpo bizarro e com limitações de posicionamento que incomodavam. Na época, parecia que a Samsung estava certa: dez anos poderia ser até pouco, infelizmente.

Aceleramos a imagem e chegamos à IFA, em Berlim, mais exatamente na tarde de ontem. A feira estava movimentada, mas o galpão da Toshiba estava mais cheio do que o normal. Um espaço era demarcado com divisores de fila típicos de bancos, e uma multidão aguardava os passos lentos. Tudo para conhecer a ZL2, o grandioso passo da Toshiba na tentativa de popularizar a tecnologia.

Encaramos a fila e testamos o televisor de 55 polegadas. O resultado é mais empolgante do que imaginávamos. Para contornar um dos principais problemas da  tecnologia 3D glassless, a diminuição de resolução ao duplicar a imagem, a ZL2 tem resolução de 3840 por 2160 — ou Quad Full HD. Mesmo assim, era possível ver alguns detalhes de construção de imagem — pequenas linhas negras no canto de alguns pixels — que não eram para estar ali. O efeito segue o mesmo padrão anterior, com adição enorme de profundidade e poucas coisas sendo jogadas na sua cara. Em geral, ele parece o bastante para divertir uma família.

Mas, se a o 3D vai mesmo dominar todas as salas, o novo formato da TV 3D sem óculos arruma alguns problemas comuns do formato (além de eliminar o maldito óculos, claro): você ainda precisa ficar em uma posição específica, de frente para a tela, mas o nível de aceitação de deslocamento aumentou. Eu pude mover a cabeça para o lado por cerca de alguns centímetros e não perdi o efeito. Para completar, quando você exagera e sai da linha, a imagem não aparece embaralhada; ela fica apenas levemente embaçada, o que incomoda menos. É fácil encontrar um ponto para ficar fixado na imagem, e a maior liberdade de movimentos colabora. E, após 15 minutos de exibição, meus olhos não sentiam cansaço algum e eu posso dizer que assistiria a mais uma hora de conteúdo sem sofrimento. Chega de náuseas e tontura após um filme do Michael Bay.

O problema da tecnologia 3D sem óculos é que ela ainda é uma novidade fresquinha. E você se lembra quanto custava os primeiros televisores 3D, não? A ZL2 chega até o fim do ano na Europa por 9 mil euros. Além do preço alto, a tecnologia precisa evoluir com pressa, já que o 3D ativo já está em sua terceira geração. Mas, honestamente, esperamos que a Toshiba suscite a curiosidade de outras fabricantes no formato — apenas LG e Philips exibiram televisores 3D glassless, mas de forma bem tímida. Poder ter o 3D sem utilizar óculos, gastar dinheiro com eles e ainda ganhar uma película de escuridão ao ver os filmes? Eu aceito.

* O Gizmodo Brasil viajou para Berlim a convite da Philips e viu o Jenson Button dando umas voltas (provavelmente confundiu IFA com FIA)