A Comissão Europeia está dando aos cidadãos do bloco econômico a oportunidade de votar em uma consulta pública que poderia levar ao fim da prática de alteração de relógios duas vezes ao ano para o horário de verão.

A pesquisa, vista pelo The Verge, começou na terça-feira (3) e vai até 16 de agosto. Durante esse tempo, membros dos 28 países europeus que adotam o horário de verão poderão votar se querem mudar a prática de atrasar os relógios no inverno e adiantá-los para acrescentar uma hora de sol no verão.

(“Lançamos uma consulta sobre as alterações de relógio do horário de verão para avaliar se as regras devem ou não ser alteradas. Compartilhe as suas opiniões preenchendo o questionário online, disponível em todas as línguas da UE.”)

A pesquisa certamente levará a alguns resultados polarizados. Uma pesquisa conduzida pela Comissão Europeia em 2014 constatou que a maioria dos estados membros da UE estava satisfeita com as mudanças de horário, mas houve grupos de cidadãos que pressionaram para eliminar a prática — especialmente na Finlândia, onde mais de 70 mil cidadãos assinaram uma petição para abolir o horário de verão.

O lado do debate que prefere a manutenção da prática sugere que o horário de verão mantém as pessoas mais seguras. Uma pesquisa publicada no The Review of Economics and Statistics descobriu que, quando o horário de verão começa na primavera, as taxas de roubo caem em média 7% no dia inteiro — e 27% durante a hora extra de sol durante a noite. Também existe a crença de que dias mais longos no verão oferecem maior tempo para exercícios e atividades recreacionais, o que pode ser bom para a saúde.

Para aqueles contrários à continuação do horário de verão, existe o fato de que a razão original para o início da prática já expirou. A prática foi introduzida pela primeira vez pelos alemães, na Primeira Guerra Mundial, em um esforço para economizar combustível para a guerra, mas esse conceito não se aplica mais. Na verdade, ele aumenta as necessidades de eletricidade, de acordo com o Bureau Nacional de Pesquisa Econômica americano (NBER).

Existem também evidências que sugerem que mesmo os argumentos pró-horário de verão são bastante fracos. Basicamente, não há mudança no número de acidentes de trânsito durante o horário de verão, então as estradas não ficam mais seguras. Quanto aos benefícios à saúde, a hora extra de sol pode ser negada pelo fato de que, quando os relógios são adiantados, há um salto na taxa de suicídios e no número de ataques cardíacos registrados. Ele também perturba os ritmos circadianos dos humanos, levando a sono perdido e, potencialmente, a mais efeitos à saúde a longo prazo.

A pesquisa da Comissão Europeia não vai necessariamente ditar a política na UE, mas vai ajudar os legisladores a decidir se está na hora de abandonar o horário de verão. Se as respostas iniciais forem indício de alguma coisa, haverá muitas opiniões para se escolher sobre o assunto. Os servidores da Comissão já caíram por causa do número de acessos à pesquisa.

Brasil

No Brasil, antes do último horário de verão, de outubro de 2017 a fevereiro de 2018, o Ministério de Minas e Energia também ponderou acabar com o horário de verão, afirmando que já não fazia mais sentido a medida para a economia de energia — avaliada em apenas 0,5% em todo o consumo elétrico do País.

Houve uma mudança no perfil de consumo de energia no Brasil. No passado, o horário de verão causava maior economia porque as pessoas tinham um horário de trabalho tradicional, que agora é mais diversificado. Além disso, atualmente, o uso de eletrônicos como ar-condicionado alterou a curva de consumo, e, segundo a Gazeta do Povo, isso levou o pico de consumo ao período da tarde.

Apesar de termos tido o último horário de verão, a discussão permanece para os que estão por vir.

[The Verge, Gazeta do Povo]

Imagem do topo: Getty

Contribuiu: Leo Escudeiro