Em 15 de junho abrimos a empresa e eu comecei a trabalhar. Não tinha nada além de uma marca e um baita desafio. Desenvolvi o modelo de negócios, o produto, a entrega. Montei uma apresentação comercial e o layout do site. Solicitei reuniões a mais de 100 prospects, na primeira leva. Cold e-mails. "Oi, sou fulano de tal, já fiz isso e aquilo na vida, agora estou tramando isso aqui, pode me dar 15 minutos da sua atenção?" Obtive mais de 70 respostas e oportunidades de apresentar o lançamento. A apresentação – um Flash porreta – ficou pronta em 9 de julho e de 10 a 31 daquele mês eu fiz 75 apresentações. Reuniões de 1h30. Em alguns dias, fazia cinco apresentações. Eu, ex-diretor da Abril, ex-chefe de redação na TV Globo, estava no mercado, com uma idéia na cabeça e um notebook na mão, vendendo, me expondo, empenhando meu nome e minha reputação. Não tínhamos nada além de um CD e de um brinde bem geek que eu deixava nas agências de publicidade e nos possíveis anunciantes – um helicóptero teleguiado, uma powerball, um globo magnético. O Gizmodo éramos eu e uma boa intenção. E só.

Em 1 de setembro estreamos. Tínhamos colocado no www.gizmodo.com.br um countdown, contando os dias para a estréia. Chamamos um flash mob para a Rua Amaury em São Paulo. Apareceu um casal que tratou logo de sair de fininho. Saímos do ar na primeira manhã – servidor derrubadíssimo pela turba digital. Saímos do ar outras vezes, até que encontramos os amigos da Fabrica Livre, nossos parceiros desenvolvedores (Obrigado, Zé). Estreamos com oito contratos de publicidade: HP (obrigado, Anna. Obrigado, McCann), Pepsi (obrigado, Kathia. Obrigado, Almap), Intel (obrigado, Maô. Obrigado, DM9), BandTec (obrigado, Emerson. Obrigado, Pátria), Nokia, Xerox, Samsung, Sony. Quinze dias depois da nossa estréia, o Lehman Brothers faliu. Surgimos com a crise, no olho do furacão. Ainda assim depois vieram outros vários parceiros. Telefônica (bem-vinda, Débora. Obrigado, Rapp), Fiat (obrigado, Ciaco. Obrigado, Click), Panasonic, Semp Toshiba, LG, Tim, Microsoft, SonyEricsson, Philips, Honda, Volkswagen (vai estrear), Santander (vai estrear), Bradesco Auto, STI, Hoplon, GVT. Estreamos com um ad server open source, o Open Ads (Obrigado, Rodrigo). Tivemos que profissionalizar e encontramos grandes parceiros na Real Media (Obrigado, Páris, Tassi, a turma toda)



Trouxe o Fabio, nosso primeiro editor-chefe. (Obrigado, Fabio). Trouxe o Pedro, nosso atual editor-chefe. (Obrigado, Pedro). Montamos um time azeitado de tradução e de produção local de conteúdo (Obrigado Kimura, Victor, Felipe e Bracht). Chegou a Renata para cuidar de brand content. (Obrigado, Renata.) Veio o André, nosso VP Comercial. (Obrigado, André). E o Kelvin, nosso estagiário, para levar a culpa por tudo. (Obrigado, K). Hoje temos mais de 430 000 unique visitors e quase 3,5 milhões de page views por mês. E ganhamos várias medalhinhas: melhor site de tecnologia do Brasil, segundo o júri do Best Blogs Brasil, page rank 7 no Google, um dos 30 melhores blogs do Brasil segundo a revista Época, o 18 melhor blog em língua portuguesa segundo o Twingly. Quando me dei conta, tinha construído um negócio. Tinha uma operação para cuidar. Com usuários, clientes, fornecedores, funcionários, sócios, parceiros. Quando me dei conta, tinha criado uma obra. Coletiva, aberta, multifacetada. Uma obra bonita. Mais um caso de amor em minha carreira, mais uma história bacana para contar aos netos. Há exatamente uma hora, o Giz completou um ano. A você que me lê agora, e só para você, o que eu realmente quero dizer aqui: muito obrigado, por tudo. Muito obrigado mesmo.