A Uber vai pagar uma multa de US$ 140 milhões como parte de um acordo com a Justiça dos EUA. O motivo é o fato de a empresa ter sido alvo de uma brecha de segurança em 2016, que afetou milhões de usuários.

A plataforma de transporte também prometeu adotar um novo sistema de segurança de dados e políticas de notificação de brechas, que não vai ser limitado apenas a um auditor terceirizado para avaliar as práticas. Além disso, o acordo exige que a Uber desenvolva e implemente “um programa de integridade corporativa” para ajudar funcionários que reportarem preocupações éticas.

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Em novembro, foi revelado que a Uber tinha, no início de 2016, pago “hackers” que obtiveram acesso aos dados pessoais de 57 milhões de usuários da Uber, incluindo e-mail, número de telefone e número de carteira de motorista. O pagamento “secreto”, que foi de US$ 100 mil, fez com que múltiplos executivos fossem demitidos.

Em um comunicado, Tony West, diretor jurídico da Uber, diz que anuncia “com satisfação” o acordo, além de elogiar a atual gerência da empresa por ter tornado público o incidente. “Sabemos que ganhar a confiança de nossos consumidores e dos órgãos reguladores com os quais trabalhamos globalmente não é uma tarefa fácil”, disse. “No fim das contas, confiança é fácil de perder e difícil de se conseguir.”

Citando as contratações recentes de Ruby Zefo e Matt Olsen — chefe de privacidade e chefe de segurança e confiança, respectivamente —, West diz que a companhia vai continuar a investir em segurança e que continuará com o compromisso de “manter uma relação construtiva e colaborativa com governos ao redor do mundo”.

A Procuradoria Geral de Nova York disse que desempenhou um papel de liderança no acordo de segurança, que envolveu 50 Estados, além do Distrito de Columbia (Washington). A repartição investigava a brecha da Uber de forma independente antes de se juntar a uma investigação promovida por diversos estados e conduzida por procuradores gerais.

“Esse acordo sem precedentes deve enviar uma mensagem clara: temos tolerância zero com quem burla as leis e deixa as informações de empregados e consumidores vulneráveis para exploração”, disse Barbara Underwood, procuradora-geral de Nova York, em um comunicado. “Continuaremos a lutar para proteger os cidadãos de Nova York da fraca segurança de dados e de hackers criminosos.”

A notícia do acordo da Uber com a Justiça dos EUA vem ao mesmo tempo em que Apple, Google, Amazon e outras empresas gigantes de tecnologia testemunham no Congresso do país sobre a necessidade de uma lei nacional de privacidade, que também criaria uma política de notificação de brechas de segurança para o país todo, substituindo legislações de proteção ao consumidor confusas em vigor em esfera estadual.

Imagem do topo: AP