A Microsoft fechou o ano passado com uma redução acentuada na venda de smartphones Lumia. No primeiro trimestre deste ano, a queda foi ainda mais íngreme. Isso faz parte do plano, mas o plano está dando certo?

Entre janeiro e março, foram vendidos apenas 2,3 milhões de smartphones Lumia, uma queda de 73% em relação ao mesmo período do ano passado. Mas, aos poucos, a marca Lumia deixa de ser equivalente ao ecossistema móvel do Windows.

Chris Capossela, diretor de marketing da Microsoft, disse há alguns meses que a empresa recuou no mercado de smartphones: “eu não diria que foi de forma modesta – nós recuamos de forma maciça, e acho que isso é apropriado para onde estamos. Nos próximos dois anos, nós vamos nos concentrar em criar celulares que demonstrem o Windows 10 para dois públicos [fãs de Windows e empresas]”.

Foram lançados quatro novos Lumias com Windows 10 Mobile (950, 950 XL, 550 e 650), mas eles tiveram pouca divulgação. E rumores dizem que o próximo smartphone da Microsoft – um possível “Surface Phone” – só deve chegar em 2017. Por enquanto, parece que ela quer dar espaço para outras parceiras apostarem em seu sistema.

lumia 650

Parceiras

Já existem diversos smartphones no mercado com Windows 10 Mobile. Até fevereiro, foram lançados os seguintes aparelhos:

Acer Liquid M320
Acer Liquid M330
Alcatel OneTouch Fierce XL
Archos Cesium 50
Bush Eluma
Coship Moly X1
Diginnos Mobile DG-W10M
Freetel Katana 01
Freetel Katana 02
Funker W5.5Pro
Geanee WPJ40-10
Trinity NuAns Neo
Yamada Denki EveryPhone

Alguns desses dispositivos são apenas versões “rebatizadas” para países diferentes: o Bush Eluma é uma variante do Archos Cesium 50 para o Reino Unido; e o Funker W5.5Pro, vendido na Espanha, é quase igual ao Coship Moly X1, exceto pela resolução da tela.

Além disso, vários deles são restritos a apenas um país: Diginnos, Freetel, Geanee e Yamada Denki atuam basicamente só no Japão.

Há outros por vir, no entanto, como o HP Elite X3 e VAIO Phone Biz (o Acer Jade Primo foi lançado este mês).

Funker W5.5Pro
Funker W5.5Pro

Queda

Se a Microsoft realmente tinha uma estratégia, ela se preparou para fazer uma transição suave entre restringir os próprios Lumias e apoiar as parceiras, certo? Não é o que parece.

Os dados de consultorias como IDC e Gartner sobre o primeiro trimestre devem sair em breve. Mas temos uma prévia da Kantar Worldpanel, e os números são desanimadores.

Nos três meses terminando em fevereiro – isto é, já levando em conta vários lançamentos com Windows 10 Mobile – o sistema da Microsoft perdeu espaço nos EUA, na Austrália e nos cinco países europeus que a consultoria acompanha (Reino Unido, Alemanha, França, Itália e Espanha).

No Japão, que recebeu diversos smartphones com Windows 10 Mobile, a participação da Microsoft aumentou em 0,2 ponto percentual, ritmo mais lento que Android e iOS.

kantar-February-2016

Ainda não há dados de fevereiro para o Brasil, mas dado que nenhum dispositivo foi lançado com Windows 10 Mobile no país; que está cada vez mais difícil encontrar Lumias à venda; e que a Microsoft está fechando lojas físicas, não estamos esperando nenhum milagre.

Tem futuro?

O Windows 10 Mobile não foi abandonado pela Microsoft: usuários no programa Insider receberam três novas builds nas últimas semanas. E ele não depende apenas de participação de mercado para conseguir apps: graças à UWP (plataforma de apps universais), apps feitos para PCs podem ser adaptados facilmente para o smartphone.

No entanto, para isso valer a pena, o sistema precisa ter hardware onde rodar. Não só a leva de dispositivos com Windows 10 Mobile está restrita a poucos países, como 50% dos Windows Phones atuais não poderão ser atualizados. Isso complica as coisas.

Os fãs mais fervorosos dizem que a Microsoft está se preparando para abrir um novo nicho de mercado com o “Surface Phone” – suspeita-se que ele possa rodar apps tradicionais de desktop. É compreensível que a Microsoft queira seguir a estratégia do Surface: a receita da empresa com tablets chegou a US$ 1,1 bilhão, aumento de 61%, no primeiro trimestre. Mas, pelo visto, teremos que esperar por esse futuro até o ano que vem – se ele realmente vier.

A Microsoft teve receita de US$ 20,5 bilhões e lucro líquido de US$ 3,8 bilhões no primeiro trimestre. Entre os destaques, temos uma leve queda de 2% nas vendas do Windows para fabricantes, devido à queda no mercado de PCs; e um aumento de 6% na receita do Office para consumidores, graças às assinaturas do Office 365.

Foto por Maurizio Pesce/Flickr