Aplicativos como o Waze são excelentes para andar pela cidade: com algoritmos espertos e bem desenvolvidos, eles conseguem calcular a melhor rota considerando trânsito, acidentes na pista e coisas do tipo. Só que eles não conseguem detectar quando uma parte de uma cidade deve ser evitada por outros motivos, como a violência.

Na noite de sábado (3), Regina Múrmura estava no banco do passageiro do carro do seu marido, o empresário Francisco Múrmura. Eles confiavam nas indicações de rota feitas pelo Waze quando foram parar em uma favela em Niterói, no Rio de Janeiro, e foram recebidos a tiros pelos traficantes que comandam a região. O carro foi baleado umas 20 vezes, segundo Francisco. Ele fugiu, mas ela não conseguiu escapar.

O problema é que o casal ia para a Avenida Quintino Bocaiúva, mas foi direcionado para a Rua Quintino Bocaiúva, na favela do Caramujo, controlada pelo tráfico.

O Waze reconheceu que está em uma situação delicada. “Infelizmente, é difícil impedir que motoristas naveguem para uma região perigosa se este é o destino selecionado pois pessoas que moram nestas áreas precisam chegar em casa”, diz uma nota do app.

É verdade – não dá para simplesmente riscar algumas partes da cidade do mapa só por causa dos níveis de violência, afinal, pessoas que moram lá também são potenciais usuárias do app. Representantes do Waze vão conversar com autoridades do Rio para discutir o que farão em relação aos riscos de se dirigir por certas partes da cidade.

Talvez a melhor forma de evitar que isso volte a acontecer seja não confiando tão cegamente nas indicações do app e usando também o conhecimento que você tem da sua própria cidade. Afinal, por melhor que seja um algoritmo, ele não é nada perto da nossa capacidade de compreender o mundo ao nosso redor. Isso, claro, e exigir dos governantes projetos mais bem desenvolvidos e eficientes de segurança pública. [G1, Washington Post]

Foto via liewcf/Flickr