Muitas pessoas são demitidas do Uber. Um empregado foi supostamente dispensado no ano passado por ajudar suas colegas mulheres a levantar queixas de assédio sexual. Motoristas são desativados da plataforma se suas avaliações caírem abaixo de um certo número (o Uber diz que a nota mínima varia por cidade, mas fóruns de motoristas dizem que cair para menos de 4,6/5 é o bastante para a desativação). Mesmo os executivos às vezes são cortados — o vice-presidente sênior de engenharia Amit Singhal foi convidado a renunciar seu cargo depois que alegações de assédio sexual contra ele em um antigo emprego vieram a público.

• O Uber está tentando esconder do público a batalha judicial com o Google
• O Uber não quer que você veja este documento sobre seu vasto sistema de vigilância

Mas Anthony Levandowski, o engenheiro acusado de roubar arquivos confidenciais da unidade de carros autônomos do Google e usá-los para desenvolver tecnologia parecida no Uber, ainda tem um emprego.

Isso, no entanto, pode mudar em breve — o conselheiro geral do Uber, Salle Yoo, avisou Levandowski, em uma carta enviada nesta segunda-feira e tornada pública na noite passada (18), que, se não devolver os arquivos roubados ou abertamente negar tê-los pego, ele poderia ser demitido. A carta é resultado de uma ordem judicial emitida na segunda-feira, e Lewandowski tem até o fim do mês para cumpri-la.

Na Waymo, o projeto de veículo autônomo comandado pela empresa-mãe do Google, Alphabet, Levandowski liderou uma iniciativa de desenvolver sistemas LIDAR que usam lasers para dar aos carros a capacidade de auto-navegação. Ele bruscamente pediu demissão da Waymo em janeiro de 2016 e criou sua própria empresa de caminhões autônomos, a Otto, que o Uber adquiriu em agosto daquela ano. A Waymo processou o Uber em fevereiro de 2017, alegando roubo de segredo comercial e violação de patente.

Levandowski tem insistentemente se recusado a responder a quaisquer perguntas dos advogados da Waymo sobre o caso, amplamente invocando seus direitos da Quinta Emenda. O caso foi encaminhado à Procuradoria-Geral dos Estados Unidos e, se Levandowski cumprir o pedido do Uber para devolver os documentos da Waymo, isso poderia desencadear uma investigação criminal.

“Entendemos que essa carta exige que você entregue informações de qualquer lugar, incluindo mas não limitado a seus dispositivos pessoais, e que você renuncia a qualquer proteção pela Quinta Emenda que você possa ter”, escreveu Yoo. “Embora tenhamos respeitado suas liberdades pessoais, é de nossa visão que a ordem da Justiça nos exige fazer-lhe essas demandas.”

O Uber se recusou a comentar além do que já está escrito na carta. O Gizmodo entrou em contato com um porta-voz da Waymo para comentários, e vamos atualizar a nota se tivermos uma resposta.

Apesar das alegações contra si, o cargo de Levandowski no Uber tem sido protegido até agora por sua reputação como uma estrela em ascensão na indústria dos carros autônomos e por sua amizade próxima com o CEO Travis Kalanick, que chamou Levandowski de “seu irmão de outra mãe“.

Entretanto, a carta de Yoo indica que a maré no Uber pode estar se virando contra Levandowski — além de exigir que ele devolva os documentos da Wyamo, Yoo também pediu que Levandowski devolvesse quaisquer documentos do Uber que ele pudesse ter e que usasse para trabalho apenas os dispositivos disponibilizados pela empresa, onde suas ações seriam monitoradas.

“Se você não cumpriu completamente com nosso pedido anterior de devolver todos os documentos pertencentes ao Uber que estão em sua posse, custódio ou controle, você deve devolvê-los imediatamente tais documentos para nós”, escreveu Yoo.

O contínuo emprego de Levandowski no Uber tem sido fonte de frustração para o juiz que preside o caso da Waymo, que sugeriu várias vezes aos advogados do Uber que Levandowski deveria ser demitido por apelar à Quinta Emenda em vez de cooperar com a investigação. Ao requerer que o Uber exija a devolução dos documentos, o juiz está pressionando a empresa a, enfim, demiti-lo. Até o fim do mês, saberemos se Levandowski decidiu manter seu emprego ou seu silêncio.

Imagem do topo: AP