Acredite ou não, criar gelo é mais complicado do que simplesmente fazer com que a água fique realmente gelada. Uma das coisas que ajudam no processo é uma bactéria. Sim, uma bactéria! Neste vídeo mágico, uma bactéria Pseudomonas syringae precisa de apenas um segundo para transformar uma jarra de água em gelo.

Como funciona? É o mesmo princípio por trás da formação dos flocos de neve na atmosfera (e das máquinas de neve artificial – mas já chegamos nisso). Um cristal de gelo precisa se formar ao redor de um núcleo, que pode ser poeira, fuligem, pólen, ou, como vimos, bactérias. A água pura não tem que se cristalizar em gelo até chegar à temperatura de 47 graus Celsius abaixo de zero. No vídeo, ela foi super-resfriada até cerca de 30 graus Celsius abaixo de zero, mas só congelou após a adição da P. syringae.

Maggie Koerth-Baker, que encontrou o vídeo para o Boing Boing, explicou de onde o superpoder de resfriamento da P. syringae vem:

A P. syringae pega a sua habilidade das proteínas que cobrem sua membrana superficial. A proteína basicamente forma uma estrutura física na qual as moléculas de água se agarram. Essa estrutura também orienta as moléculas de forma que solicita a formação de cristais de gelo. São essas proteínas que servem como instigador de nucleação de gelo e são incrivelmente eficientes nisso – muito mais do que a poeira…
Máquinas de neve comerciais usam as proteínas (mas não as bactérias) para ajudar a instigar a criação de neve em montanhas de esqui.

Em sua vida terrestre, a P. syringae causa doenças em plantas, então sua capacidade de formação de neve é meio bizarra. Uma hipótese é que a nucleação de gelo é um meio sutil de hackear o sistema de tempo: bactérias flutuam na atmosfera e caem na terra como neve e granizo, viajando centenas de quilômetros desta forma.

Nós humanos podemos pensar que somos espertos ao usar proteínas de bactérias para criar neve artificial para usar em pistas de esqui, mas os micróbios estão muito à frente de nós. [Mark Martin via Boing Boing]