Ciência

Vacina contra infecção urinária livrou mulheres da doença por nove anos

Cientistas criaram uma vacina oral que protege pessoas contra infecção urinária de repetição, situação que acomete especialmente mulheres
Imagem: Ani Kolleshi/ Unsplash/ Reprodução

Ardência ao urinar, sensação de que a bexiga está sempre cheia e, às vezes, dor abdominal. Esses são os sintomas da infecção urinária, que afetam desproporcionalmente as mulheres e podem aparecer de maneira recorrente. Na tentativa de diminuir o uso de antibióticos, pesquisadores criaram uma vacina contra infecção urinária, que tem potencial para combater o problema.

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Chamada MV140 e apresentada em abril, durante o 6º Congresso da Associação Europeia de Urologia em Paris, a vacina obteve bons resultados em experimentos controlados. Em geral, ela preveniu infecções urinárias recorrentes nos participantes do estudo por até nove anos.

Entenda o contexto

No total, entre 40-60% das mulheres têm pelo menos uma infecção urinária durante a vida, que é quando bactérias invadem a uretra, a bexiga ou os rins. Dessas mulheres, cerca de 20% têm esse problema recorrentemente, de duas a três vezes ao ano.

Utilizar antibióticos tantas vezes pode causar outro problema: a resistência microbiana. Dessa forma, a vacina contra infecção urinária pode ser uma ferramenta importante para melhorar a qualidade de vida dessas mulheres e também evitar problemas ainda mais graves no futuro.

Como funciona a vacina

A vacina contra infecção urinária MV140 contém quatro espécies inativadas de bactérias que comumente causam esse problema. Para utilizá-la, no entanto, não é preciso uma aplicação injetável – a vacina é oral.

Dessa forma, as pessoas devem pingar diariamente o líquido – que tem sabor de abacaxi – sobre a língua durante um período de três meses. Ao final desse processo, o organismo reconhece as bactérias e sabe como combatê-las, evitando a recorrência da infecção.

Desde 2014 os pesquisadores testam a vacina, acompanhando 89 pessoas que foram vacinadas. No total, metade delas não desenvolveu uma infecção urinária por até nove anos. Além disso, não houve efeitos colaterais a longo prazo.

Contudo, especialistas afirmam que a amostra do estudo ainda é muito pequena, o que expõe a necessidade de novos ensaios clínicos. Além disso, o estudo ainda não foi revisado por pares, ou seja, os resultados não foram confirmados por outros cientistas que não estiveram envolvidos no estudo.

Como próximos passos, os cientistas também pretendem testar a vacina contra infecções urinárias mais complexas. Por isso, alegam que ainda há um longo processo pela frente antes da possibilidade do método ser comercializado.

Bárbara Giovani

Bárbara Giovani

Jornalista de ciência que também ama música e cinema. Já publicou na Agência Bori e participa do podcast Prato de Ciência.

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