Eu sou um leitor ávido, já estudei literatura, e sou também um geek tecnológico. Mas ainda assim, por algum motivo, nunca fiquei com o coração acelerado por um e-leitor de e-livros. O Nook é o primeiro dessa laia que eu realmente quero, e não devo ser o único. Eis as minhas razões.

Custo-benefício. Por US$ 260, ele custa exatamente o mesmo que um Kindle 2. Mas vem com muito mais. Wi-Fi, suporte nativo a PDFs, um slot SD e aquela segunda tela maluca, tudo isso faz o Nook cair em um patamar definitivamente superior ao Kindle. Ele faz o Sony Reader e o iRex parecerem caríssimos, e o Plastic Logic Que, um tiro no escuro.

Emprestar e compartilhar. Uma das minhas maiores objeções ao Kindle e outros e-readers é o fato de que a maior parte dos livros que eu leio vem de amigos, não de livrarias. O Nook sabe disso e integra a possibilidade de emprestar qualquer livro, por um período de até 2 semanas (mais do que suficiente para uma leitura rápida), para qualquer dispositivo: Mac, PC, iPhone, iPod Touch, BlackBerry ou Windows Mobile (em breve).

Compartilhamento é outra coisa muito bem executada: ao contrário do Kindle, que só deixa você ler as suas coisas em um iPhone ou iPod Touch que estejam logados na sua conta, o Nook permite a leitura em qualquer dispositivo suportado, sendo que os mais importantes aqui são o PC e o Mac. Você e a sua cara-metade podem ler o mesmo livro, ao mesmo tempo, nos dispositivos que bem entenderem. O Kindle, em contraste, não suporta Macs ou PCs de forma alguma — apesar de acreditarmos que neste exato momento a Amazon está repensando essa portura. Sem contar que o Nook sincroniza, entre esses dispositivos, não apenas a página em que você está, mas também as anotações ou destaques que fizer no texto, o que pode ser ótimo para estudantes.

Leitura grátis dentro da loja. Será possível levar o Nook para uma das incontáveis lojas da Barnes & Noble e ler um ebook, de graça, a cada vez — da mesma forma como você poderia entrar na loja, pegar um livro e ler durante uma ou duas horas. A Barnes & Noble está realmente levando em consideração a forma como as pessoas leem, o que é um ótimo sinal. Este tipo de funcionalidade faz com que o Kindle fique com o estigma de querer mudar os seus hábitos de leitura, em vez dele mesmo adaptar-se a eles.

E os potenciais compradores de um Nook poderão fazer algo que é impossível com um Kindle: ir até uma loja B&N e brincar com ele, sentir como funciona, antes de abrir a carteira. Segundo as impressões do Matt sobre o aparelho, eu acho que a possibilidade de ver o hardware ao vivo vai convencer muita gente a comprar um.

Visual de entortar pescoço. O Kindle 1 era, bem, distinto, e o Kindle 2 é inofensivo e moderno o suficiente, mas o Nook tem um estilo legítimo. Como Matt disse, "faz com que mesmo o relativamente benigno Kindle 2 pareça ter sido espancado sem dó". Ficou claro desde a primeira imagem vazada que estávamos lidando com algo diferente.

Android. Há duas coisas para se ficar empolgado em relação ao Android. A primeira são os apps oficiais, aos quais a B&N parece estar aberta — na apresentação de hoje, John escreveu: "Eles ‘não anunciaram’ nada sobre desenvolvimento de Apps, mas estão confortáveis ao usar a frase ‘quando nós fizermos isso’, o que é muuuuuito promissor". Meu app mais esperado desde já? Pandora (ou Slacker, ou Last.fm).

A segunda são, bem, as possibilidades mais "ilícitas". O Nook não só roda o Android (que, sabemos, é super fácil de ser modificado e tem uma comunidade que adora fazer isso), como também possui uma porta microUSB, o que deve facilitar as coisas. Imagine coisas criadas por usuários: skins, programas, jogos (caso a leitura fique tediosa)… as possibilidades são inúmeras. O Nook já suporta PDF nativamente (yes!), mas com isso não seria nem um pouco improvável vê-lo também suportando outros formatos, como documentos do Word.

 

A segunda tela. Sim, ela é estranha, e nós não acreditaríamos nela se não estivéssemos vendo com nossos próprios olhos. Mas faz todo o sentido do mundo: navegar pelos livros em e-ink é um exercício de frustração, e e-ink via toque é ainda pior. Com a sua touchscreen capacitiva, o Nook oferece um teclado virtual e a possibilidade navegar pelos livros em estilo cover flow, olhando para as capas coloridas sem se estressar com a letargia do e-ink, mas também abre as portas para o multitasking. Por exemplo: é possível que você possa ler na tela de cima e controlar sua música na tela de baixo, ao mesmo tempo. E o player de música não vai ser algo horroroso em tons de cinza.

 

Tempo de bateria. A bateria de 10 dias do Nook pode não durar tanto quanto a de 14 dias do Kindle 2, mas 10 dias ainda é uma duração insana — especialmente se pensarmos nos tablets que estão aí e chegando em breve, para concorrer com esses e-readers. Quando o tablet da Apple for anunciado, pode ter certeza que o seu tempo de bateria será medido em horas, não dias. E a bateria do Nook é substituível, o que é sempre uma boa decisão (você pode ter uma bateria reserva para quando a sua eventualmente descarregar e você não puder recarregá-la).

 

3G sim, mas também com Wi-Fi. Eu não estou bem certo sobre os benefícios do Wi-Fi neste momento (além de viagens internacionais, onde a AT&T não tem cobertura), mas dadas as possibilidades do Android, é algo essencial para o aparelho. No futuro, nós poderemos querer baixar arquivos maiores que um e-book, e o Wi-Fi será essencial quando esse potencial do Nook for descoberto. Além disso, é possível que a AT&T não queira dar suporte a algumas funções na sua rede, como VoIP, streaming ou navegação web. Para isso vai existir o Wi-Fi. O Wi-Fi entra nessa lista não só pelo que pode fazer agora, mas principalmente pelo que ainda poderá fazer no futuro.