Para a maioria das pessoas que estão vivendo em 2015, “um aparelho que faz tudo” é um tablet com teclado. Para os designers de interação do MIT, a expressão tem outro significado: um robô que muda de forma e vira um telefone, um relógio, uma lanterna ou um cabo de recarregar.

O nome do aparelho é Lineform. Ele é detalhado em um novo artigo, publicado por Ken Nakagaki e Sean Follmer, do Tangible Media Group do MIT, junto com o diretor do grupo, Hiroshi Ishii. O nome vem da forma do objeto quando em “repouso”: uma linha feita de dúzias de pequenos servomotores controlados por um Arduino Mega e cobertos por uma pele preta de elastano equipada com sensores de toque. Parece uma cobra de pelúcia, mas seus “órgãos” internos dão a ela poder para mudar de forma em poucos segundos.

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A questão por trás da Lineform é bem simples: um dispositivo único pode substituir dúzias de eletrônicos que carregamos, cada um para um fim diferente? Nakagaki e Follmer chamam o aparelho de “interface curva ativada” e dizem que vislumbram diferentes tipos de Lineforms que poderiam ser usados com “telas flexívies como a da próxima geração de dispositivos móveis, que podem mostrar informações complexas, fornecem ajuda para diferentes tarefas e limitam a interação do usuários”.

Em outras palavras, eles imaginam que a Lineform poderia substituir muito dos equipamentos que nós precisamos para interagir com o mundo hoje — os teclados, telefones, cabos e assim por diante — atuando como uma interface pronta para uso que poderia se transformar de acordo com o que você precisa para interagir em um determinado momento.

Por exemplo, o Lineform pode envolver seu pulso e lembrá-lo de compromissos com um toque, mais ou menos como um smartwatch. Ele pode enrolar e se transformar numa espécie de teclado sensível ao toque, só que sem teclas. Ele pode se curvar num formato amigável para a mão, como um telefone. Ele pode chacoalhar, agitar e abanar para avisar uma mensagem, ou simplesmente servir como cabo conector quando você precisar de um. Adicionais como lâmpadas podem acrescentar ainda mais funções. Ele pode até mesmo ser usado para modelar formas geométricas no mundo real e registrá-las no espaço virtual em 3D.

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Claro, o modelo feito pelo MIT ainda está num estágio bem bruto, bem distante de estar pronto para ser comercializado. Dito isso, é um protótipo surpreendentemente funcional, considerando o que foi pedido que o robô fizesse, demonstrando como esse tipo de robótica está avançada nos dias de hoje.

Mas há, no mínimo, uma desvantagem na velocidade com o que o Lineform muda de função: as pessoas ficam assustadas. No artigo, o trio de autores descreve como foi um dia de demonstrações com públicas: “Uma observação inicial é que um Lineform maior poderia assustar usuários quando mudasse de forma rapidamente.”

Mesmo para robôs inofensivos, o vale da estranheza é profundo e largo.

[LineformProsthetic Knowledge]