O YouTube Kids, a suposta versão destinada a crianças do YouTube que já sugeriu para elas vídeos de conteúdo estranho e perturbador, estava aparentemente divulgando vídeos do teorista da conspiração britânico David Icke, um cara que acredita que alienígenas reptilianos secretamente controlam o mundo e que foram responsáveis pelo Holocausto.

YouTube diz que vai reprimir vídeos impróprios com crianças como público-alvo
O problema de vídeos impróprios para crianças no YouTube é pior do que imaginávamos

De acordo com uma reportagem do Business Insider, procurar pelo termo “UFO” no YouTube Kids mostrava um vídeo de um OVNI despejando um rastro químico. As demais sugestões para este vídeo continham diversos vídeos de Icke, incluindo uma palestra de cinco horas explicando como os alienígenas construíram as pirâmides e secretamente comandam o planeta por uma classe dominante de humanos híbridos. O vídeo também examina diversas outras teorias da conspiração, incluindo alegações que a maçonaria pratica sacrifícios humanos e que o presidente John F. Kennedy foi assassinado pelo próprio governo.

De acordo com o Business Insider, “Dois outros vídeos de teoria da conspiração apareceram nos vídeos relacionados, o que significa que era fácil para crianças irem de um inocente vídeo de brinquedos para um de conspirações”.

Procurar pelo termo “pouso na lua” também resultava em um número de vídeos deo tipo, incluindo um que afirmava que o Grande Colisor de Hádrons teria aberto um portal para um outro mundo e que um funcionário teria sido engolido por ele. Apesar do YouTube ter removido 25 vídeos denunciados pelo Business Insider, o site reportou que conteúdo conspiratório continua vastamente disponível no YouTube Kids e assistir um destes resultava em outros aparecendo na lista de vídeos recomendados do app.

Apesar da versão normal do YouTube ter os seus próprios problemas com propaganda e desinformação (algumas das quais, como vídeos que acusavam sobreviventes de tiroteios de serem atores, repetidamente ficaram entre os vídeos mais vistos do site), o YouTube Kids é supostamente uma versão livre deste tipo de conteúdo. É possível, inclusive, que muitos pais permitem que seus velhos naveguem nessa versão do YouTube sem supervisão, o que pode ser imprudente, mas é claramente parte do modelo de negócio do site.

O YouTube prometeu anteriormente se livrar deste tipo de conteúdo, e fecha canais do tipo desde o ano passado. É discutível dizer se é possível garantir que este tipo de conteúdo não apareça, já que existem milhões e milhões de vídeos destinados a crianças disponíveis tanto no site principal quanto no YouTube Kids, e o YouTube e sua empresa-mãe Google tendem a confiar primordialmente em algoritmos para monitorar este mar de conteúdo do que moderadores humanos. Quando começou a prestar atenção em novembro de 2017, o YouTube desmonetizou pelo menos dois milhões de vídeos e 50 mil canais com conteúdo impróprio para crianças, sugerindo o tamanho do problema em qualquer um dos apps.

Em um comunicado ao Business Insider, o YouTube até eludiu como soluções para este problema dependem dos seus “sistemas treinados por humanos” do que humanos de fato:

O app YouTube Kids é casa para uma grande variedade de conteúdo que inclui vídeos que enriquecem e entretêm as famílias. Este conteúdo é monitorado usando sistemas treinados por humanos. Dito isso, nenhum sistema é perfeito e em alguns casos nós cometemos erros. Quando isso acontece, tomamos ações imediatas para bloquear o vídeo, ou, conforme necessário, canais de aparecerem no aplicativo. Nós continuaremos a trabalhar para melhorar a experiencia do app YouTube Kids.

De qualquer forma, mantemos o aconselhamento prévio: não deixe o YouTube ser a baba das suas crianças a não ser que você queira que eles assistam perturbadores vídeos do Homem-Aranha com garotas de biquíni, vídeos da Peppa Pig tomando alvejante, ou aparentemente, velhos britânicos explicando a eles que o governo é secretamente composto por alienígenas reptilianos vestindo pele humana.

Imagem de topo:  Business Insider/YouTube/UFOTV

[Business Insider]